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Água é o corpo humano

Especial semana do meio ambiente - parte III final

| Mundo dos bichos -

O ser humano tem muito em comum com o planeta. Sua constituição, assim como a da Terra, contém aproximadamente 70% de água e 30% de matéria sólida. Seu corpo também é movido por um líquido que circula em camadas superficiais e profundas, fluindo e refluindo enquanto transporta nutrientes e alimenta processos vitais. Seu organismo possui veias e artérias que se estendem como rios conectados entre si, além de um sistema metabólico que renova essa massa líquida como uma versão adaptada do ciclo hidrológico.  

Leia agora a parte I da matéria especial


Apesar disso, a relação do homem com os mananciais e aquíferos costuma ser altamente destrutiva, grande parte das vezes em decorrência da falta de conhecimento. Antes de mais nada, é vital compreender que os aquíferos não se resumem a meros reservatórios de água. Muito além disso, eles são formações cruciais ao equilíbrio da biosfera, já que alimentam os rios nos períodos de seca, ajudam a regular os ciclos biogeoquímicos e abastecem as mais distintas comunidades. Nas sociedades humanas, os aquíferos são indispensáveis para a irrigação, a agricultura e a cadeia produtiva de alimentos, para as atividades industriais em geral e os mais variados modos de ocupação sobre o globo. Sem água não existe cultura, não existe religião, não existe arte, não existe história, não existe vida. E, sem o Aquífero Guarani, existem menores probabilidades de um futuro próspero e pacífico.
 

Ao contrário do que se pensa, a água é um recurso não renovável na escala humana, em decorrência do tempo necessário (alguns milhares de anos) para a renovação de alguns ciclos. A água é sempre a mesma, mas sua renovação é lenta. O homem, ao contrário, se modifica sempre, e suas gerações se sucedem incrivelmente rápido. Esse descompasso faz com que as comunidades humanas ameacem o equilíbrio dos recursos hídricos.   

No Brasil, estima-se uma taxa de 40% de desperdício da água desde o momento em que ela é captada até sua distribuição. Isso sem mencionar o desperdício na hora do consumo doméstico e industrial e a contaminação dos mananciais.

A água disponível da natureza, hoje, é a mesma que esteve presente nos primórdios do planeta, há 4,5 bilhões de anos. O mesmo líquido que sai das nossas torneiras é aquele que encubou o desenvolvimento dos primeiros organismos unicelulares, que inundou as pegadas dos dinossauros e que matou a sede dos nossos ancestrais nas cavernas.  

Por outro lado, isso não equivale a dizer que os aquíferos não podem ser utilizados pela sociedade. O potencial do Guarani é gigantesco, e a demanda de água das populações instaladas nas suas áreas de ocorrência é muito grande para que ele não seja empregado em benefício humano. O fator chave nesse impasse é a gestão correta dos seus recursos. 

 

Leia agora a parte II da matéria especial 

É indispensável a elaboração de políticas que regulem o manejo sustentável e o tratamento de efluentes, e promova medidas para estimular a redução do consumo e o reaproveitamento dos recursos. Alinhado a esses propósitos, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram um acordo com o intuito de gerir a exploração do Guarani. O tratado de gestão compartilhada de águas subterrâneas prevê a soberania desses países no uso do recurso hídrico, e propõe medidas estratégicas para preservar o aquífero e responsabilizar quem contaminar as suas águas.


Nos mitos e nas mais distintas tradições culturais, assim como na constituição dos organismos vivos e dos corpos celestes, é sempre a presença de água que garante a possibilidade da vida. Afinal, parece que a água é não apenas o solvente universal, mas a substância universalmente genesíaca, que permite, de maneira que nem a ciência consegue explicar, o fabuloso surgimento da vida nas mais diversas formas e sob as condições mais extremas.
 

*ilustração Mayara Laurindo




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