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Que tal criar um pet diferente?

Para quem gosta de pets exóticos, nada melhor do que um bichinho que bota medo em meio mundo

| ACidade ON

 

Para quem gosta de pets exóticos, nada melhor do que um bichinho que bota medo em meio mundo, como é o caso das serpentes. No entanto, antes de adotar um animal desses, é bom chegar a um consenso com todos que moram na casa. As serpentes podem viver mais de 24 anos quando bem cuidadas, e não é fácil arrumar um novo lar para elas caso o dono desista do pet. Esses animais requerem uma série de cuidados especiais dos criadores, e não adianta nem esperar por demonstrações de afeto e carinho em troca da atenção o máximo que o bicho poderá fazer é demonstrar respeito ao humano por alimentá-la.

As serpentes mais adotadas como "pet" no Brasil e no mundo são as espécies constritoras, como a píton, a jiboia e corn snake, por não possuírem veneno e serem menos agressivas. Recentemente, o IBAMA proibiu o comércio de espécies exóticas (isto é, naturais de outros territórios), como a píton e a corn snake, embora alguns criadouros e pet shops ainda possuam exemplares para venda. No caso das cobras nativas, como a jiboia, o comércio é permitido apenas por criadouros autorizados. As serpentes já vêm com documentação legal do IBAMA e com um microchip que identifica o seu proprietário, que é obrigado a assinar um termo de responsabilidade antes de adquirir o animal.

Segundo o veterinário Julio da Cunha Rudge Furtado, as constritoras são preguiçosas e dormem a maior parte do tempo. O ambiente ideal para criar uma delas é um terrário que simule seu habitat natural, com cerca de 4 m² de área, um substrato no solo que facilite sua locomoção, uma "toca" em que ela possa se esconder e alguns pedaços de galhos ou paus para se exercitar. Furtado alerta que o ambiente necessita de uma fonte externa de calor, uma vez que as serpentes são animais de sangue frio e precisam de calor para manter seu metabolismo. Além da temperatura, o dono deve controlar a umidade do ambiente, que deve ficar em torno de 80% para facilitar a troca de pele (realizada de acordo com seu crescimento). A umidade pode ser mantida com um recipiente contendo água fresca e limpa, no qual ela irá se refrescar e matar a sede. Quando necessário, o tutor deve borrifar água no ambiente ou, em casos extremos, instalar um umidificador.

Um fato que pode assustar os criadores inexperientes é a alimentação das serpentes. Apesar de aceitarem alimentos congelados ou bichos mortos, elas preferem se alimentar de presas ainda vivas, como camundongos ou pintinhos. O veterinário Thiago Navarro Vilalta destaca que elas devem ser alimentadas uma vez por semana ou a cada 30 dias, dependendo da espécie da cobra, do seu tamanho e da estação do ano. Esses animais não gostam de ser perturbados durante a digestão, que pode durar até uma semana. Além disso, deve-se estar sempre atento a indícios de fome no animal, como a realização de "passeios" pelo terrário.

Por sinal, essa é uma vantagem que as serpentes oferecem aos donos com pouco tempo para interagir com seu bichinho:  passeios não são recomendados para cobras. Furtado afirma que, durante os passeios, as serpentes podem contrair doenças, e acabam ficando estressadas ou agressivas com a troca de ambiente. Seu transporte só deve ser feito quando necessário (por exemplo, para as visitas ao veterinário), em caixas escuras com pequenos orifícios para a entrada de ar. Outro cuidado importante é manter o terrário bem isolado, pois as serpentes são mestres em fugas.

De acordo com o administrador de empresas Ricardo Cardenuto, que gosta de répteis desde criança, a convivência com esses seres tão temidos pode ser harmoniosa e agradável. Atualmente, Ricardo tem uma jiboia de quatro anos e um metro e meio de comprimento, que adquiriu, pela internet, de um criadouro autorizado do Mato Grosso. Ricardo ressalta que as duas únicas vezes em que foi mordido pela jiboia foram por descuido na hora de alimentar o bicho, mas que a mordida não é muito dolorida. Ele confessou que a serpente se mostra mansa e tranquila mesmo na presença de visitas, e até pousa para fotos nos braços de estranhos.

Se você faz parte da minoria que não teme esses pets exóticos e tem condições de se dedicar a eles, vá em frente. Procure sites especializados no assunto e criadouros autorizados para, quem sabe, adquirir uma nova paixão de sangue frio.






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