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Mundo dos Bichos

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Vamos viajar, e agora?

Para aproveitar ao máximo as férias, planeje bem a viagem com seus melhores amigos

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O roteiro foi maravilhoso. De São Paulo, seguimos até o Paraná, passando por Maringá e Foz do Iguaçu. Wilson e eu adoramos a região, com um clima delicioso e uma paisagem linda. De lá, tivemos acesso à Argentina pelo norte do país, entrando pela cidade de Posadas. Depois de desdobrar as pernas e desenrolar um pouco nosso portunhol (descobri que Wilson também fala o idioma), finalmente partimos para Buenos Aires." Assim começaram as férias da professora Lilian Pereira e seu mais novo companheiro de turismo, a chinchila Wilson.  

Toda viagem em família tem uma coisa em comum: a família. Os destinos podem ser diferentes, as formas de locomoção, o tipo da hospedagem, a duração da estadia. Tudo pode variar, menos a proximidade com os entes queridos. E como os pets já se transformaram em integrantes definitivos de muitas famílias, nada mais justo do que eles embarcarem junto nas viagens de férias. Foi assim que Lilian decidiu incluir Wilson nas suas aventuras de final de ano. Antes de pegar a estrada, porém, ela precisou realizar um longo trabalho de pesquisa e dedicar um bom tempo para adaptar seu bichinho. Afinal, embora viajar com os pets costume render boas recordações e muita diversão à família, planejar a viagem exige dos criadores uma série de preparativos. 


A decisão

O primeiro cuidado que o criador deve ter antes de planejar as férias ao lado do seu pet é saber se ele pode ou não viajar. O veterinário Paulo Henrique Garcia, da clínica Diagvet, afirma que qualquer animal de estimação pode acompanhar os passeios da família desde que ele esteja saudável e disponha de condições e acomodações adequadas para a viagem. "Temos que levar em conta a espécie em questão. Pássaros e peixes, por exemplo, são mais difíceis de transportar. No caso dos peixes, podemos deixá-los em casa, com a luz do aquário acesa e com comida especial para fins de semana ou para quinze dias, que são liberadas aos poucos na água e podem ser encontradas em lojas especializadas. No caso de aves, é melhor deixar com alguém de confiança enquanto a família estiver fora", explica o veterinário.


O tutor deve ter em mente que, se resolver viajar com seu pet, o animal vai precisar da sua atenção tanto quanto se estivesse em casa. Talvez até mais, por conta do ambiente desconhecido. Manter o bicho por perto é importante para que ele permaneça tranquilo e aproveite o tour. O estado físico do animal também é um fator fundamental para a decisão dos criadores. Se ele for muito velho ou muito novo, ou ainda se estiver prenhe ou se recuperando de alguma doença, o melhor é não incluí-lo no passeio, já que permanecer em casa é mais indicado para sua segurança e bem-estar. Bichos muito agressivos ou mal comportados também não são ideais para embarcar em viagens. Nesse caso, pode-se consultar um especialista em manejo comportamental ou investir em aulas de adestramento e obediência.

Diga ao povo que eles ficam 

Se o criador optou por não levar o pet na viagem, é preciso assegurar que ele fique bem assistido durante a ausência da família. Uma opção, nesse caso, é contratar um pet sitter e deixar o animal em casa. Um aspecto importante dessa alternativa é que o animal permanece no seu próprio território e não sofre com alterações de rotina. Por outro lado, o criador deve estar constantemente atento ao trabalho do profissional e monitorar se as visitas são realizadas diariamente, hábito importante tanto para acompanhar os cuidados com o pet quanto para evitar que ele se sinta abandonado.

Outra possibilidade é deixar o animal em creches ou day cares. Existem vários estabelecimentos totalmente adaptados para acolher os pets durante a ausência da família e garantir que eles recebam todos os cuidados de que necessitam. No entanto, recomenda-se sempre um período de adaptação anterior à viagem. É importante fazer visitas prévias e deixar o bichinho por uma tarde, depois por um dia, um fim de semana, e assim por diante, até que ele esteja acostumado com o ambiente e com os tratadores.

Sempre que precisa, Fernando Hyppolito deixa Cyd, seu Golden Retriever, em uma creche especializada. "Eu costumo levar os objetos dele, como sua cama, brinquedos e potes de comida. Levo também a ração que ele costuma comer, para se sentir mais em casa. Cyd se dá muito bem com os tratadores, e eu também. Eles sempre me informam os horários das refeições e das atividades de lazer, e postam fotos no Instagram para que eu acompanhe sua rotina. Eu viajo tranquilo, e Cyd volta para casa mais relaxado. É bom para todo mundo", comenta o criador.  

Animais levados 

Se o criador decidiu levar os animais junto, sua primeira obrigação é garantir o agendamento das hospedagens. Além da dificuldade de conseguir vagas em hotéis nos períodos de férias, um grande desafio para as famílias que viajam com os pets é encontrar estabelecimentos que sejam pet friendly, isto é, que disponham de uma estrutura totalmente preparada para receber bem o animal.  

Depois de selecionar os destinos e reservar os hotéis, só falta saber como a viagem vai ser realizada. 


Nas viagens de carro, os animais precisam de condições especiais de segurança. Deixá-los soltos no veículo é ilegal e pode causar acidentes. O correto é prender o bicho com o uso de cinto de segurança próprio, em uma cadeirinha com cinto acoplado ou dentro de um kennel (gaiolas específicas para o transporte dos pets). Além disso, é importante assegurar que os cães mantenham a cabeça dentro do veículo. Por mais que eles gostem de um frescor na fuça, o excesso de vento pode causar danos aos ouvidos ou até causar infecções nos pulmões. Caso seja o primeiro tour do bicho, o melhor é investir em um bate-e-volta ou um passeio de fim de semana. Depois da primeira experiência, o criador vai saber se o seu companheiro está preparado para enfrentar uma aventura mais ousada. Caso se trate de um animal "rodado", acostumado a viagens de carro e a lidar com alterações na sua rotina, o criador deve agendar um "check up" no veterinário para garantir que a vacinação e a vermifugação do pet estejam em dia e, se for preciso, aplicar medicação contra pulgas, carrapatos e mosquitos. 


Segundo o veterinário Paulo Garcia, "Alguns cães sofrem de enjoo ao andar de carro. Nesse caso, peça ao seu veterinário para passar um remédio contra enjoos apropriado ao peso do seu amigo. Se for muito longa a viagem, aconselham-se paradas frequentes para que o animal possa urinar e defecar, além de se exercitar um pouco". É recomendado levar um kit de viagem contendo ração, bebedouro, sacolinhas ou fraldas higiênicas, e manter o carro com temperatura agradável, já que a elevação térmica pode causar complicações à saúde do pet. Caso o veículo não tenha ar-condicionado, uma solução é viajar nos períodos frescos do dia ou durante a noite.  


Nas viagens de avião, deve-se chegar para o check in com duas horas de antecedência. Cabe ao tutor ficar atento aos regulamentos da companhia aérea, já que cada empresa tem normas próprias. De maneira geral, o transporte do pet é cobrado à parte e a autorização da empresa deve ser solicitada com bastante antecedência. Vale também consultar se a raça do seu bichinho é permitida naquela companhia, e solicitar voos sem escalas, para que o pet não seja "extraviado". 

Para viagens dentro do país, é necessário o GTA (Guia de Transporte Animal), retirado no aeroporto mediante a apresentação de um atestado de saúde e da carteirinha de vacinação atualizada. Para animais com mais de três meses, é obrigatório o comprovante de vacinação contra raiva.

Em caso de voos internacionais, é proibido transportar rações e outros tipos de alimentação, já que isso pode oferecer riscos sanitários. Além da documentação básica para voos nacionais, deve-se obter o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), emitido de acordo com as regras do país de destino. Por isso, é importante buscar o consulado ou embaixada do país estrangeiro para conhecer as suas regras, já que cada local tem regulações específicas. Alguns países, por exemplo, não aceitam animais oriundos do Brasil (por conta de doenças transmissíveis). Sem a documentação necessária, o animal está sujeito a apreensão e deportação ou sacrifício pelas autoridades do país. 

A viagem é curta. Curta 

Depois de planejar todos os detalhes, é hora de finalmente embarcar para a viagem com a família completa. Os cuidados adicionais seguem o bom-senso. "Proporcione um ambiente agradável para os pets, lembrando que, no verão, o consumo de água aumenta. Então, deve-se aumentar a oferta de água fresca. Evite passear com eles nas horas mais quentes do dia, pois podem queimar os coxins (sola das patas). Para cães de pelo longo, sugiro que, ao invés de tosar todo o pelo do animal, deixe-se a barriga e a face interna das coxas tosadas, para que eles não sofram com o sol nas costas e possam se refrescar ao deitar a barriga no piso frio", aconselha o veterinário Paulo Garcia. Fora isso, resta só fazer aquilo que os bichos mais sabem: se divertir sem limites.  

Antes de colocar o pé e as patas na estrada, algumas precauções podem evitar que o sonho das férias se transforme em um pesadelo. 

- Afixe uma etiqueta na coleira do cachorro com a identificação do animal e os dados de contato do criador, essenciais caso o pet se perca. Se isso acontecer, portar uma foto recente do animal também pode ser um recurso valioso. Faça uma lista dos hospitais veterinários e plantonistas disponíveis na região, e não se esqueça de andar com um mapa do local, para servir de guia em casos de emergência.

- Outra dica importante é preparar um kit de primeiros socorros, sobretudo se o pet apresentar algum problema de saúde, e carregar o histórico médico do bicho. Isso pode ser útil caso ele precise de algum tratamento. E o mais importante: lembre-se sempre de consultar o veterinário. Ele poderá inclusive receitar um tranquilizante para o animal, se a viagem for muito extensa ou cansativa.   

A família que pretende passar as férias na praia vai ter que repensar a companhia dos pets. No Brasil, os cães são proibidos de circular pelas orlas litorâneas. Além disso, a areia pode causar reações alérgicas e oferecer riscos de infecções aos bichos, e o solo quente pode queimar suas patas.

É sempre útil levar os comedores do bichinho, a sua ração (caso o local de destino aceite) e os seus brinquedos preferidos, para minimizar o choque da mudança de local.

O protetor solar é indispensável para cães e gatos que vão ficar muito tempo expostos ao sol ou que possuem pele e pelagem clara e focinho despigmentado. Os protetores para humanos podem ser utilizados, mas o ideal é buscar produtos veterinários para evitar reações alérgicas.  

 
Os estabelecimentos oferecem uma variedade interminável de serviços e uma estrutura completa, com quartos com cama king size e televisão, chalés individuais, sala de descanso com música ambiente, spa, ofurô, área de lazer com piscina e playground, massagens, escovação, acupuntura e o que mais o criador imaginar.   
Embora cada profissional tenha a sua própria forma de trabalhar, os cuidados básicos costumam ser equivalentes, e normalmente incluem alimentação, higienização, passeio, brincadeiras e bastante cafuné. Se necessário, a maioria dos profissionais também ministra medicação. 
Para muitas famílias, férias ideais significam descanso. Para outras, significam aventura. Para quem se encaixa no segundo grupo, existem atividades de ecoturismo e esportes de aventuras para cães e criadores como: rafting, SUP (Stand Up Paddle), boiacross e outros esportes para que cães de qualquer porte possam realizar com seus donos".Por outro lado, o veterinário Paulo Garcia alerta para o risco dos esportes radicais com pets de primeira viagem. "Se o pet não estiver acostumado, o ideal é não incluir o animal nesse tipo de passeio. O que é divertido para nós nem sempre é para eles. Caso o proprietário queira levar seu cão para fazer uma trilha, deve mantê-lo sempre na guia e se lembrar de recolher os dejetos deixados no caminho." 

Para levar o animal de carro para outros países, é necessário dirigir-se ao Ministério da Agricultura (Vigiagro) e retirar o Certificado Zoossanitário Internacional, que permite a entrada do pet em países estrangeiros. Para conseguir o documento, o animal precisa estar com a carteira de vacinação em dia e o criador deve apresentar um atestado veterinário tirado com 72 horas de antecedência, no máximo. 


 Para animais como aves, coelhos, ferretes ou iguanas, exige-se a Guia de Trânsito Animal, que apresenta informações sobre o destino, condições sanitárias e a finalidade do transporte. Cada espécie possui uma norma específica, que pode ser pesquisada no site do Ministério da Agricultura. No caso de animais silvestres, é necessária autorização do IBAMA. 

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