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Mundo dos Bichos

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O amor de um pai pelos cães

Uma homenagem de dia dos pais ao Marcio Brefe, um grande amigo que nos incentivou a criar o Mundo dos Bichos

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Nascido em Araraquara, em 17 de março de 1970, o treinador Márcio Brefe apaixonou-se por animais ainda na infância, com predileção especial por cachorros. Mais tarde, canalizaria a admiração unicamente para uma raça: o pastor alemão.
 

Marcio Brefe - Foto: Beto Ambrósio

"Uma vez, em entrevista, o Márcio disse que os pastores são os cães que mais entendem o ser humano", conta Andréa Ribeiro, ex-esposa de Brefe. "Dizia que eram os mais doces, obedientes e equilibrados em seu raciocínio".

Ela acredita que o treinador possuía algumas características muito similares às da sua raça favorita. "Assim como esses cães talvez entendam melhor o ser humano, Márcio tinha uma compreensão íntima, em relação aos animais e era também, muito, muito amável e gentil", diz.

Andréa acompanhou o início desse sonho, fase em que Brefe passou a realizar com mais foco seu trabalho em criação e treinamento, tornando-se membro da Sociedade Paulista de Cães Pastores de Araraquara (de onde um dia seria vice-presidente) e frequentando competições pelo país, e soube, desde o início, que dividiria o criador com uma agenda apertada e com os pastores.

Quando o número de animais convivendo com o casal tornou a casa que habitavam na Rua 9 pequena demais, Brefe deu outro passo fundamental em sua vida profissional e construiu um canil na Chácara Flora, o Vom Haus Breff. Lá, além de se dedicar às atividades de criador e também recebia donos de outros pastores.

Para manter o local, Brefe dividiu seu tempo realizando outros trabalhos ao longo de vários anos, em agências de publicidade, empresas de montagem e petshops. O sonho de dedicar-se integralmente aos treinos de seus amados cães demorou para ser concretizado.

PODERES ESPECIAIS

A paixão de Márcio por pastores só aumentou com o passar do tempo e no imaginário da então pequena Gaby, Brefe possuía "poderes especiais" para se comunicar com os animais: "Meu pai era um deles, só que em forma de gente, só pode. Era uma sintonia absurda e inexplicável", conta.

Podia sim haver algo especial e quase mágico nessa relação entre o treinador e seus cães. Brefe tinha um faro apurado para perceber as necessidades dos bichos e tirar deles o seu melhor: "Envolvia muito amor e insistência, em treinos puxados, mas que se moldavam às possibilidades do pastor alemão, que é naturalmente resistente" diz Andrea.
Foto: Beto Ambrósio
 NO AUGE, A TRAGÉDIA 

Na época, Márcio estava em novo momento, tanto pessoal quanto em profissional conheceu o treinador argentino Ricardo de Arriba, o Rick, que compartilhava sua paixão por pastores. Ambos passariam a trabalhar em "sociedade" e a ganhar diversos prêmios. Foi considerado melhor treinador do Brasil e Arriba, melhor handler pessoa que guia o cão nas provas. Também receberam o título de melhor canil, em 2011.

Brefe havia conseguido o que tanto almejava: poder dedicar-se unicamente aos animais e ficava em rotina puxada, de domingo a domingo. Mas, em 2012, quando preparava-se para mais uma edição da Sieger principal exposição de pastores alemães do mundo, na Alemanha - perdeu a vida na estrada, num acidente, quando seguia em uma viagem profissional a Brasília.

A tragédia levou também seu parceiro de trabalho, Rick, e três dos cinco cães que transportavam.

A morte de Brefe causou nos amigos, além de enorme tristeza, a sensação de injustiça pelo momento em que aconteceu.

"Foi embora quando estava lá em cima, bem, reconhecido em toda parte, inclusive no exterior. Ninguém jamais podia prever, estava saudável, era jovem, num ótimo momento", diz Andrea.

"Ele foi embora fazendo o que amava, feliz porque alcançou o que tanto queria. Era despretensioso, não tinha ambições, só queria fazer o que mais gostava. Se esforçou, quebrou a cara muitas vezes, mas não desistiu", afirma Andréa. "Era ele e os cães."

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