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Mundo dos Bichos

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Tudo sobre a doação de sangue animal

Assim como nos humanos, transfusões podem salvar vidas animais

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São vários os procedimentos em benefício da saúde humana que também são utilizados nas clínicas veterinárias para o tratamento animal. Uma delas é a transfusão de sangue. Segundo a médica veterinária Jaqueline Ferreira Santos, a transfusão é uma ferramenta bastante usada no dia-dia para o tratamento de cães e, embora mais dificilmente, também de gatos e animais de grande porte, como equinos e bovinos. Em animais silvestres a prática é dificultada por falta de doadores disponíveis.

O método é indicado em casos de perda de sangue aguda, como acidentes e hemorragias, e em problemas que prejudicam a reposição das células do sangue ou que aumentam a hemólise (retirada das células de circulação), como doenças renais, anemias autoimunes, neoplasias, trombocitopenias. Quem vai determinar se o cão precisa de transfusão de sangue ou não é o veterinário.

Jaqueline explica que cerca de 7% do peso do cachorro corresponde ao volume sanguíneo que o animal possui. Deste volume pode-se coletar até 25%. Um cão que pese 30 kg, por exemplo, tem 2,1 litros de sangue e pode doar até 525 ml. Uma bolsa de sangue tem capacidade para 500 ml. Em gatos, cerca de 4% do peso é atribuído ao volume sanguíneo, portanto, um gato de 5 kg poderia doar 50 ml de sangue. O animal pode se tornar um doador regular de sangue, contato que haja um intervalo de três meses entre as retiradas de sangue.

Na coleta de sangue dos cães é utilizada a mesma bolsa de sangue humana. Já no caso dos gatos, devido ao pequeno volume de sangue, utiliza-se seringas heparinizadas (que contém heparina, um composto que evita a coagulação do sangue coletado).

Quanto menor o animalzinho mais difícil é a coleta. "É mais trabalhoso conter o animal e também há mais dificuldade de coletar o volume de sangue necessário para a transfusão", explica Jaqueline. Por isso, na maior parte dos casos, o animal é sedado para a retirada do sangue, que é feita principalmente do pescoço, na veia jugular.

Tipo sanguíneo

Assim como os humanos, os animais também têm tipos sanguíneos. No caso dos cães são DEA 1,1; DEA 1,2 e DEA 7. Jaqueline diz que há ainda outros tipos, mas que ainda não estão totalmente definidos. Os gatos possuem o tipo A o mais comum, responsável por 95% dos individuos, o tipo B, geralmente encontrados em gatos de raça pura, e o tipo AB, muito raro.

Mas, a tipificação sanguínea em animais dificilmente é feita. "Geralmente realiza-se uma prova que chama reação cruzada, que é que avalia se há anticorpos contra o sangue do doador no organismo do receptor. Este procedimento torna as transfusões mais seguras", explica a veterinária.

A transfusão pode ser feita com sangue total ou fracionado por grupos, que é a divisão do sangue produtos como papa de hemácias, plasma, plasma rico em plaquetas e crioprecipitado (usado para o tratamento de hemofilia), dependendo da necessidade do animal.

A transfusão pode ter efeitos colaterais no receptor, como reação alérgica ou anafilática, febre, reação hemolítica (quando o organismo receptor começa a destruir as células sanguíneas que está recebendo), entre outras complicações, como transmissão de doenças não conhecidas que o doador possa ter e ainda não foi detectada.

Para o doador não há contraindicações. "Se a quantidade ideal de retirada for respeitada, logo o animal se recupera e o sangue perdido é reposto", afirma a veterinária.


Requisitos para doação de sangue

Cães

- Idade entre 1 e 8 anos

- Peso mínimo de 27 kg

Gatos:

- Idade entre 2 a 5 anos

- Peso mínimo de 5 kg

Nos dois casos, os animais não devem ter recebido sangue em transfusão, estarem saudáveis, com a vacinação e vermifugação em dia e se alimentando bem. No caso das fêmeas, o ideal é que sejam castradas.