Aguarde...
ON Adventure - ACidade ON

Vertical Adventures apresenta

bora ligar o modo on
em nossas aventuras

ON Adventure

Aretha Duarte, a primeira brasileira negra a escalar o Monte Everest conta tudo em primeira mão.

Após retornar para Campinas, Aretha Duarte contou tudo sobre sua experiência no Monte Everest durante coletiva de imprensa.

| ON Adventure

Imagem: Abner Sanches
Aretha Duarte, a primeira latino-americana negra a chegar no topo do Monte Everest, retornou nesta quinta-feira (03) para Campinas e participou de uma coletiva de imprensa na manhã de hoje (04), no recém-inaugurado ginásio de escalada, PowerBloc, onde fez questão da presença de jornalistas mulheres para entrevistá-la. "Essa é uma missão que também faz parte do Projeto Aretha no Everest, de difundir a ideia de que mulheres podem conquistar o espaço que quiserem, inclusive o topo do mundo", explica ela. 
 
Bastante engajada em pautas sociais, a montanhista tem sua história de vida pautada em atividades sustentáveis e socioambientais. Para juntar dinheiro e realizar o sonho de iniciar a expedição até o cume do Monte Everest, Duarte se empenhava em juntar materiais recicláveis. 

Aretha pediu que o time de jornalistas fosse preferencialmente formado por mulheres | Imagem: Abner Sanches
Durante a coletiva de imprensa, Aretha contou em primeira mão como foi sua experiência durante a escalada ao Monte Everest, a maior montanha do mundo. De acordo com a atleta, embora ela já estivesse planejando a 12 meses e meio, a ficha só caiu no momento em que estava no voo em direção à Andorra, na Espanha, e percebeu que em pouco tempo estaria no Nepal realizando um sonho. Ela contou também que nunca teve dúvidas de que realizaria seu objetivo, mas às vezes precisava parar e pensar em outras alternativas e caminhos para pôr em prática, como por exemplo, outras formas de levantar dinheiro.

De acordo com a escaladora, a sensação de estar no Monte Everest é indescritível, mas se tivesse que descrever em uma frase seria "transbordando de alegria". "Todos os dias vibrando muito, transbordando de alegria. A cada dia da empreitada eu acordava e pensava que estava vivendo algo único, a cada dia de ascensão eu me perguntava como era possível essa paisagem, como era maravilhosa essa montanha", relata.

Aretha também enfrentou vários desafios em sua jornada, incluindo um edema pulmonar e as retinas queimadas. Ela mesma teve a iniciativa de visitar uma médica no campo base 4, pois embora quisesse muito realizar este sonho, sua segurança e saúde vinham em primeiro lugar. Mas, por sorte, seus problemas foram solucionados e tratados sem que ela precisasse realizar a descida.

Os desafios não pararam por aí, já no momento de ataque ao cume, a escaladora contou bastante emocionada que o guia de uma companheira de escalada precisou desistir, por conta das severas condições climáticas. Neste momento ela entendeu que a qualquer momento seu guia também poderia dizer o mesmo, pois ele já vinha apresentando sintomas de muito frio e cansaço. Ele chegou a dizer a ela que não aguentava mais e ela, em resposta quase que automática, perguntou se poderia continuar sozinha. O guia se virou e continuou andando em direção ao cume da montanha. "Nesse momento eu me senti muito culpada por estar forçando ele a seguir em frente, mesmo não se sentindo bem. Tirei a máscara de ar e os óculos protetor, com muitas lágrimas nos olhos, falei para ele que poderíamos descer. Ele se virou novamente e continuou subindo em direção ao cume", relembrou Aretha bastante emocionada. 
 
Aretha se emociona ao relembrar um momento em que algo espiritual reavivou a força e o propósito do seu guia de montanha, que havia desistido de continuar por fadiga e frio | Imagem: Abner Sanches

Para ela, o momento mais emocionante não foi a chegada ao cume, mas sim todo o trajeto. Todos estavam com muito frio, então ficaram lá por aproximadamente 15 minutos. "No topo do Everest existe um altar, cheio de bandeiras de oração e uma estátua que me pareceu, entre aspas, santo chinês. De um lado dá pra ver a cadeia de montanhas do Tibete e do outro lado a cadeia de montanhas do Nepal. "Estávamos acima das nuvens, a sensação era de estar em um prédio muito alto", disse ela, que também recordou que estava durante toda a subida da ascensão recitando o salmo "O senhor é meu pastor e nada me faltará".

Como inspiração, a montanhista afirma que quer deixar a mensagem de que é possível ser realizado, independente do que for e de onde venha. "Existe um poder interno bruto de que tudo aquilo que você sonhar, pensar e imaginar é possível realizar. Dê o primeiro passo."

Sobre ser a primeira brasileira e latino-americana negra a escalar o Monte Everest, Aretha diz que para ela é uma questão de representatividade. "Eu não me lembro de ter sofrido racismo, mas analisando sei que sofri o racismo estrutural, pois por conta de todo contexto da escravidão nós enquanto pessoas pretas fomos marginalizados e temos menos oportunidades. Por que reforçar que sou a primeira brasileira negra? Porque esse é um esporte ainda muito elitizado, ainda é um esporte que muitas pessoas negras não conseguem realizar, porque as pessoas negras geralmente estão nas periferias e não tem acesso a esse esporte. É importante enfatizar para que a sociedade como um todo enxergue esse meio e trabalhe para que as pontes sejam estabelecidas. (..) A gente não pode ter esse olhar simplório de que mencionar que a pessoa é negra é preconceito, pois existe uma história triste por trás de tudo isso que é necessário ser buscada e enfatizada. Com o tempo a gente vai conseguir deixar claro o que é tudo isso".

Seus próximos passos são levar projetos socioambientais para a periferia, para que as pessoas entendam que o futuro só é possível a partir da sustentabilidade. Ela deseja que o esporte, a arte e a tecnologia cheguem na periferia, para que as crianças enxerguem outras oportunidades. 
 
Assista a Live na íntegra pelo Instagram: