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Como um cânion é descoberto? Confira a aventura no Cânion BS Prime do Paraíso Achado

Batizado por Sanner Moraes como Cânion BS Prime, atualmente o local é conhecido como Paraíso Achado, em MG. Confira dicas e a aventura completa.

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Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado. 
Localizado na área do atrativo de cachoeiras, que atualmente é conhecido como Paraíso Achado, uma área privada com belas cachoeiras - esse cânion fica no município de Capitólio, na divisa com o município de São João Batista do Glória, e começou a ser explorado por Sanner Moraes e seus amigos em meados de 2001, sendo eles os primeiros a encarar a aventura. Sanner o batizou como Cânion BS Prime. Ele conta que este cânion fica numa área de pedreira que foi desativada, e que o atual proprietário a transformou em um atrativo turístico, atualmente conhecido como "Paraíso Achado"    


Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
As águas cristalinas e poços rasos são um convite aos turistas se refrescarem e fazerem lindas fotos | Foto: João/Paraíso Achado

"Antes de chegarmos lá, as pedreiras já existiam, mas claro, os trabalhadores nunca entraram neste cânion. Até a gente tinha muito medo. Hoje em dia, alguns guias se arriscam levando clientes para dentro deste cânion, alguns por cima, que representa um risco menor, outros por baixo, onde o risco é maior, dada a configuração confinada deste trecho, com um estreito de 300m de natação. Na época do frio, pode haver o risco dos turistas terem uma hipotermia, já na época do calor, o risco é por conta da cabeças d'água, conhecida por alguns como tromba d'água, que ocorre com bastante frequência e intensidade nestas épocas chuvosas. É um trecho incrível, mas é proporcional ao risco", conta Sanner. 

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Início do trecho de confinamento sem área de escape, que torna o cânion BS Prime muito perigoso em épocas de chuvas. É altamente desaconselhável que turistas e/ou atletas inexperientes entrem neste cânion nestas épocas | Foto: Sanner Moraes

Com a técnica do esporte e com os equipamentos, ele e seus amigos conseguiram atravessá-lo por completo no início de 2013. O curso d'água do cânion é um afluente bem ativo do Ribeirão Capivara, que deságua na represa de Furnas. Na época em que Sanner, Dickran Jr e Gabriel Troillo, exploraram o cânion pela primeira vez, não existia Google Earth, apenas mapas cartográficos de curvas de nível e algumas imagens de satélite sem definição, conseguidas do INPE (instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Dickran Júnior, em 2001, durante a primeira investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.

"Tínhamos que desenhar mapas a mão pra quem fosse nos resgatar, caso não chegássemos no horário previsto", relatou Sanner, revelando o quão mais fácil está hoje em dia a comunicação e a segurança durante a prática de aventuras. 

Este cânion fica em um complexo de cachoeiras no Sudoeste de Minas Gerais, próximo aos principais roteiros do ecoturismo nacional, como a Serra da Canastra e o Lago de Furnas. 


Com uma natureza exuberante, o local é realmente um paraíso com quedas d'água, piscinas naturais, paredões, cânions, poços, grutas e caminhos de pedra, tudo isso em meio ao Cerrado.  

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Para aqueles que preferem não entrar em poços ou não sabem nadar, a opção para se refrescar são as cascata nas escadarias da cachoeira da Coca | Foto: João/Paraíso Achado
De acordo com Paul Antônio, amigo de Sanner, atleta de canionismo e Ph.D em geofísica com trabalhos na França e  Brasil, as rochas desta região são mal datadas, mas estima-se cerca de 1.0Ga (bilhões de anos). Já os cânions são bem mais jovens e tiveram o início da sua formação mais recentemente, há menos de 100 mil anos. 
 
Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Paredões com cerca de 100m de altura após a cacheoira do abismo. Adiante, um longo trecho de flutuação bem confinado. | Foto: Sanner Moraes
O local possui boa infraestrutura para receber os visitantes, com estacionamento, camping, restaurante e uma grande área verde que delimita a entrada no complexo de cachoeiras e pedras. Também possui sanitários e chuveiros com água quente.
Por ser uma área particular, é cobrada uma taxa de visita dos visitantes.  

Nesta área, a preocupação ambiental e os cuidados a serem tomados nas cachoeiras são bem evidentes com os avisos nas placas espalhadas pela área de circulação do Paraíso Achado. O local possui orientadores para auxiliar os visitantes e informar sobre o complexo, principalmente sobre os riscos de tromba d'água.  

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Sanner Moraes ao final de um longo trecho de flutuação, com 300m de extensão, em meio a paredões de 50m de altura, do cânion BS Prime, no Paraíso Achado.

Ainda hoje, o Paraíso Achado só é acessado com veículos altos e 4x4, por conta da estrada intransitável para carros de passeio comum. São cerca de 7 km percorridos sobre o cascalho de quartzito. 
Para quem não possui veículo 4x4, é necessário a contratação deste serviço oferecido por guias que tem pontos de partidas em Passos, São José da Barra e Capitólio. É possível encontrá-los em pontos turísticos como a ponte do Turvo, mas recomenda-se a contração antecipada, via internet, através dos perfis de instagram. 

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Vista superior da cachoeira da Coca. Este é o primeoro cenário que os turistas que visistam o Paraíso Achado tem ao chegar. | Foto: @percio_passeios4x4

Como chegar em Paraíso Achado? 

Saindo de Belo Horizonte, a viagem de carro até Paraíso Achado, em Capitólio, dura aproximadamente 4 horas. São mais de 300 km de viagem.
Partindo de Campinas-SP, a viagem de carro dura aproximadamente 4 horas, sendo também mais de 300 km de viagem até Capitólio-MG.
Saindo de Ribeirão Preto-SP, são aproximadamente 3 horas de viagem de carro até Paraíso Achado, percorrendo mais de 200 km.  

Estes são os lugares com aeroportos mais próximos, para quem vem de um Estado mais distante e pretende incluir Paraíso Achado e o Cânion BS Prime em sua rota. Clique para rota de acesso ao Paraíso Achado 

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Rota para o Paraíso Achado partindo da rodovia MG050 entre São José da Barra e Capitólio | Imagem: Google

Como um cânion é descoberto? 

Os cânions são formações rochosas que surgiram há milhares de anos, são vales profundos com encostas quase verticais, sendo possível que se estendam por centenas de quilômetros, podendo atingir até 5 mil metros de profundidade, como é um caso excepcional do Yarlung Tsangpo Grand Canyon, no Tibete, o maior do mundo. 

Sanner Moraes, em 2013, durante o término da segunda investida de conquista ao cânion BS Prime, na região do Paraíso Achado.
Fracionamento da primeira cachoeira vertical do cânion BS Prime. Nesta foto, a equipe durante o processo de mudança de corda, vindo de um rapel de 10m e indo para outro de 20m | Foto: Sanner Moraes
Hoje em dia existe muita tecnologia disponível para localizar diversos pontos existentes no planeta Terra, sendo utilizadas por pesquisadores da área. São esses estudos que ajudam os exploradores interessados em aventura. No caso do cânion BS Prime, explorado pela primeira vez em meados de 2001, quando não existia ainda algumas tecnologias, como por exemplo, o Google Earth, foi um pouco mais complicado. Sanner e seus colegas precisaram pesquisar em estudos de mestrados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Após descobrir onde mais ou menos seria a localização do cânion, precisaram criar um mapa, e deixando uma cópia com alguém, para que eles fossem encontrados caso não voltassem no tempo determinado. Feito isso, o próximo passo foi partir para a aventura em busca do cânion. 

Mas essa aventura de exploração não pode ser realizada por qualquer pessoa, precisa ser alguém preparado, com os equipamentos certos e experiente, para que possa saber lidar com qualquer imprevisto que surja no meio do caminho.

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