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Emerson Iser Bem: sua história vai muito além da são silvestre

Recordista brasileiro juvenil e único brasileiro a ganhar uma etapa do circuito mundial de Cross, Emerson Iser Bem também foi campeão da São Silvestre. Relato um pouco da nossa convivência

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Emerson Iser Bem: sua história vai muito além da são silvestre. Crédito: Gazeta/arquivo pessoal

Quando cheguei em campinas, mais precisamente em Barão Geraldo, local onde fica uma das principais universidades do mundo, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e onde treinávamos em uma pista de carvão, tive o prazer de conviver com o Emerson. 

Nosso contato diário foi bem rápido, durou pouco mais de 6 meses. Depois nos encontrávamos na pista às terças e quintas pela manhã, dia dos treinos intervalados.  

Embora estivesse focado nos exercícios, gostava muito de observar os grandes atletas que tinham conquistado bons resultados, como no caso do Emerson, que foi uma inspiração.  

Ele era e continua sendo o recordista brasileiro dos 5 km na pista, resultado feito no mundial de Seoul 1988, com o tempo de 13 minutos e 59 segundos, enquanto eu ainda com 14 anos estava tentando correr abaixo de 15 minutos e 30 segundos.  

Nós treinávamos em uma turma grande, haviam vários atletas de elite, sendo o Emerson um dos atletas mais "raçudos" que conheci. Ele fazia um pouco mais de força para correr, quando comparado com outros atletas como João Alves de Sousa (o passarinho), Vanderlei Cordeiro, Leonardo Guedes, entre outros.  

O que mais me chamava atenção era o fato de que mesmo com dificuldades, ele não largava o osso.  

Lembro do treino antes de sua viagem para disputar uma das etapas do mundial de cross em Portugal, no qual ele se consagrou campeão e o único brasileiro a realizar essa façanha, foi um treino bastante pesado e ele sabia que para ser um dos melhores precisava treinar como os melhores.  

Olhando ele treinar e seguir as orientações, percebi uma qualidade que valorizo muito nas pessoas, em especial nos meus alunos: gostar do desafio e principalmente de ser desafiado.  

A sua chegada na São Silvestre, em 1997, diz muito sobre sua personalidade. Paul Tergat poderia até ganhar, mas teria que brigar muito com um atleta fora de série, que sempre gostou do desafio e de ser desafiado.


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