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Os atletas brasileiros maratonistas também estão entre os melhores do mundo

Somos um dos poucos países que possui atletas entre os melhores do mundo, e nossos resultados dizem isso

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Os atletas brasileiros maratonistas também estão entre os melhores do mundo (Foto: AFP/Thimoty Clary)
Falar sobre a corrida de rua é um prazer, em especial quando você convive com uma geração de grandes atletas que até hoje são referências mundiais. Eu não sou queniano e não treinava no Quênia, embora tenha muita vontade de visitar a terra dos grandes atletas, nem mesmo na Etiópia ou qualquer país africano. Estou falando de brasileiros da melhor qualidade!  

Somos um dos poucos países do mundo a correr com os melhores do mundo, e nossos resultados dizem isso. Talvez fique a sensação de que não é bem assim e que vivemos de estrelas solitárias que aparecem a cada 10 anos, mas teve um período, mais precisamente uma década, que os resultados foram espetaculares para os corredores de rua do Brasil, graças aos atletas e treinadores acima da curva.  

O primeiro brasileiro de destaque foi Alfredo Gomes que chegou como favorito aos jogos olímpicos e foi o primeiro campeão da São Silvestre em 1925.  

Outros atletas como Clodoaldo Gomes, campeão mundial sub 20; Valdenor Pereira dos Santos, top 5 no mundial de meia maratona; Luiz Antônio dos santos, medalhista em campeonato mundial e bicampeão em Chicago; Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista olímpico e campeão da maratona de Tokyo; Ronaldo da Costa, recordista mundial da maratona e medalhista no mundial de meia maratona; a equipe do Brasil, que foi medalhista em mundiais de revezamento e copa do mundo de maratonas; e Marilson Gomes do Santos, bicampeão da Universidade, top 5 na maratona olímpica, Top 10 no mundial de meia maratona, bicampeão da maratona de Nova York, pódio na maratona de Londres, e dezenas de resultados nas principais maratonas mundo afora.  

As meninas também fizeram história nas corridas de rua, iniciando com a Eleonora Mendonça, a pioneira que começou a correr e incentivar as mulheres a participarem de corridas no Brasil, participando de corridas no Brasil e no exterior; Adriana Aparecida, dois ouros em jogos pan americanos e atual recordista brasileira da maratona; Carmen de Oliveira, a brasiliense foi a primeira brasileira a vencer a São Silvestre; Roseli Machado, foi a segunda a vencer a São Silvestre; Marcia Narcloch, medalhista de ouro nos jogos pan americanos e campeã de várias maratonas no Brasil; Maria Zeferina e Lucélia Peres, campeãs da São Silvestre, entre outras grandes atletas com feitos importantíssimos para o atletismo brasileiro.  

Poucos países no mundo têm essa tradição de ter grandes corredores figurando entre os melhores do continente e do mundo.  

Certa vez, um maratonista me disse impressionado que chegava na Europa ou no Japão para competir e as pessoas na rua e na porta do hotel pediam autógrafo, queriam dar um abraço ou tirar uma foto, mas aqui no Brasil, sua terra natal, país que meus pais escolheram para viver, ele era um desconhecido. Em alguns casos, quando passava treinando perto de um bar, as pessoas gritam o chamando de vagabundo, e frases como "pega o ladrão", era como se ele tivesse feito sua obrigação em ganhar, usar a camisa do Brasil e ponto.  

Costumo pensar e dizer aos meus alunos e alguns atletas, que somos um país jovem. A Europa tem mais de 2 mil anos, temos pouco mais de 500 anos e aprenderemos a reconhecer nossos feitos e valorizar não só os esportistas, mas todos aqueles que lutam e lutaram por um Brasil melhor e mais justo para todos, em especial aqueles que possuem a merecida e honrosa contribuição aos valores e convivência, cada vez menos presentes em nossa sociedade.

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