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Atleta amadora encontra no esporte a motivação para vencer a obesidade mórbida

Fabiana Apostoli, venceu a obesidade mórbida com a ajuda do esporte e agora almeja estar entre as brasileiras que conquistaram a six medal

| Especial para ON Run

Atleta amadora encontra no esporte a motivação para vencer a obesidade mórbida. Credito: Divulgação

A história de Fabiana Apostoli Novaes em busca de um estilo de vida mais saudável teve início em 2018. Até os seus 41 anos, ela era sedentária e possuía obesidade mórbida, chegando aos 120 kg. De acordo com ela, as dores que sentia ao tentar se exercitar eram maiores que a força de vontade. Nesse período, Fabiana desenvolveu diabetes, problemas cardíacos e pressão alta como consequência do sobrepeso, mas para ela a doença mais dolorosa foi a fibromialgia, cujas dores eram tão agudas que tornava um abraço nos filhos algo extremamente difícil.  

Primeiros passos para a mudança

Em abril de 2018, com 41 anos, Fabiana decidiu tomar uma atitude após encontrar uma amiga que havia feito a cirurgia bariátrica e estava satisfeita com os resultados. Ao conversar com o Dr. Marcelo Fortuna, seu cardiologista e Dr. David Zuin, seu endocrinologista, também foi recomendada a realização da cirurgia, para que ela pudesse ter qualidade de vida e acompanhar o crescimento de seus filhos, que na época tinham 8 e 10 anos.

A cirurgia foi realizada no dia 31 de julho de 2018, ocorrendo tudo conforme o esperado e com uma boa recuperação. Dois meses depois, Fabiana já estava com vários quilos a menos e inscrita para a prova de 5 km da 35ª Corrida Integração Campinas. "Foi surreal, pois óbvio que eu não estava preparada, ainda assim completei a prova com muita garra. Passei a realizar caminhada, mas sentia muitas dores por falta de fortalecimento", disse ela.

Dificuldades e obstáculos no caminho

Em dezembro de 2018, a aspirante a atleta se inscreveu com seu filho Lucas, com 10 anos na época, na 2ª Corrida de Inclusão Decathlon. Mas ela não imaginava as consequências que a falta de treino e preparo poderiam causar. "Aquela subida da Decathlon acabou conosco, eu não tinha preparo nenhum e achei que só porque tinha emagrecido mais de 20 quilos estava apta a participar de corridas de rua, sem o fortalecimento necessário e nenhum preparo", contou Fabiana.  

Depois disso, ela passou meses se recuperando das dores pelo corpo todo, à base de antiinflamatórios, e chegou a desistir das caminhadas e do sonho de algum dia correr.

Porém, o cardiologista Marcelo Fortuna continuava insistindo para que ela experimentasse uma aula de pilates, já que havia resistência quanto a musculação. Ele nunca desistiu de incentivá-la na prática esportiva.

Recomeço

Em outubro de 2019, Fabiana estava à procura de uma academia com piscina para seus filhos, mas para sua surpresa acabou se deparando com um cartaz anunciando aulas de pilates. Foi então que resolveu dar uma chance, mesmo contrariada.

A professora de educação física e instrutora de pilates, Raquel Costa, foi quem a acolheu e inseriu em uma atividade que mudou completamente a sua vida. Mesmo se exercitando a poucos meses, em janeiro de 2020 Fabiana se sentiu apta a recomeçar suas caminhadas e retomar os planos de correr.  

Aula de pilates Crédito: Arquivo pessoal 
Com a indicação da instrutora de pilates para que procurasse o professor de corrida de rua, Ronaldo Dias, no Clube Cultura, a futura corredora iniciou os treinos. "No começo tive inflamação nos dois joelhos e no posterior de coxa, mas não desisti. Estava firme no meu desejo de aprender a correr", ela relata.


Pandemia

Mas para a frustração de Fabiana, em Março o Clube e a academia de pilates precisaram ser fechados, por conta da pandemia, e ela optou por ir para Minas Gerais, ficar com seus pais. Sua maior preocupação era como iria se exercitar, já que não podia sair de casa, principalmente porque seu pai faz parte do grupo de risco.

Porém, a professora Raquel passou a dar suas aulas de pilates virtualmente. Além disso, a atleta amadora usou o que tinha a seu favor. Com uma bicicleta, dava 225 voltas ao redor da piscina todos os dias, completando 17 km. "Acho que meus pais pensaram que eu estava ficando louca, e até estava mesmo, ter que ficar em casa com todo mundo cozinhando o dia todo e a possibilidade de voltar a ganhar peso depois de ter perdido 50 quilos", confessou.

Em maio, ela voltou para Campinas e começou a frequentar algumas praças, em horários que não havia muitas pessoas, para fazer caminhada. Sempre que tentava correr as dores voltavam, mas a instrutora de pilates a ajudava melhorando o fortalecimento.

Dessa forma, no mês de maio Fabiana percorreu 90 km no total, em junho passou para 150 km, em julho já estava nos 175 km e em agosto evoluiu para 225 km percorridos entre caminhadas e corridas trotando. Com muita determinação, superação e força de vontade, ela perdeu 52 kg. "Após dois anos, ter chegado aos 68 kg foi uma alegria muito grande. Sou grata sempre a Deus que esteve ao meu lado me ajudando, me mostrando os caminhos e colocando as pessoas certas na minha vida. A fé é realmente transformadora, porque nos ajuda a focar nos nossos objetivos", disse ela.

Antes de depois Crédito: Arquivo pessoal 

Retomada e planos futuros

Mas ela não parou por aí. Em agosto, algumas atividades no clube foram retomadas e, mais uma vez, Raquel a chamou para participar do Beach Tennis, onde também dava aulas. Fabiana se apaixonou pela modalidade e o fato de poder colocar os pés na areia enquanto jogava.

Em setembro, as aulas de corrida com o professor Ronaldo Dias retornaram. Certo dia, ao perguntar aos seus alunos o motivo pelo qual eles correm, Fabiana relatou o que respondeu: "Sinceramente, fiquei indecisa com a resposta, pois meus sonhos são grandes. Vi muita gente respondendo que corria pela saúde, amizade, bem-estar, mas minha motivação real, além de todas essas, é me tornar maratonista amadora. Minhas metas é correr na São Silvestre, duas meias maratonas aqui no Brasil e, logo em seguida, batalhar para antes dos 51 anos ser uma das brasileiras que possuem a six medal. Até 2019 eram apenas 44 mulheres brasileiras que conseguiram conquistar essa medalha. Não vai ser fácil, mas vou continuar com meus sonhos e realizações, motivando muita gente pelo caminho".


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