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Estudo mostra que a hospitalização por Covid-19 é 34% menor entre pessoas fisicamente ativas

A pesquisa realizada com 938 pessoas infectadas pelo coronavírus mostra que houve uma redução de 34,3% da hospitalização entre os voluntários suficientementes ativos na prática de atividade física

| Especial para ON Run

Estudo mostra que a hospitalização por Covid-19 é 34% menor entre pessoas fisicamente ativas Crédito: Pixabay / Divulgação
Um estudo realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), mostrou que a prevalência de hospitalização é reduzida em 34,3% entre os 983 voluntários que contraíram coronavírus e praticavam níveis suficientes de atividade física antes da pandemia.  

O objetivo da pesquisa foi comparar o nível de atividade física dos pacientes infectados por COVID-19 com a prevalência de hospitalização. Os pesquisadores também investigaram a associação dos níveis de atividade física com os sintomas da doença, tempo de permanência no hospital e uso de ventilação mecânica.

Para isso, entre junho e agosto de 2020, os pesquisadores aplicaram um questionário online em pacientes brasileiros que já haviam se recuperado totalmente do coronavírus. Além de coletarem dados dos resultados clínicos como sintomas, medicações, necessidade de hospitalização e tempo de permanência, também foram coletados cofatores como idade, sexo, etinicidade, doenças preexistentes, classe socioeconômica, nível educacional e níveis de atividade física, usando como parâmetro para este último o Questionário de Atividade Física Internacional (IPAQ).

"Buscamos avaliar se havia alguma redução na prevalência de hospitalização também entre os que praticavam atividade física por um período menor que o recomendado, mas nesse caso a diferença não foi significativa do ponto de vista estatístico", disse Marcelo Rodrigues dos Santos, pós-doutorando na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e idealizador da pesquisa, à Agência FAPESP.

Os resultados mostraram que de 983 pacientes, apenas 91 (9,7%) foram hospitalizados devido à COVID-19. A análise univariada também revelou que o sexo, idade e IMC (ìndice de massa corporal), também estavam relacionados a hospitalização causada pelo coronavírus.

De acordo com os resultados:

Homens possuem uma prevalência mais alta de hospitalização (66.6%);
Pacientes com mais de 65 anos, obesos e pessoas com doenças preexistentes possuem uma prevalência mais alta de hospitalização;
A realização de 75 minutos a 150 minutos de atividade física por semana está associada com a baixa prevalência de hospitalização após ajuste para idade, sexo, IMC e doenças preexistentes.

O estudo concluiu que níveis suficientes de atividade física estão associados com a baixa prevalência de hospitalização devido ao coronavírus. A realização de pelo menos 150 minutos por semana de intensidade moderada ou 75 minutos por semana de atividade física de alta intensidade reduz essa prevalência em 34,3%.

No entanto, a atividade física não tem proteção adicional entre os pacientes hospitalizados. Não houve diferença na prevalência de intubação, oxigenoterapia, sintomas e tempo de internação hospitalar entre pacientes fisicamente ativos e inativos.

"Por se tratar de um estudo observacional, não investigamos os mecanismos envolvidos na proteção conferida pela prática de atividade física. Mas há evidências robustas sobre os benefícios dos exercícios para a imunidade. Uma única sessão pode mobilizar bilhões de células de defesa, reintroduzindo-as na circulação", afirma Santos em entrevista para a Agência FAPESP.

A atividade física melhora a resposta do sistema imunológico, além disso, o exercício previne e trata várias complicações associadas à COVID-19, como distúrbios cardíacos, neurológicos e metabólicos.

Participaram deste estudo pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

A pesquisa completa foi divulgada na plataforma medRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares.

Você pode ler o artigo completo clicando aqui.