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Histórico de atleta não protege contra a COVID. Entenda o motivo

Autor do estudo citado por Bolsonaro esclarece que a afirmação do presidente está equivocada

| Especial para o ON Run

   

Histórico de atleta não protege contra a COVID. Entenda o motivo. (Foto: Itamar Crispim/Fiocruz)
O principal motivo para que a informação seja equivocada é que o estudo não analisou a incidência da doença, mas sim a prevalência de hospitalização entre quem já havia pego e praticava atividades físicas. De acordo com o pesquisador Marcelo Rodrigues dos Santos, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP, afirmar que quem possui histórico de atleta está protegido contra a COVID, é errado.

Na manhã desta segunda-feira, Bolsonaro publicou nas redes sociais uma reportagem sobre a pesquisa da USP: "Pelo meu histórico de atleta Bom dia a todos", escreveu o presidente na legenda, se referindo a uma declaração feita por ele no começo da pandemia, em março de 2020.

Marcelo Rodrigues conta que muitos profissionais, inclusive de educação física, estão utilizando o estudo para difundir a ideia de que a prática esportiva pode proteger da doença. "Apoiadores do presidente estão fazendo uma confusão entre prevalência e incidência. Nós não avaliamos a incidência, analisamos a prevalência. Uma coisa é risco de pegar a doença e outra é a prevalência. Incidência são os estudos de vacina, por exemplo. A gente pega dois grupos de pessoas, um recebe vacina e o outro placebo. São pessoas que nunca tiveram Covid-19 e vemos quantas vão vir a se infectar. O que avaliamos foi prevalência, ou seja, quem já tinha pego", explicou o pesquisador. 


O estudo em questão contou com a participação de pesquisadores de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Ele foi realizado por um questionário eletrônico respondido por 938 brasileiros, em que foram analisados níveis de atividade física de pessoas que já tiveram a doença. O resultado mostrou que a prevalência de hospitalização pela doença foi 34,3% menor entre os voluntários considerados "suficientemente ativos", ou seja, aqueles que antes da pandemia praticavam semanalmente ao menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de alta intensidade. 

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