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Mulheres proibidas no esporte: evento marca os 80 anos da lei que vetou as mulheres no esporte

O evento Proibidas e Insurgentes: os 80 anos da lei que vetou mulheres no esporte acontecerá nesta terça (06)

| Especial para o ON Run

Mulheres proibidas no esporte: evento marca os 80 anos da lei que vetou as mulheres no esporte.(Foto: Boston Herald / Hagen Hopkins via 261Fearless) Kathrine Switzer
Nesta terça-feira, (06), será realizado das 17h às 19h o evento online "Proibidas e Insurgentes: os 80 anos da lei que vetou mulheres no esporte". A Mesa contará com a presença da jornalista esportiva Regiani Ritter, ex-jogadora Dilma Mendes e a ex-atleta Aída dos Santos, com mediação de Helena Altmann e participação especial de Maíra Liguori da ONG Think Olga.

A mediadora Helena Altmann, é professora livre-docente da Unicamp, na Faculdade de Educação Física e no Programa de Pós-graduação em Educação. Ela se formou em educação física na UFRGS em 1995 e conta que escolheu esse curso pela sua experiência com esportes durante o período escolar, quando praticou atletismo e basquete.

"No atletismo, fiz salto em altura na escola, e basquete, além da escola, também treinei na Sogipa, em Porto Alegre. Desde aquela época, as oportunidades de treino e competitivas eram menores para mulheres em comparação aos homens, tanto na escola quanto no clube. Preconceitos e dificuldades de deslocamento, como os riscos de uma mulher transitar sozinha à noite na rua na volta de treinos, também foram elementos limitadores da prática", relata a professora.
Sua primeira atuação em torno da temática das mulheres no esporte foi como aluna do ensino fundamental, quando junto com amigas e irmãs, organizaram um abaixo assinado na escola reivindicando o direito de praticar e competir em basquete e futebol, modalidades oferecidas apenas aos alunos de sexo masculino. "Atualmente, pratico corrida de rua e, nesses tempos de pandemia, jogo vôlei no quintal com meu filho", conta.

O evento, "Proibidas e insurgentes: os 80 anos da lei que vetou mulheres no esporte", organizado pelo Museu do Futebol, tem curadoria da Professora Silvana Goellner, que foi minha professora de graduação na UFRGS, e da jornalista Lu Castro.
Helena afirma que a prática esportiva por mulheres no Brasil é resultado da conquista de direitos e da desconstrução de uma imagem restrita de mulher associada à fragilidade, ao espaço doméstico, à maternidade e à ineficiência. "Mulheres precisaram mostrar com o próprio corpo que eram capazes de praticar todas as modalidades esportivas que desejassem e que seu corpo não era mais frágil ou incapaz para o universo esportivo", explica a educadora física.

Ainda de acordo com a docente, no Brasil, leis restringiram a prática esportiva por mulheres, impedindo-as de praticar esportes considerados "incompatíveis com sua natureza", como as legislações de 1941 e 1965. O evento organizado pelo Museu do Futebol tem como ponto de partida os 80 anos dessa legislação, e visa refletir sobre seus impactos para o esporte, bem como sobre as conquistas das mulheres ao longo desses 80 anos.

"Destaco que, a despeito dessas interdições, mulheres vêm praticando esportes no Brasil, desconstruindo preconceitos e estereótipos com seu próprio corpo, práticas e discursos. Ainda assim, se a conquista desse direito foi atingida, a superação de desigualdades segue sendo um desafio, não apenas para atletas, mas também para treinadoras, árbitras, dirigentes, ou ainda para mulheres transsexuais", diz Altmann, que faz parte da luta pelo direito das mulheres no esporte. "Penso que o evento proporciona visibilidade a mulheres atletas, mostrando suas conquistas, e, no diálogo com pesquisadoras da área, refletindo sobre o futuro e sobre o que ainda queremos alcançar em termos de igualdade no direito à prática esportiva e à vida pública", completa ela.

O evento será gratuito e transmitido pelo YouTube e Facebook do Museu. Clique aqui