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Hoje é dia de homenagear Luiz Antônio dos Santos

O 'maratonista de aço' completa 57 anos neste dia 6 de abril, foi medalhista no Mundial de Gotemburgo e hoje trabalha com a Luasa, em Taubaté (SP), equipe de formação e competitiva do Brasil

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Hoje é dia de homenagear Luiz Antônio dos Santos. Crédito: Fernanda Paradizo

Bragança Paulista - Luiz Antônio dos Santos, nascido em Volta Redonda (RJ) em 6 de abril de 1964, faz 57 anos e é o personagem da série Aniversário, criada pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para homenagear medalhistas em Olimpíadas e Mundiais adultos. Parabéns Luiz Antônio, 'maratonista de aço', medalhista de bronze na maratona no Mundial de Gotemburgo-1995 e por equipes na Copa do Mundo de Maratona de Atenas-1997.

Quando menino sonhava em ser jogador de futebol sempre correu muito. Já adulto, em 1985, conheceu um atleta da equipe da cidade vizinha a sua, Barra Mansa, e pediu para representar o time numa competição no Rio.
Não tinha dinheiro, mas caminhou 6 km até a rodoviária de Volta Redonda e pegou carona com a equipe de Barra Mansa para correr a Volta do Maracanã, de 10 km. Foi 16º, o melhor resultado do time. Começou a treinar com o grupo, ainda trabalhando na CSN.

Três anos depois, em 1988, passou a se dedicar mais ao atletismo e a treinar com Henrique Viana. Era dedicado aos treinos, persistente nas provas e tinha uma chegada muito forte.
Luiz Antônio dos Santos, um ex-operário da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), teve impulso em sua carreira atlética a partir de 1993, quando correu pela primeira vez os 42,195 km na Maratona de Blumenau, em Santa Catarina, em 2:12:15. O resultado não foi homologado porque a competição não era oficial, mas foi a prova de seu talento para as longas distâncias.

Luiz Antônio era recém-aposentado devido à leucopenia (que provoca diminuição dos glóbulos brancos) uma doença profissional. Até então, tinha bons resultados em distâncias menores como nos 10 km, 15 km e meia maratona (21,195 km) ou nas provas tradicionais em pista, como os 5.000 m e os 10.000 m.
Entrou para a elite do fundo ao conquistar o bicampeonato da Maratona de Chicago, em 1993 e 1994. Ao optar por uma prova rápida em 1995, a Maratona de Boston, nos também nos Estados Unidos, ficou em terceiro lugar com o tempo de 2:11:02 e entrou para o seleto grupo de sul-americanos a correr a distância em menos de 2:12:00.

Convocado a defender o Brasil no Mundial de Gotemburgo-1995, na Suécia, Luiz Antônio ganhou a medalha de bronze (12/8/1995), com 2:12:49 o campeão foi o espanhol Martin Fiz e o vice-campeão o mexicano Dionísio Cerón. Explicou que decidiu não brigar pelo segundo lugar para guardar a vantagem que tinha e garantir a medalha de bronze para o Brasil.

No mesmo ano de 1995, quando chegou à maturidade 32 anos venceu a Maratona de São Paulo e bateu o recorde sul-americano de 2:09:55 pertencente a Osmiro Silva, desde 1991, ao ganhar a Maratona de Fukuoka, no Japão, com 2:09:30.
Apesar dos bons resultados, Luiz Antônio sofria os efeitos da leucopenia, que provocava baixa imunidade e doenças oportunistas. Disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, nos Estados Unidos foi 10º, com 2:15.55, até então a melhor colocação do Brasil na maratona numa Olimpíada.

Disputou mais um Mundial e ficou com a quinta colocação em Atenas-1997, na Grécia, com 2:15:31. Na Copa do Mundo de Maratona, pela primeira vez disputada simultaneamente com o Mundial, seu quinto lugar ajudou o Brasil a conquistar, junto com Vanderlei Cordeiro de Lima e Osmiro de Souza Silva, a medalha de bronze por equipes.

Em 1999, voltou a ganhar visibilidade ao vencer a Meia Maratona do Rio de Janeiro.
O seu recorde pessoal veio na Maratona de Roterdã-1997, na Holanda, com 2:08:55 (2:08:55). Fez marcas boas no Brasil e no exterior sob forte calor e clima ameno, em competições tradicionais. Suas melhores marcas são: 14:25.68 nos 5.000 m (15/5/1999), em São Paulo, 28:37.44 nos 10.000 m (17/5/1996), no Rio de Janeiro, 29:48 nos 10 km (25/5/1997), em Santos, 43:54 nos 15 Km (26/2/1994), em Tampa/EUA, 1:02:28 na meia maratona (24/9/1004), em Oslo/NOR.

Após encerrar a carreira, em 2005, Luiz Antônio estudou para se tornar treinador e criou a Luasa (nome formado pelas iniciais de seu nome), em Taubaté, São Paulo. Além de trabalhar com atletas em todas as categorias, a Luasa mantém um intercâmbio com fundistas africanos, especialmente do Quênia, que veem ao Brasil para treinar e disputar corridas de rua.
"O Luiz Antônio é um grande amigo, para mim uma referência no atletismo e no mundo das corridas de rua. Recomendo a todos, inclusive, a leitura da biografia do Luiz Antônio, O Maratonista de Aço. Uma pessoa fantástica que superou várias dificuldades na vida e se tornou um dos grandes maratonistas do mundo e, hoje, um grande treinador e gestor à frente da equipe Luasa. A ele, todas as minhas homenagens, meu respeito", afirmou o presidente do Conselho de Administração da CBAt Wlamir Motta Campos ao dar os parabéns a Luiz Antônio.