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Confira a trajetória da atleta profissional que se tornou referência em Jundiai!

Zenaide Vieira participou da Olimpíada de Pequim e hoje segue novo caminho na carreira esportiva

| Especial para o ON Run

Confira a trajetória da atleta profissional que precisou deixar as pistas muito cedo. Crédito: Arquivo pessoal
Zenaide Vieira conheceu a corrida na escola onde estudava, por intermédio do professor de Educação Física, Amaro Barbarini, que também era treinador da equipe de atletismo de Jundiaí. Ele levava as crianças da escola para correr no quarteirão e realizar um teste de corrida, onde ele selecionava os melhores para participar dos Jogos Escolares. 

 

Zenaide conta que tinha quase 15 anos nesta época, mas que não passou no teste, pois eram testes curtos e ela não era uma atleta veloz, era resistente. "O professor selecionava os três primeiros e dava o passe escolar para que eles pegassem condução e fossem treinar na pista de atletismo do Bolão, em Jundiaí. Como eu não havia passado, não recebi o passe e não tinha como ir para o treino, pois meus pais não tinham condições de pagar a condução", conta ela. Porém a atleta não desistiu, pediu para o professor para participar dos treinos, que permitiu e deu a ela os passes para que começasse a treinar na equipe. 

Premiação no campeonato sul americano na categoria de base. Crédito: Arquivo pessoal
Ela relata que era a única que levava a sério os treinos, pois foi em um período em que ela só tinha a escola para ir e havia se mudado de bairro recentemente, não conhecia as outras crianças. Então, Vieira viu nisso uma oportunidade para fazer uma atividade extra. Com o tempo os resultados foram aparecendo.  

Zenaide competiu por Jundiaí no ano de 2000 e 2001. Apesar de não ter passado no teste para entrar na equipe, ela surpreendeu e começou a se destacar, ganhando uma prova mais longa nos Jogos Escolares. Também ganhou o circuito regional, estadual e brasileiro de Jogos Escolares. Ainda no ano de 2000 foi vice-campeã da São Silvestrinha.

Em 2001 foi o seu primeiro ano na categoria menores, sendo campeã estadual e vice-campeã brasileira. Foi nessa época que outros treinadores começaram a observá-la e a convidaram para treinar, um deles foi Clodoaldo Lopes do Carmo, com quem a atleta treinou do final de 2001 até encerrar sua carreira de forma profissional, em 2014.  

Nesse tempo ela foi campeã brasileira de todas as categorias em que competiu nas provas de obstáculos, além de também conseguir bons resultados nas provas rasas, foi campeã do Troféu Brasil, campeã Ibero-americana em 2006 em Ponce, Porto Rico, já na categoria adulta. Nas provas Sul-americanas também foi campeã e finalista mundial juvenil em 2004, em Grosseto, na Itália. Ganhou medalha de bronze nos Jogos Panamericanos do Rio em 2007 e foi integrante da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

Porém, com uma carreira promissora, também enfrentou obstáculos. O treinamento de alta performance é bastante difícil e a levou a muitas lesões dentro desses anos, o que a fez precisar parar de competir mais cedo que o esperado.  

Zenaide teve alguns problemas de fratura por stress, precisou fazer duas cirurgias nos tendões calcâneos. " Depois dos jogos Olímpicos de 2008 a expectativa era que eu fizesse um novo ciclo olímpico, mas não aconteceu porque as lesões foram me impedindo", conta ela que relata que na época, por ser uma uma atleta muito jovem, não soube lidar muito bem, principalmente com a parte psicológica. "Eu ficava deprimida, porque as dores me impediam de competir".  

Atletas da ZV assessoria esportiva de jundiai. Crédito: Arquivo pessoal
Desde 2014 Zenaide Vieira tem uma assessoria de corrida que leva seu nome e nasceu desse processo difícil de lesões. Ela não esperava ter que encerrar a carreira, sua expectativa era realizar mais ciclos olímpicos, mas as dores estavam lhe impedindo. Hoje ela já conquistou muitas coisas com seus alunos, levou saúde para muitas pessoas e ajudou muita gente a atingir seus objetivos na corrida.  


"O esporte me trouxe muitas conquistas de amizades, aprendizado e conhecimento que levo até hoje. Ele me tornou uma pessoa muito mais forte e resiliente, mas isso é algo que enxergo hoje, pois na época eu era muito nova e não conseguia entender porque as coisas estavam acontecendo comigo", relata a atleta. Vieira afirma que hoje entende que tudo faz parte do processo e foi isso que a tornou uma pessoa melhor.
 

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