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Ex-atleta de Cross Country conta que passou por duas angioplastias

Atleta durante 32 anos, Robson Alves passou por duas angioplastias, mas conta que a prática esportiva o salvou

| Especial para o ON Run

  
Ex-atleta de Cross Country conta que passou por duas angioplastias. Crédito: Arquivo pessoal
Para Robson Alves a corrida começou de forma muito natural. Ele era estudante de escola rural e toda brincadeira era correndo. Depois se mudou para a área urbana do município de Descalvado, onde se destacou em algumas competições intra escolar e foi selecionado para correr os 1000 metros rasos e os 800 metros rasos aos 12 anos, ficando em segundo lugar em ambas as provas.  "Creio que a aplicação do Atletismo na escola foi fundamental para despertar o interesse na modalidade. Eu vim descobrir realmente que eu tinha esse diferencial quando aos 15 anos eu venci uma corrida da Unimed, em São Carlos, além de algumas outras na região", conta Alves.  

Robson Alves com suas atletas da assessoria esportiva Crédito: Arquivo pessoal
Por ser muito novo, as pessoas que já corriam há mais tempo o incentivaram a continuar no esporte. Foram várias conquistas até ele finalmente ter a oportunidade de entrar na maior equipe de meio fundo e fundo da época. Aos 17 anos, participou da tradicional Corrida da Usina Ester em 1992 e ficou em 4° lugar no sub 20. O atleta foi convidado para fazer o teste para duas competições. No primeiro ele não foi muito bem, mas no segundo ele ficou em 4° lugar no ranking brasileiro sub 20. Foi por dois anos seguidos campeão brasileiro sub 20 de Cross Country, indo para dois mundiais de Cross Country seguidos em 1993, Amorebieta, na Espanha, e em Budapeste, na Hungria, sendo em ambos o melhor atleta brasileiro sub 20.

Ele também foi campeão sub 20 dos 5000 metros em Porto Alegre , vice-campeão brasileiro dos 3000 metros com obstáculos em 1994 e vice sul-americano no mesmo ano. Quando iniciou na categoria adulta, resolveu sair de Campinas e ir pra São Paulo fazer a faculdade de Publicidade e Propaganda onde recebeu uma bolsa de 100%. "Um dos meus erros foi ir sem consultar pessoas mais experientes, pois não consegui me adaptar à megalópole e resolvi voltar para a minha cidade. Perdi meu patrocínio com a equipe e as dificuldades vieram, junto a elas, a função paterna aos 22 anos, onde fui obrigado a deixar os esportes e me apegar ao trabalho por 1 ano", relatou Robson.
A atenção as novas gerações também estão presentes no trabalho do professor Crédito: Arquivo pessoal
Em 1998 voltou a correr com ajuda de outro treinador, conquistando vitórias e boas posições na Corrida Integração de Campinas em 1999, onde foi 8° colocado. Também obteve a 3° colocação na meia maratona de Campinas e foi 35° colocado na São Silvestre daquele ano. Para poder estudar novamente, Alves trocou de trabalho, iniciando o curso de educação física em 2002. Conseguiu se formar trabalhando, estudando e treinando leve, pois seu tempo era bastante corrido.
Sua vontade de levar a corrida para seus amigos foi tão grande que criou a sua equipe Born To Run Treinamento e Saúde, sendo também atualmente professor do Clube Esportivo Recreativo Descalvadense. "Foram muitas dificuldades, porém elas me moldaram nestes erros e acertos para ser um professor melhor e mais focado atualmente.

Em 2017 ele enfrentou problemas cardíacos envolvendo a artéria coronária. "Eu estava correndo com 2 alunos meus, inclusive um é médico, e eu senti um desconforto no lado esquerdo do peito e no braço. Eu não quis falar nada, mas parei de correr e pedi para eles continuarem", relembra o professor de corrida. Mas ele foi levado ao hospital, onde realizou o exame de eletrocardiograma, que detectou o infarto. "Meus 32 anos de atleta não impediram de eu ter o problema, mas todos os médicos disseram que eu suportei os 80% da artéria coronária obstruída pelo fato de ser atleta", contou ele.
Ele foi submetido à angioplastia e inseriu um stent. Depois de 10 meses, ele voltou a sentir um desconforto e, por ser coronariopata, o médico que o acompanhava lhe sugeriu um exame de cintilografia, o qual detectou uma isquemia, precisando colocar outro stent.  

"Em menos de 1 ano fui duas vezes para a UTI e passei por duas angioplastias. Em outubro de 2021 fará 3 anos da segunda intervenção. Atualmente faço acompanhamento e continuo correndo com os alunos, contando parte de minha história e o que a corrida proporcionou para que os dois problemas coronarianos não fossem muito mais graves e sem sequelas", afirmou Robson.   

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