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Amigos unidos pelo sangue e pela corrida

Dia do amigo: Relembre a história de Carlos e Eduardo. Marcados por um transplante, eles pretendem correr juntos a tradicional Corrida de São Silvestre em 2021

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Amigos unidos pelo sangue e pela corrida. Relembre a história de Carlos Alberto Rezende e Eduardo Andrade
  

A notícia que ninguém está preparado para receber. Nem que seja pela voz do melhor amigo. "É um choque quando você recebe o diagnóstico. Para que eu permanecesse vivo, os médicos me submeteram a uma série de medicamentos. Em alguns meses eu cheguei a fazer três transfusões de sangue, além de ter tomado 40 comprimidos por dia".

O relato emocionante é do professor de cursinho Carlos Alberto Rezende que em 2015 foi diagnosticado com aplasia medular severa, uma doença grave que provoca a falência da medula óssea, o tecido responsável pela produção das células do sangue.

A doença é grave e a forma mais eficiente de tratamento é o transplante de medula óssea. Este foi o único caminho para o professor, já que o tratamento com medicação ao qual foi submetido não apresentou o resultado esperado. Mas encontrar um doador compatível não é uma missão fácil. Pelo contrário!

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) as chances de encontrar um doador no seio familiar são de 25%. Percentual que não foi suficiente para o Carolos Alberto, que precisou recorrer a um doador externo. 

"Eu fui inserido no Redome (Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea), em busca de uma possível compatibilidade fora do meu eixo familiar. Hoje, para que isso aconteça, a probabilidade é de 1 em 100 mil", explicou o professor. 

Se existe um por cento de chances, existe esperança! Carlos reside em Campo Grande (MS) e recebeu a notícia que, aí sim, todos querem receber. Existia um doador e estava a 780 quilômetros de Campo Grande, em Curitiba (PR). 

Eduardo Andrade. Um doador aspirante a amigo e a irmão de sangue. "Eu doava sangue regularmente no Hospital das Clínicas de Curitiba e, em uma dessas vezes, eu me cadastrei como doador voluntário de medula óssea. Um dia me ligaram e falaram que existia uma possível compatibilidade e que eu precisaria ir até Jaú, no interior de São Paulo. Eu fui até lá, o Redome me deu todo o suporte, fiz os exames e depois me ligaram de novo dizendo que a compatibilidade era de 100%", lembra Dudu, que atualmente vive em Rio Azul, no interior do Paraná. 

O transplante foi preciso, eficiente, um sucesso. Medalha de ouro em pleno 2016, ano das Olímpiadas do Rio de Janeiro. O legado olímpico do professor sobrevivente? Gratidão! Ao hoje amigo, e irmão de sangue. 

"Eu luto todos os dias para que as pessoas encontrem o seu Dudu, que um Eduardo apareça na vida das pessoas e possibilite essa sobrevida de qualidade", se emociona Carlos. 


Amizade, saúde e esporte 

Depois da medalha de ouro no transplante de medula óssea, Carlos passou a cuidar ainda mais da saúde e incluiu o esporte em seu dia a dia. 

"Durante o meu transplante, um processo que durou, no total, 120 dias, eu vi um programa de televisão que trazia as Olimpíadas dos Transplantados, em Málaga, na Espanha. E, no leito do hospital, eu disse: eu quero isso. Quando eu voltei do meu transplante, no final de fevereiro de 2017, eu comecei a praticar esportes, sempre orientado por médicos", relembra o professor. 

Em dezembro de 2017, Carlos disputou a corrida de São Silvestre. Um momento inesquecível de superação que ele fez questão de repetir em 2018. Em 2019, ele perdeu o prazo de inscrição para a prova, mas não o ano. 

Ainda em 2019, na abertura dos Jogos Brasileiros para Transplantados, em Curitiba, aconteceu o encontro entre o doador e o transplantado. Entre o amigo Carlos e o amigo Dudu. O encontro dos irmãos de sangue. "Hoje eu não consigo mais imaginar a minha vida sem ele, eu amo o Dudu, o nosso tratamento é de irmão. Somos os verdadeiros irmãos de sangue", define o professor.

Correr entre amigos 

Em pleno ano olímpico, desta vez as Olimpíadas de Tóquio, a vida reserva um encontro ainda mais especial aos amigos Carlos e Dudu. Eles se preparam para correr no final de 2021 a 96ª edição da Corrida de São Silvestre. Será a primeira vez que Carlos e Dudu irão correr juntos. 

Eles têm participado juntos de treinos virtuais e estão ansiosos, confiantes e motivados para juntos escreverem mais uma página desta história chamada amizade. "Vai ser a minha estreia em corridas de rua. Eu quero chegar junto com o Carlão, quero fazer bonito. Estou meio assustado, mas ainda assim acho que vou aguentar o desafio", desabafa Dudu. 

Já Carlos, que hoje tem 57 anos, brinca sobre a medula óssea de 28 anos transplantada do amigo. "Agora eu tenho o sangue de um jovem de 28 anos circulando pelo meu corpo. Pode ter certeza de que vamos cruzar a linha de chegada juntos". Torcida não vai faltar! Não é mesmo? 

 

Com informações da Gazeta Esportiva.