Publicidade

onrun

O uso da máscara prejudica o desempenho na corrida de rua?

Um estudo realizado na Universidade de Connecticut, avaliou os efeitos fisiológicos do uso da máscara durante o exercício físico. Confira.

| ON Run -

 
Corredores no Parque Ibirapuera utilizando máscara. (Crédito: Tião Moreira)
 

Desde o começo da pandemia ou sempre que há alguém iniciando na corrida de rua, surge essa mesma dúvida sobre a dificuldade de realizar exercícios físicos com utilizando máscara, em especial, as atividades mais aeróbias como a caminhada e, principalmente, a corrida. Além da sensação de desconforto, fica a dúvida se essa dificuldade para respirar não pode afetar a saúde no futuro. 

Bom, que o uso de máscara é importante para frear o avanço da Covid-19, não há dúvidas e as inúmeras pesquisas nos ajudam a entender. Além disso, elas já eram amplamente usadas por alguns profissionais em laboratórios, hospitais ou funções onde há grande risco de contrair doenças que se propagam pelo ar. Mas, nos últimos tempos, as máscaras saíram desses locais e têm nos acompanhado em nosso dia a dia, inclusive durante a prática esportiva.

Mas vamos te explicar tudo, corredor!  

Para entender melhor sobre a questão da respiração e o uso da máscara, é preciso saber que somos seres aeróbios e necessitamos do oxigênio para sobreviver. 

Com a prática de atividade física, conseguimos gerar algumas adaptações em nosso organismo, especialmente nas enzimas que ajudam a remover a acidez do músculo e células responsáveis pelo transporte de oxigênio - importantíssimo na produção de energia. 

Um estudo conduzido pela universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, avaliou os efeitos fisiológicos do uso da máscara durante o exercício físico. 

Para isso, os pesquisadores selecionaram 12 indivíduos (8 homens e 4 mulheres) com idade média de 24 anos, considerados saudáveis. Eles foram acompanhados durante a realização dos treinos com 4 testes com o uso da máscara e 1 teste sem o uso da máscara, o protocolo previa treinos de corrida e caminhada na velocidade de 35 a 60% do VO2 máximo, em um ambiente com temperatura de 32º e 54% de umidade do ar, condições bem comuns em algumas regiões do Brasil. 

Ao realizarem os treinos, os pesquisadores mediram a temperatura corporal interna, frequência cardíaca, dados de microambientes das máscaras na parte interna e externa, além de dados subjetivos de sensação de esforço, calor, sede, níveis de fadiga e desconforto respiratório. 

A maioria dos parâmetros subiu durante o treino, mas nada fora do normal. Já nas variáveis relacionadas ao esforço físico, sede e fadiga, os voluntários não relataram dificuldades somente com o desconforto respiratório. 

O resultado do estudo foi: O uso da máscara na realização de exercício de baixa a moderada intensidade ( VO2 de 35 a 60%) em ambientes com condições altas de temperatura não produzem alterações fisiológicas para frequência cardíaca ou temperatura corporal, ou seja, o uso da máscara nessa intensidade de esforço não alterou padrões fisiológicos apesar do desconforto respiratório. 

"O uso de máscara facial é viável e se mostrou seguro durante exercícios no calor, em intensidades de exercício de baixa a moderada, para indivíduos fisicamente ativos e saudáveis", apontaram os pesquisadores. 

Mas se você sentiu alguma diferença nos seus treinos, podemos te explicar o que pode ter acontecido: 

É fato que muitos corredores perderam boa parte de sua adaptação por conta do tempo parado. Juntando isso ao uso da máscara, que acaba formando uma barreira que diminui o fluxo de oxigênio, o corredor acaba cansando bem antes do previsto ou do que estava acostumado antes. 

Outro ponto para observar é que este estudo foi feito com treinos de baixa a moderada intensidades, ou seja, em um VO2 Máximo entre 35 e 60%. O que pode ocorrer é que muitos corredores voltam a treinar em ritmo muito intenso e, com o uso da máscara, pode aumentar a sensação de cansaço. Mas lembre, corredor, a segurança deve sempre estar no lugar mais alto do pódio, por isso mantenha o uso da máscara se for treinar em lugares e horários com maior fluxo de pessoas. O ideal é treinar em lugares mais isolados, diminuindo o ritmo de treino e intercalando com pequenas caminhadas se necessário.
Com o avanço da vacinação, certamente teremos mais segurança para treinar e daqui a pouco estaremos todos juntos e misturados em mais uma corrida! 

É importante sempre respeitar seu nível de condicionamento físico atual, pois não faz sentido correr em intensidade altas nesse momento. Use máscara, higienize as mãos, respeite o distanciamento e lembre-se que corrida não é só correr! 

Fonte: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/19417381211028212

Mais notícias


Publicidade