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Corrida de rua para crianças: os principais erros cometidos pelos pais

Quando o assunto é corrida de rua para crianças, os pais se sentem os próprios treinadores. É necessário tomar alguns cuidados para evitar o abandono precoce.

| ON Run -

Entenda quais são os principais erros cometidos pelos pais, quando o assunto é corrida para crianças. (Crédito: Pais em apuros).
 

Já sabemos há muito tempo que o esporte não pode ser destinado única e exclusivamente para a formação de atletas, principalmente quando falamos de crianças e jovens, até porque o número de pessoas que visam virar atletas profissionais é muito pequeno e não chega a 3% da população mundial. Nos últimos jogos olímpicos tivemos em torno de 300 atletas em uma população com mais de 210 milhões. 

Essas situações onde há muita pressão em cima da criança, podem fazer o praticante abandonar a corrida precocemente, não se tornando nem atleta e nem praticante de atividades físicas, algo que é tão importante para sua saúde na fase adulta.

Mas uma das ferramentas mais poderosas para evitar esse abandono precoce de quem já está praticando e, principalmente, de quem vai iniciar, é o exemplo. A corrida caminha a passos largos para ajudar os pais e familiares a darem o melhor exemplo possível, afinal palavras ajudam, mas o exemplo é transformador. 

A corrida é uma prática muito democrática, de fácil acesso, custo baixo, pode ser realizada em vários lugares, durante o ano todo e você terá a oportunidade de melhorar seu ciclo social, fazer novos amigos e, caso queira, pode se tornar um atleta de verdade! 

Isso mesmo, a corrida-atletismo é uma modalidade olímpica e você ainda poderá participar dos principais eventos no Brasil e no mundo, junto com os melhores e, quem sabe até participar de uma olimpíada, pois em Paris 2024 a maratona será aberta ao público.

Neste texto, falaremos da participação das crianças nas corridas de rua, assim você ficará bem informado e poderá fazer a sua parte, não só como exemplo de praticante de corrida, mas também como incentivador e referência para as crianças e jovens!

Especialização precoce na corrida de rua 

Quando falamos sobre o esporte para crianças e jovens, vem logo à mente a especialização esportiva precoce e seus efeitos, que vão muito além do abandono do esporte. Este é um tema extremamente importante para o futuro do esporte brasileiro, principalmente para a modalidade de atletismo, com foco na corrida de rua. A especialização precoce ocorre quando desde muito cedo a criança é submetida a treinamentos para se tornar um atleta, o que pode acabar na verdade prejudicando o desenvolvimento esportivo e levando ao abandono.

Esse fenômeno tem sido observado, e até mesmo encontrado na conclusão de alguns trabalhos científicos e reportagens. Não é difícil encontrar em alguns eventos de corrida de rua a sua versão em diminutivo, adaptado para as crianças e adolescentes. Vale destacar que todo o incentivo a prática de esportes para nossas crianças e jovens é sempre bem vinda e deve ser incentivada.

A situação que nos faz refletir é sobre como será a estrutura das atividades do cotidiano nos mais diversos clubes, centros esportivos e familiar, porque é muito comum ver o incentivo partindo dos pais, que normalmente são ou foram corredores.

Será que tem uma orientação adequada para esta faixa etária?

A resposta é sim! Os resultados devem acontecer com naturalidade, respeitando sempre as individualidades biológicas, cognitivas, afetivas, sociais e culturais de cada praticante.

São muitas as interferências, que podem variar de diversas maneiras, e contribuir para o desenvolvimento positivo ou negativo de nossas crianças. Os pais caminham em uma estrada extremamente difícil, pois se deixarem de lado não vai, se apertarem demais também não vai.

Quando abrimos nosso olhar e entendemos a importância do esporte como manifestação social, cultural, esportiva e principalmente para saúde, é possível enxergar que vale a pena investir no esporte e evitar a especialização esportiva precoce, que na maioria dos casos quando acontece, todas as manifestações citadas acima ficam comprometidas.

Apesar dos pontos negativos da especialização precoce da criança para o desenvolvimento esportivo, cognitivo, afetivo e social, vale destacar que podemos interferir de forma positiva neste processo, auxiliando no desenvolvimento natural da criança e consequentemente nos seus resultados futuros, sejam eles esportivos ou não.

Qual o problema da especialização esportiva precoce?

A especialização esportiva precoce em uma determinada modalidade esportiva, está cada vez mais próximo de nossas escolas, clubes e família, trazendo consequências negativas para o praticante, que busca quase sempre um objetivo, e acaba encontrando outro que não é a sua realidade. Com isso, uma possível especialização precoce de crianças na fase inicial da modalidade esportiva escolhida, em especial na corrida de rua, onde temos crianças participando e muitas delas sob a orientação apaixonada, mas não ideal de pais que agem como treinadores", mas não compreendem, porque na maioria das vezes não é a sua formação. Por não conhecerem como ocorre o desenvolvimento físico de uma criança em seus primeiros anos de início atlético, muitas vezes acabam ultrapassando algumas fases desse desenvolvimento, tendo como consequência a desistência precoce da prática esportiva, que podem refletir na fase adulta.  

Vamos dar exemplo simples e muito comum que acontece, que você já deve ter visto: o senso comum tem a ideia de que meninos são mais fortes que meninas, biologicamente falando. Então, quando uma menina vence uma corrida de rua aos 12 anos, chegando na frente dos meninos, o pai ou treinador que presencia essa cena, logo diz que essa menina é um fenômeno e vai ganhar a São Silvestre quando for adulta, entre outros elogios e expectativas... Mas na verdade o que acontece é um processo natural, onde as meninas amadurecem mais rápido que os meninos, e a capacidade aeróbia se desenvolve antes nas meninas. Esse é o motivo pelo qual as meninas tendem a ganhar dos meninos da mesma idade, e até mais velhos alguns anos, em provas de rua e circuitos da categoria nas provas em que a capacidade física aeróbia é determinante.

Em alguns casos, os meninos acabam desistindo da corrida, porque os colegas ficam tirando sarro dele, até os pais e primos entram na onda. Porém, em pouco tempo as coisas tendem a se inverter e esse menino pode evoluir muito e se tornar o melhor atleta da sua equipe. Mas pode ser que isso não aconteça, caso ele desista das aulas!

No caso da menina, é preciso esperar e conter a empolgação, evitar aumentar as cargas de treino, respeitar o processo de crescimento e desenvolvimento. Nessa fase ela precisa tomar gosto e aprender a treinar. O treino pesado deverá acontecer apenas mais pra frente, quando ela estiver pronta não apenas fisicamente, mas a quando parte cognitiva, afetiva, social e até mesmo familiar, estiver estruturada.

O caminho é longo, mas deve ser realizado tendo sempre em mente que ao errar para menos, podemos corrigir, mas ao errar para mais nas cargas de treino, dificilmente conseguiremos correr atrás dos danos. Precisamos ter cuidado com nossas crianças e adolescentes na prática esportiva. O esporte agradece hoje e sempre

As crianças são especialistas em brincar, até mesmo no esporte!

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma forma de se movimentar naturalmente é brincando, e brincar é uma necessidade de todos os seres humanos, que ajuda a tornar as aulas mais interessantes e assim aumentar o gosto por essa modalidade, que é muito importante para o desenvolvimento das crianças.

Um autor que estuda sobre o tema, chamado Stelter, enfatiza que hoje em dia a oportunidade de praticar esportes e jogos está muito reduzida por causa do trânsito e outros perigos encontrados nas ruas, o que é uma realidade que podemos observar. Por outro lado, o autor Tonicci, afirma que quem pratica o jogo descobre segredos, as leis do mundo e também desenvolve suas habilidades básicas.

Atualmente as crianças estão muito sobrecarregadas, seja nas classes desprivilegiadas economicamente, onde trabalham para ajudar no sustento da família, ou nas famílias de classe média e alta em que têm muitos compromissos, como por exemplo: inglês, computação, escola disso e daquilo... mas muita gente se esquece do lúdico, do brincar.

Um pesquisador, chamado Marcellino, afirma que a criança tem necessidade de brincar, e esse momento deve ser assegurado para que seja vivenciado com intensidade, essa experiência é "capaz de formar a base sólida para a criatividade e a participação cultural e, sobretudo, para o exercício do prazer de viver...".

Dentro das provas que fazem parte da modalidade do atletismo, onde podemos observar uma possibilidade significativa da especialização esportiva precoce, são as provas de meio fundo e fundo, sendo a principal delas a corrida de rua, que são corridas realizadas nas mais diversas cidades do Brasil. O principal e pioneiro evento, realizado há mais de 20 anos no final de ano, é a São Silvestrinha, tendo como referência a principal prova de rua do Brasil, a São Silvestre realizada no último dia do ano pelas ruas de São Paulo. 

Será que as provas de rua, destinadas às crianças, são justificadas como uma miniatura das provas dos adultos? Caso isso aconteça apenas no nome das provas de rua é até legal, como incentivo, respeitando sempre as categorias e as distâncias, mas o que não pode acontecer, e infelizmente pode estar acontecendo é justamente o contrário, achar que nossas crianças devem ser estimuladas como miniaturas de adultos realizando sequências e cargas de treinos parecida com as de gente grande.

Qual a idade mínima para os jovens iniciarem na corrida de rua? 

Se você fez os exames médicos e não tem nenhuma patologia, então está apto a praticar a corrida de rua. De maneira geral, a corrida pode e deve ser praticada. A única orientação, além das questões de saúde, está nas distâncias a serem percorridas pelos jovens. O objetivo é prevenir uma especialização e abandono precoce.

No caso da maratona, a recomendação é que apenas atletas com mais de 20 anos possam participar. A recomendação dos especialistas é que o atleta melhore bem as suas marcas nas distâncias inferiores, migrando para a maratona após os 25 anos. Não é uma regra, mas é o que mais acontece se pensarmos em uma maior longevidade do maratonista.
A idade para iniciar nas corridas de rua ou nas pistas é aos 11 e 12 anos, percorrendo uma distância de 600 metros. Dos 13 aos 14 anos a distância é de 1.000 metros, dos 15 aos 17 anos a distância recomendada é de 3.000 metros e 18 a 19 anos é de 10.000 metros, sendo que nessa categoria é recomendado que as meninas percorram a distância de 5.000 metros. 

É expressamente proibida a realização de competições oficiais de atletismo para corredores com 10 anos de idade ou menos. Para esta faixa etária recomenda-se a realização de festivais de atletismo, sem caráter competitivo e somente de participação.

Caso uma atleta apaixonada por corrida 

Moradora da cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, e leitora assídua do Portal ON RUN, a corredora mirim Flávia Dias, de apenas 11 anos, coleciona medalhas e troféus de corrida de rua, revelando-se como um verdadeiro prodígio.
Tudo começou quando ela tinha 7 anos e foi assistir a uma corrida de rua em que seu padrinho participava. Ao ver toda aquela movimentação de atletas, a pequena se apaixonou pela modalidade e pediu para o pai, Flávio Dias, falar com o padrinho, para que ela pudesse participar de uma corrida. 

O padrinho, Sérgio Godoy, a inscreveu em sua primeira corrida, em Boa Vista do Incra (RS). Flávia e seu pai corriam todo fim de tarde, com muita determinação e foco na preparação para a corrida marcada para o dia 07 de junho de 2016. Foi nesse dia em que ela, junto com a conquista de ter completado sua primeira prova, conquistou também o primeiro lugar. Ainda no ano de 2016, a jovem atleta participou de diversas corridas, dentre elas o Circuito Regional de Corrida de Rua, onde foi campeã mirim. 

Os treinos e participações nas corridas junto com pai continuaram em 2017, ano em que também foi vice-campeã mirim do Circuito Regional de Corrida de Rua. A atleta iniciante sempre persistiu em seus objetivos, continuou treinando, preparando-se e participando de corridas em outras cidades. Em 2018, foi novamente primeiro lugar na categoria mirim do Circuito Regional de Corrida de Rua e, em 2019, ficou em terceiro lugar na modalidade. 

Apesar da pandemia, 2020 foi um ano de muitas conquistas para a corredora, que continuou em busca de seus objetivos, mantendo a rotina de treinos. Participou da Corrida Virtual UCRSM 2020, ficando em primeiro lugar na categoria infantil. Ao todo, a atleta mirim já conquistou 95 medalhas e 15 troféus, mostrando que ainda vai muito longe. 

Além disso, a pequena corredora é leitora do Portal ON RUN, escrita pelo professor de educação física e atleta de corrida, Ronaldo Dias. "Conheci o ON RUN e me chamou muita atenção, porque o Ronaldo sempre posta muito sobre corrida e dá dicas. Isso é muito bom e interessante para nós corredores, pois estamos sempre aprendendo." 

Quando questionada sobre sua relação com corrida, ela respondeu: "Eu amo correr, meu sonho é ser uma grande corredora brasileira. Correr é bom, faz bem para a saúde e me sinto muito feliz, porque a rua é meu lugar". Ela também deixou uma mensagem de incentivo para quem deseja seguir os mesmos passos: "Seja você mesmo a sua própria inspiração." Disse também ser muito grata a Deus, seu pai e sua mãe, Mariza Martins, por sempre estarem presentes, apoiar, incentivar e nunca a deixar desistir.

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