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Eleonora Mendonça: muito mais do que a primeira atleta a representar o Brasil em uma maratona

Eleonora Mendonça foi a primeira atleta a representar o Brasil em uma maratona, e foi muito além disso, sempre lutou pela inclusão das mulheres no atletismo.

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Eleonora Mendonça foi a primeira atleta a representar o Brasil em uma maratona, e foi muito além disso, sempre lutou pela inclusão das mulheres no atletismo. (Foto: Acervo pessoal).
  

Eleonora Mendonça é uma maratonista e empresária do ramo de eventos esportivos. Ela foi a primeira mulher a representar o Brasil em uma maratona olímpica, nos Jogos de 1984. Em entrevista para o ONRUN, ela conta um pouco sobre sua trajetória e desafios ao longo da carreira.

A atleta sempre foi uma pessoa que gostava de esporte, durante a juventude já jogou bola, fez natação, voleibol e tênis no Fluminense - seu time do coração - e só mais tarde com 20 e poucos anos começou a praticar de fato o atletismo.

"Foi um processo muito natural que começou desde criança e até hoje nunca deixei de fazer atividades físicas. A corrida não requer equipamentos, apenas um bom tênis. É um movimento natural do ser humano", explicou ela, que sempre gostou de competir com si mesma, para buscar sempre melhorar.

Eleonora sempre foi uma ativista que luta pela inclusão de mulheres no esporte, principalmente no atletismo. Ela conta que quando começou a competir, a distância mais longa para mulheres eram 800m, o que para ela era um absurdo. "Havia um obstáculo muito cultural e eu fui uma das pessoas, inclusive fui presidente de um grupo do Comitê Internacional de Corredores (CIC), lutando para que oferecessem paridade nas distâncias para mulheres nos jogos olímpicos", relembrou.

Quando o Comitê Olímpico Internacional aprovou a maratona feminina para os Jogos Olímpicos de 1984, a maratonista já competia fora do país em corridas de longa distância e até já havia estabelecido alguns recordes, experiência que muito lhe ajudou na maratona olímpica.

De acordo com a atleta, foi um processo para se classificar, pois seu foco não era ser a primeira representante, mas ser a melhor do Brasil na maratona. E de fato, foi a primeira a estabelecer o índice necessário e sendo convocada para ir aos jogos olímpicos.

"Houve um trabalho físico e mental para participar da maratona, como atleta e também o trabalho por trás, como presidente do CIC para a aprovação de eventos de longa distância serem incluídos nas olimpíadas", explica ela, que completa que se sentiu muito gratificada em participar e por ter conseguido incluir as mulheres na competição.

Desafios ao longo da carreira

Para ela, o maior desafio em sua carreira foi na parte institucional, na luta para conseguir eventos de longa distância para mulheres, trabalhando no Comitê Internacional de Corredores, lutando para convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI).

O início de sua carreira como atleta foi também seu começo como empresária, organizando as primeiras corridas de rua no Brasil. Sua empresa, Printer, foi a primeira a organizar uma corrida de rua aberta a todos, no ano de 1978 em Copacabana, com 400 participantes.

Também organizou a primeira maratona do Brasil, em 1979. Já no ano de 1980, ela organizou a primeira corrida feminina da América Latina, a Corrida Avon, no Rio de Janeiro.

Depois, organizou a primeira maior corrida de participação feminina do mundo, em São Paulo.

O Instituto Eleonora Mendonça

Como atleta, Eleonora começou sua carreira em uma época em que as estrelas brasileiras estavam despontando. Ela acompanhou um pouco da carreira de Silvina Pereira, Aída dos Santos, Irenice Rodrigues e outras.

Após conhecer mais sobre a história dessas atletas, ficou chocada com estas narrativas que sempre levavam ao desprezo por conta do gênero e etnia.

Ela buscou formas de guardar o acervo de sua carreira como empresária, atleta e ativista e, pensando em resgatar a história do esporte, preservar e divulgar, através de eventos e exposições, surgiu o Instituto Eleonora Mendonça, em 2017.

Os projetos começaram com foco na divulgação do atletismo feminino, mas ela deseja seguir para outras áreas. Ano passado foi convidada para realizar uma exposição sobre sua carreira durante as Olimpíadas de Tóquio.

"Foi um sucesso, apesar de ainda estarmos em pandemia. No último dia de exposição, o Instituto lançou o projeto As Primeiras Damas do Atletismo Brasileiro, com objetivo de resgatar as narrativas das primeiras atletas do atletismo dos anos 40, 50, 60, em sua maioria negras. A ideia é mostrar seus esforços e suas conquistas", conta Eleonora.

A exposição é um projeto em andamento e será a primeira vez em que o público poderá conhecer a história dessas atletas, no Espaço Cultural Correios - Niterói.

Conceição Geremias, corredora campineira, é uma das atletas que fazem parte da exposição e tem sua história resgatada e contada.

E para quem está começando agora na corrida de rua, Eleonora deixa um recado: "Continue e busque a motivação para sair, colocar um tênis e correr na rua".


Para mais informações sobre o Instituto Eleonora Mendonça, eventos e exposições, acesse: institutoeleonoramendonca.org.br


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