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PiracicabaCotidianoAcusados pela morte da ex-vereadora Madalena Leite vão à júri popular

Acusados pela morte da ex-vereadora Madalena Leite vão à júri popular

Primeira vereadora travesti de Piracicaba, Madalena Leite foi eleita em 2012 com mais de 3 mil votos

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Os três homens acusados pelo assassinato da ex-vereadora Madalena Leite, morta em 7 de abril de 2021, em Piracicaba (SP), estão sendo julgados por júri popular nesta quarta-feira (19). O julgamento teve início às 9h50, no Fórum da cidade, e segue em andamento até o momento da publicação desta matéria, que será atualizada quando a decisão for proferida.

Testemunhas e andamento do julgamento

Pela manhã, foram ouvidas três testemunhas de defesa: um policial que participou das investigações e dois familiares da vítima. O júri é formado por sete pessoas, quatro mulheres e três homens. Segundo apuração da EPTV, familiares de Madalena se emocionaram quando o advogado dos réus exibiu uma fotografia do local do crime.

O julgamento deve se estender por várias horas, já que estão previstas até 2h30 de sustentação oral para a acusação e outras 2h30 para as defesas, além da possibilidade de 1h adicional de réplica e tréplica para cada parte. Após essa etapa, os jurados se reúnem em sala secreta para votar os quesitos e depois retornam ao plenário para a leitura da sentença e a dosimetria da pena.

A expectativa, segundo um dos advogados, é que a decisão seja anunciada entre o fim da noite e o início da madrugada, possivelmente entre 0h e 2h. No Fórum, o clima permanece relativamente tranquilo, embora existam alguns embates entre o Ministério Público e as defesas.

Desavença e vingança: o que apontam as investigações

De acordo com a denúncia do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), o homicídio teria sido motivado por vingança. Madalena, líder de um centro comunitário no bairro Boa Esperança, teria expulsado do local um de seus colaboradores próximos, considerado seu “braço direito”.

O desentendimento teria levado o homem a planejar o assassinato com o objetivo de retomar o controle do centro comunitário. Para isso, ele contou com a ajuda dos outros dois acusados.

No dia do crime, os três suspeitos foram até a casa da ex-vereadora. O ex-colaborador a chamou no portão e ela abriu, por conhecê-lo. Nesse momento, um dos comparsas a segurou pelo pescoço. Madalena ainda conseguiu se desvencilhar, mas outro réu a golpeou repetidamente na cabeça com uma arma branca. Ela morreu no local, aos 64 anos.

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Qualificadoras e agravantes

O promotor responsável pelo caso, Aluisio Antonio Maciel Neto, apontou três qualificadoras que podem elevar a pena dos acusados:

  • Motivo torpe: vingança pela expulsão da comunidade e cobiça pela liderança do centro comunitário;
  • Recurso que dificultou a defesa da vítima: Madalena foi atraída a abrir o portão e foi surpreendida pelos demais envolvidos, sem possibilidade de reação;
  • O crime ter sido cometido contra uma pessoa maior de 60 anos.

Ligação com outro assassinato

A Deic (Divisão Especializada em Investigações Criminais) esclareceu o caso nove dias após o homicídio. Segundo a Polícia Civil, dois dos acusados estariam envolvidos em outro assassinato ocorrido no mesmo bairro.

Em 9 de abril de 2021, Marcos Henrique Baldasin, conhecido como Marquinhos, foi espancado e esfaqueado. Ele morreu no dia seguinte.

O trio foi preso em 10 de abril, com porções de cocaína, dinheiro em espécie e objetos pessoais de Madalena, entre eles um paletó, uma gravata, um molho de chaves e um lenço, reconhecidos pela família.

Na época, havia uma denúncia informal de que Marquinhos teria sido morto por comentar no bairro que dois dos presos eram responsáveis pela morte da ex-vereadora. Não houve atualização desta linha de investigação.

Quem foi Madalena Leite

Primeira vereadora travesti de Piracicaba, Madalena Leite foi eleita em 2012 com mais de 3 mil votos, ficando entre os destaques do PSDB na época. Negra, com quase 1,80 m de altura, tornou-se figura marcante pela atuação comunitária e pela irreverência.

Madalena trabalhou como cozinheira e faxineira desde a adolescência e teve longa trajetória no bairro Boa Esperança, onde liderou o centro comunitário por décadas. Ela se assumiu publicamente aos 15 anos, quando passou a ser chamada pelo nome que a acompanharia por toda a vida. Quando questionada sobre sua identidade, ela afirmava preferir ser reconhecida pelo trabalho social. Para a posse como vereadora, escolheu usar terno e gravata.

Últimos anos e legado

Em 2016, enfrentando problemas de saúde, Madalena deixou a Câmara após ser diagnosticada com câncer de próstata. Ela também relatava sofrer ataques racistas e homofóbicos nas redes sociais. Nas eleições seguintes, desistiu de tentar a reeleição.
Sua trajetória inspirou a produção de um documentário, que deve ser retomado em 2026. As atualizações podem ser acompanhadas nas redes sociais do projeto @madalenaodocumentario.

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isabelagalvao
isabelagalvao
Estudante de jornalismo de 22 anos, graduanda na Puc Campinas, com experiência de estágio de um ano e meio em emissora local.

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