Uma expedição científica será realizada entre hoje (2) e quarta (4) para traçar um diagnóstico ambiental da bacia do Rio Piracicaba, em resposta à tragédia que causou a morte de 235 mil peixes no rio, em julho deste ano. O desastre, que atingiu um trecho de 70 quilômetros do corpo d’água, incluindo a APA (Área de Proteção Ambiental) do Tanquã, foi provocado por poluição proveniente de uma usina em Rio das Pedras, que resultou em uma multa de R$ 18 milhões (relembre o caso no fim da matéria).
Liderada pela Associação Remo Piracicaba, com apoio de empresas como a BluestOne Brasil e pesquisadores especializados, a expedição terá como objetivo avaliar a qualidade da água e mapear as espécies de peixes ainda presentes na região. O percurso começará no encontro dos Rios Atibaia e Jaguari, em Americana, e terminará no Rio Tietê, após o Tanquã. Em 25 pontos ao longo do rio, serão coletadas amostras de água, utilizando embarcações a remo e barcos a motor.
O que será feito?
Durante a expedição, amostras de água serão coletadas tanto nas margens quanto no centro do rio. O objetivo é analisar a qualidade da água e mapear as espécies de peixes ainda presentes, contribuindo para futuras ações de repovoamento e preservação da biodiversidade local.
Essas amostras serão processadas e inseridas em um banco de dados georreferenciado, usando SIG (Sistema de Informação Geográfica) para validação e análise dos dados. Esse método auxiliará no diagnóstico ambiental e no planejamento de medidas de conservação a longo prazo.
O que é o DNA ambiental?
A expedição utilizará uma técnica inovadora chamada DNA metabarcoding, ou DNA ambiental, para detectar a presença de espécies de peixes no Rio Piracicaba. Essa abordagem tem se mostrado mais eficiente e sensível em comparação aos métodos tradicionais, além de ser mais acessível financeiramente.
Com o DNA ambiental, os pesquisadores serão capazes de identificar espécies com alta precisão, usando fragmentos do gene mitocondrial, que contém várias cópias e é eficaz na identificação de organismos, mesmo em pequenas quantidades. Esse método será crucial para a avaliação da comunidade de peixes e ajudará a informar políticas de repovoamento e conservação.
Relembre a tragédia ambiental no Rio Piracicaba
Em julho deste ano, uma tragédia ambiental no Rio Piracicaba resultou na morte de 235 mil peixes ao longo de um trecho de 70 quilômetros, incluindo a APA (Área de Proteção Ambiental) do Tanquã, um importante santuário de fauna. A poluição foi identificada como originada pela Usina São José, em Rio das Pedras, que recebeu uma multa de R$ 18 milhões pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). A tragédia afetou gravemente a biodiversidade local e a recuperação da população de peixes pode levar até nove anos, segundo especialistas.
O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, enquanto a empresa envolvida nega a responsabilidade. Uma força-tarefa foi montada para a remoção dos peixes mortos e para mitigar os danos ambientais na região.
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