O júri do PM (Policial militar) Leandro Henrique Pereira, acusado de matar duas pessoas e ferir outras três ao disparar uma arma durante um show sertanejo em Piracicaba, em novembro de 2022, foi cancelado nesta quinta-feira (19) após um desentendimento no plenário do Fórum.
Segundo o TJ (Tribunal de Justiça), a defesa do réu descumpriu a decisão judicial que proíbe a gravação do julgamento por outras pessoas. O julgamento já teve três adiamentos, sendo que o último aconteceu em junho, também depois de um ‘bate-boca’ entre promotoria e defesa do acusado.
Em nota enviada à EPTV, o TJ afirmou que:
“O júri não se realizou em razão de insistência da defesa do réu em desrespeitar decisão judicial que, com base na LGPD, não permitiu a gravação do julgamento por outras pessoas. Após regularização dos autos, serão tomadas as devidas providências com relação à conduta do advogado. Ainda não há nova data para o julgamento”.
O que diz a promotoria
O promotor de Justiça, Aluísio Antonio Maciel Neto, lamentou o incidente, negou ter feito qualquer ofensa à defesa e declarou que não irá comentar o caso. Ele também manifestou sua solidariedade aos familiares das vítimas.
“Está tudo registrado em ata e na gravação oficial do Poder Judiciário, documentos que servirão para as providências necessárias nas esferas cabíveis”, disse.
Neto ainda afirmou, que não iniciou nenhuma discussão. “O juiz tomou uma decisão e eles passaram a confrontá-lo. Em seguida, o advogado passa a me ofender […]”, relatou.
Defesa do PM
Também em nota, enviada à EPTV, a defesa do policial militar Leandro Henrique Pereira afirmou que foi prejudicada.
“A defesa […] se manifesta no sentido de que novamente foi prejudicada pelo juízo e pela acusação. No início da sessão o juiz presidente determinou que ninguém poderia gravar o julgamento, e que tomaria as medidas policiais contra quem o fizesse. A defesa se manifestou afirmando que gravaria o áudio conforme a lei permite, que juntaria a íntegra da gravação após o julgamento. O juiz afirmou que não iniciaria a sessão e que cancelaria a mesma.”
“O promotor se dirigiu ao advogado Mauro Ribas e o chamou de ex-presidiário, iniciando uma discussão acalorada, que houve necessidade de intervenção da Polícia Militar. A defesa repudia o ocorrido, que só atrapalha e desrespeita a busca por justiça das famílias da vítima e do próprio réu”, declarou.
Relembre o crime do PM acusado de matar 2 pessoas em show
O caso aconteceu em um evento no Parque Unileste em novembro de 2022, e os tiros disparados mataram Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos. Além disso, ficaram feridas pelos tiros outras três pessoas de 20, 21 e 27 anos.
De acordo com a denúncia do MP, os disparos foram realizados após Leonardo, uma das vítimas, intervir em uma briga entre o PM de 25 anos, um amigo seu e uma terceira pessoa.
A Justiça determinou que o PM deve ser julgado por dois homicídios com quatro qualificadoras e por três tentativas de homicídio.
Tese da defesa
O advogado do réu, Mauro da Costa Ribas Junior, afirmou que um laudo elaborado por peritos contratados pela defesa, e anexado ao processo, indica que Pereira não foi responsável por todos os disparos.
“A defesa vai comprovar em plenário, mediante prova pericial e testemunhas, que o Leandro disparou apenas contra a vítima Leonardo, que estava tentando tomar a arma dele, que estava agredindo no momento que foram efetuados os disparos”, argumentou.
Ele também afirma que havia outro atirador no local, que foi “acobertado” pela Polícia Civil. “E a gente vai provar isso em plenário”, completou.
*Com informações da EPTV Campinas
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