A ATU (Autoridade de Transporte Urbano para Lima e Callao) informou que o ônibus em que o médico brasileiro Cauê Dezotti morreu, após bater a cabeça em uma ponte durante um passeio turístico, operava de forma irregular. Embora a empresa Solbus Transporte Turístico E.I.R.L. possua habilitação para o serviço, o veículo específico utilizado no trajeto não tinha autorização da agência.
Segundo nota publicada pela ATU no sábado (29), a empresa será autuada pela infração TU1, que prevê multa de 21.400 soles peruanos, equivalentes a quatro Unidades Impositivas Tributárias. O órgão acrescentou que, ao final da investigação policial, o ônibus será recolhido a um depósito, e, por ter mais de 15 anos de uso, poderá ser destinado ao sucateamento.
Motorista não tinha habilitação apropriada
A ATU também informou que o motorista responsável pelo veículo não possuía licença para conduzir ônibus de turismo de dois andares, cujo segundo nível é aberto. O órgão lamentou o acidente e manifestou condolências aos familiares e amigos do médico brasileiro, que estava em Lima para acompanhar a final da Copa Libertadores.
Passeio reunia comboio com quatro ônibus
Cauê participava de um passeio realizado na véspera da decisão, na sexta-feira (28), ao lado de outros torcedores do Palmeiras. O trajeto, conhecido como “Circuito de Playas”, era feito em quatro ônibus de dois andares. O segundo nível dos veículos não possuía teto, deixando os passageiros expostos a obstáculos do trajeto.
Segundo a polícia peruana, torcedores estariam saltando no andar superior no momento em que o grupo se aproximou da ponte Bajada de los Baños, no distrito de Barranco, onde o médico bateu a cabeça.
Relatos de risco durante o trajeto

Um torcedor que estava em outro ônibus do comboio relatou que, desde o início do passeio, passageiros percebiam cabos de telefonia baixos ao longo do percurso. Alguns chegaram a ser atingidos, sofrendo ferimentos leves.
O relato aponta que, apesar das advertências de funcionários para que ninguém permanecesse em pé, parte dos torcedores ignorou as recomendações. O motorista também teria feito alertas sobre obstáculos na via. O passageiro afirmou que, quando o comboio passou pela ponte onde Cauê sofreu o impacto fatal, houve grande tensão e que muitos poderiam ter sido atingidos.
Investigação e providências
A polícia peruana investiga formalmente as circunstâncias do acidente. De acordo com o chefe da Região Policial de Lima, Enrique Felipe Monrroy, os torcedores “estavam saltando no segundo nível e não viram a aproximação da ponte”.
Além da multa já anunciada, outras penalidades podem ser aplicadas após a conclusão das apurações. A ATU afirmou que continuará colaborando com as autoridades competentes.
Traslado do corpo ao Brasil
O corpo do médico permanece no Instituto de Medicina Legal de Lima. O transporte ao Brasil está previsto para ocorrer na quarta (3) ou quinta-feira (4), segundo o empresário Roberto Martins, amigo da família. Uma funerária de Limeira foi contratada e aguarda confirmação de disponibilidade da companhia aérea para realizar o traslado. A Embaixada do Brasil no Peru acompanha o caso e presta assistência consular.
Quem era Cauê Dezotti
Cauê Brunelli Dezotti, de 38 anos, era médico urologista, especializado em cirurgia robótica, e atendia em consultórios em Limeira e Campinas. Também atuava como professor na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Araras. Solteiro e sem filhos, era descrito por colegas e alunos como um profissional exemplar e dedicado à formação acadêmica.
A instituição emitiu nota lamentando sua morte, destacando sua humanidade, excelência e compromisso. Nas redes sociais, o Palmeiras também manifestou pesar e solidariedade à família.
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