A Prefeitura de Piracicaba cadastrou ontem (23) 21 famílias de pescadores do Bairro Tanquã para que eles recebam cestas básicas em caráter emergencial. Os trabalhadores foram prejudicados pelo despejo irregular de resíduos de cana-de-açúcar, que causou a mortandade de toneladas de peixes no Rio Piracicaba – fonte de sustento dos pescadores (leia mais abaixo).
A ação, coordenada pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), vai garantir que os trabalhadores recebam o benefício. As famílias foram cadastradas pelas equipes do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Novo Horizonte e do Cadastro Único.
Segundo a Smads, após o cadastramento, o município vai consultar a secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo para saber se há outro tipo de benefício que possa ser acrescentado.
Famílias
O presidente da Colônia de Pescadores Z30, do Tanquã, Antonio Marcos da Silva, conhecido pela comunidade local como Marquinhos Batista, disse que o apoio vem em boa hora. “Eles vivem da pesca e muitas vezes vivem apenas dos peixes que pescam aqui. A cesta básica emergencial será um alívio para eles que estão sem direção, sem saber se podem ou não pescar por aqui ou quando vão ter a pesca liberada pelos órgãos ambientais”, afirmou.
A pescadora profissional Neuci dos Santos, de 52 anos, tira o sustento da família das águas do Tanquã há uma década. “Foi um choque, mas também me deu muita raiva de ver os peixes morrendo. Fiquei chocada e me bateu o desespero. Como vou sustentar minha família? Recentemente precisei reformar o motor do meu barco e compramos redes novas, mas estou preocupada, não compramos à vista, foi parcelado e não tenho mais como arcar com esse compromisso sem poder pescar aqui. É muita tristeza”, lamentou.
Neuci estava com o marido, o ajudante geral Carlos Miguel Pereira da Silva, de 58, e com os netos no cadastramento. Silva ainda a ajuda aos finais de semana e se disse feliz com o benefício. “Estou feliz por mim e pelos demais pescadores do nosso bairro que também terão essa ajuda. Pelo menos não vai faltar comida na mesa”.
Crime ambiental
De acordo com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a mortandade de peixes foi causada pelo despejo irregular de resíduos de cana-de-açúcar no dia 7 de julho pela Usina São José S/A Açúcar e Álcool, instalada em Rio das Pedras. A empresa foi multada em R$ 18 milhões, mas pode recorrer. No dia 15, o material orgânico chegou ao Bairro Tanquã, causando a mortandade de mais peixes.
A Prefeitura de Piracicaba começou a limpeza do rio no dia 16, e, até a segunda-feira (22), 98 toneladas de material haviam sido retiradas das águas. A operação foi nomeada de Pindi-Pirá e conta com o apoio da Cetesb e da Polícia Militar Ambiental.
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