A cada Natal, a casa do artesão Nelson Curcio, de 88 anos, em Limeira, se transforma em um cenário mágico, onde um presépio artesanal ganha vida. Mais do que uma simples atração, ele é um legado de fé, criatividade e amor, transmitido por cinco gerações.
Com 100 peças mecanizadas e ocupando 12 metros quadrados, a maquete recria o nascimento de Jesus, com cachoeiras de água corrente, montanhas e vales esculpidos com precisão. Esse presépio se tornou um ícone da cidade, encantando milhares de visitantes e perpetuando uma tradição que nasceu na Itália em 1884.
A história do presépio: de geração em geração em Limeira
A tradição começou há 140 anos, quando o avô de Nelson, Vicente Curcio, começou a modelar bonequinhos de barro na Itália. Uma observação de um vizinho, que desejava ver os bonecos se movendo, inspirou Vicente e seu irmão a criar o primeiro boneco mecânico, que com um simples barbante, fazia o braço do boneco se mexer. A ideia foi um sucesso, e logo o presépio passou a ser montado na família. “Quando o vizinho voltou do trabalho e viu aquilo, ficou impressionado com a criatividade. Era época de Natal, e, cheio de orgulho, meu avô perguntou ao pai dele: “Pai, todo mundo gostou do meu bonequinho. O que você acha de colocá-lo no presépio? E foi aí que tudo começou”, lembrou.
Em 1906, a família Curcio imigrou para o Brasil e, ao se estabelecer no Interior de São Paulo, manteve a tradição viva, com novos bonecos sendo criados a cada ano. A montagem do presépio se espalhou por várias cidades, incluindo Campinas e Rio Claro, onde diferentes membros da família continuaram a arte, com cada geração transmitindo o conhecimento adquirido.
Nelson se emociona ao lembrar do impacto que essa tradição teve em sua vida. Ele cresceu vendo o pai e o avô montarem o presépio, e assumir essa responsabilidade foi, para ele, um grande desafio e uma alegria. “É o maior orgulho de minha família”, conclui Nelson.
Um presépio de fé e tecnologia
Hoje, o presépio da família Curcio é um ícone de Limeira e um exemplo de como a tecnologia e a arte podem se unir para manter viva a tradição religiosa. Nelson Curcio modernizou o presépio ao longo dos anos, introduzindo mecanismos como manivelas, rodas de água e, atualmente, motores elétricos para dar movimento às figuras. Porém, ele destaca que o mais importante é que a essência do presépio nunca se perdeu: celebrar o nascimento de Jesus.
O presépio foi exposto em várias cidades de São Paulo e Minas Gerais, com mais de 53 mil pessoas visitando Limeira durante a década de 1950 para admirar a obra. Mesmo com a modernização, o cuidado na montagem e desmontagem do presépio continua sendo um processo criterioso, com a preservação de algumas partes da estrutura para o próximo ano.
Como visitar o presépio de Natal?
Você pode visitar o presépio artesanal da Família Curcio em Limeira até o dia 6 de janeiro, todos os dias, das 9h às 11h e das 14h às 18h, na Rua Bahia, 463, Vila Cristovam. A entrada é gratuita e todos são bem-vindos para admirar o encanto dessa tradição secular.
O neto de Nelson, Henry Curcio já segue os passos do avô, ajudando na montagem do presépio desde criança. Ele vê no presépio não apenas uma tradição natalina, mas um legado familiar que precisa ser mantido para as futuras gerações. “Eu fui criado pelo meu avô e ele sempre foi muito proativo comigo para ensinar alguma coisa do presépio, tanto para manter o legado da família”, afirma Henry.
Para ele, uma das coisas mais especiais sobre o presépio é a visita das pessoas. “Manter uma tradição e ver que, mesmo na era digital, na era da tecnologia, as pessoas ainda tiram um tempo para aproveitar um pouco do momento de Natal, como visitar o presépio, é muito bacana”, destaca. Ele acredita que essa tradição é essencial para as famílias e para ensinar as gerações mais novas, que muitas vezes estão imersas no mundo digital. “É importante parar um pouco, dar mais atenção para coisas que realmente importam nessa data. E isso é algo que meu avô valoriza muito, e eu também”, completa.
O avô, emocionado, orgulha-se de ver o neto dando continuidade à tradição. “Ver o Henry aprendendo e dando continuidade é uma alegria enorme. O presépio é mais do que uma arte; é a nossa história”, diz com carinho.
Uma mensagem para o Natal
E para esse Natal, o que não vai faltar é o amor pela tradição. “Todas as pecinhas têm sua história, todas tem o significado. Eu vejo muito religiosidade nele. Sou muito apegada nele religiosamente, porque ele mostra que o principal mesmo é comemorar o nascimento de Jesus. O presépio é uma grande cidade celebrando a vinda dele”.
“Meu maior pagamento é ver a alegria das pessoas. Não é só uma máquina cheia de luzes e movimentos, é um instante de paz. Cada peça conta uma história, e o presépio nos lembra do mais importante: o aniversário de Jesus. É isso que celebramos aqui”, finaliza Nelson.
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