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Vídeo mostra ex-assessor de Flávio Bolsonaro dançando no hospital

| FOLHAPRESS

RIO DE JANEIRO, RIO (FOLHAPRESS) - Um vídeo feito com celular mostra o policial militar da reserva Fabrício Queiroz dançando em um quarto de hospital. Queiroz é ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) e amigo de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro. O vídeo mostra Queiroz com uma bolsa de soro ligada a seu braço e dançando ao lado da mulher, Márcia Aguiar, aos risos. Uma das filhas aponta o celular para cena e avisa que "é vídeo" e não uma foto. Ela diz ainda "pega teu amigo", referindo-se ao suporte para a bolsa de soro, ao que Queiroz dá um giro e exibe o polegar erguido com uma das mãos. Ao fundo, um show de música é exibido na televisão.Não se sabe onde a imagem foi publicada originalmente, já que Queiroz e seus parentes mais próximos deletaram suas contas nas redes sociais. Queiroz, citado em um relatório do Coaf  (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) por ter movimentado R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, já foi chamado a depor duas vezes no Rio, mas não compareceu em razão de estar no meio de um tratamento contra um câncer no intestino.Ele deu entrada no dia 30 de dezembro no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e passou por cirurgia no dia 1º de janeiro. Sua mulher e suas duas filhas também já faltaram a oitivas marcadas pelo Ministério Público do Rio, alegando estarem acompanhando seu tratamento. O levantamento do Coaf  mostrou que o policial teve movimentações bancárias atípicas quando trabalhou como motorista do gabinete de Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2017, quando o filho do presidente ocupava cargo de deputado estadual no Rio. A movimentação foi identificada durante as investigações da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio. Investigadores encontraram uma série de movimentações suspeitas de assessores de deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Procurado, o advogado de Queiroz, Paulo Klein, confirmou que é seu cliente quem aparece no vídeo. Segundo o advogado, ele foi filmado pouco antes da meia noite do dia 31 de dezembro, durante visita da família ao quarto em que estava internado. O advogado afirmou que se tratava de "raro momento de descontração" antes da cirurgia que envolvia risco de morte do paciente. "É importante registrar que o referido vídeo foi feito no dia 31.12.2018 à meia noite, no contexto humanamente compreensível de uma data comemorada universalmente", afirmou o advogado por meio de mensagem de celular à Folha.Ainda não há previsão para que Queiroz seja ouvido no Ministério Público do Rio para explicar as movimentações em sua conta. O senador eleito Flávio Bolsonaro não compareceu ao Ministério Público na semana passada para prestar esclarecimentos. RELEMBRE O CASOSegundo o Coaf, em 2016, Queiroz fez 176 saques em espécie. O policial chegou a a fazer cinco saques no mesmo dia, somando mais de R$ 18 mil. No total, as retiradas chegaram a mais de R$ 300 mil. Oito funcionários ou ex-funcionários do gabinete de Flávio fizeram repasses de recursos para Queiroz. Além do policial, sua mulher e suas duas filhas são citadas no relatório do Coaf. Uma das filhas, Nathalia, trabalhou como assessora de Flávio e, posteriormente, no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. A Folha de S.Paulo revelou que ela atuava como personal trainer de celebridades no Rio no mesmo período em que estava lotada do gabinete do hoje presidente da República. Em entrevista ao SBT, Queiroz afirmou que as movimentações em sua conta são decorrente da compra e venda de carros. Ele negou ser laranja da família Bolsonaro e alegou estar sofrendo uma perseguição da imprensa. A família Bolsonaro tem evitado dar explicações sobre o assunto, alegando que caberia ao ex-assessor esclarecer possíveis mal feitos. O fato de estar citado no relatório do Coaf como tendo feito movimentações atípicas não é, por si só, prova de crimes. O Ministério Público do Rio investiga agora os detalhes do relatório para tentar identificar atos ilícitos nas movimentações. Uma das teses principais é que Queiroz receberia parte dos salários pagos a outros assessores, em uma prática que é conhecida no legislativo do Rio. A procuradoria, contudo, ainda não apresentou provas disso.   

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