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CTA começa hoje a colocar ponto final em sua história de 56 anos

Abertura dos envelopes, com ofertas para a terceirização das linhas de transporte coletivo, está marcada para as 9h30

| ACidadeON Araraquara

deivide leme/Tribuna ARARAQUARA - 08.nov.2013
terceirização Veículos da CTA devem estar nas ruas até o ano que vem, quando a nova empresa irá operar

A história de 56 anos da CTA (Companhia Tróleibus Araraquara), fundada em 1959 e considerada referência em transporte público por décadas, começa a ter um ponto final hoje, com a abertura dos envelopes de terceirização de suas 29 linhas.

A concorrência está marcada para as 9h30 e pode durar o dia todo. A estimativa é que a nova empresa opere as linhas até o meio do ano que vem. 

A concessão do transporte público para a iniciativa privada, que era uma possibilidade negada por muito tempo pela Prefeitura e pela companhia, acabou se tornando realidade.

Ontem, a Tribuna conversou com Silvio Prada, presidente da CTA, e Coca Ferraz, vice-prefeito, coordenador de Mobilidade Urbana e ex-presidente da CTA entre 1993 e 1996. Para os dois, foi feita a mesma pergunta: o que deu errado?

Em quase meia hora de conversa, em tom de despedida, Prada lembrou das fases vividas pela empresa na última década e de seu drama financeiro. “Cheguei em janeiro de 2013. Na época, foi publicado um balanço que mostrava prejuízo de R$ 2,5 milhões em 2012. Nos anos anteriores, a CTA também não era uma empresa equilibrada economicamente”, diz.

O presidente também cita uma ação da gestão de Edinho Silva (PT), em 2006, quando a Prefeitura passou a ser a maior acionista da companhia (cerca de 86%). “A mudança não ajudou em nada”, diz Prada.

‘Falácia’ - Então secretário de Finanças de Edinho, Donizete Simioni (PT) justifica que a CTA era muito confusa juridicamente, pois, nos anos 1960, o preço das ações era distribuído em carnês de IPTU. Ou seja, eram inúmeros ‘donos’ (alguns já mortos). "Chamamos uma assembleia e a Prefeitura pagou com o terreno a compra das ações. Com o patrimônio que a CTA tinha, é claro que isso ajudou”, diz.

Simioni ainda diz que é uma “falácia” culpar a estatização da companhia pela atual situação em que ela se encontra.

Três pontos - Para Coca Ferraz, três questões contribuíram para a queda da CTA: a mudança feita por Edinho, a perda de eficiência e o desenvolvimento econômico, que colocou mais carros nas ruas e tirou passageiros dos ônibus. “A CTA começou a ter problemas quando foi estatizada. A empresa particular tem mais agilidade para comprar as coisas e para administrar o pessoal”, diz.

Futuro - Coca admite que fica com “dor no coração”, mas a privatização é a única saída. Para Prada, a história é “muito bonita”, mas “o mundo é dinâmico” e “não se pode ficar parado e olhando para trás”.
Não se sabe até quando a CTA, que irá virar uma agência reguladora, irá ocupar a atual sede, na Fonte Luminosa. O que se sabe é que, independentemente de quem seja a “culpa”, o fim de uma era, enfim, chegou.

Melhor oferta pode ser conhecida hoje - Segundo o presidente da CTA, Silvio Prada, o cronograma da licitação prevê que, às 9h30, seja aberta a entrega dos envelopes das empresas interessadas nas 29 linhas.

O processo pode levar o dia todo ou se estender até amanhã. “Pode terminar no final da tarde, na sexta-feira... Depende da dificuldade da análise. Todos têm direito de questionar”, afirma Prada.

Cada empresa terá dois envelopes: um com a documentação e outro com a proposta comercial pelas linhas. Se algum documento estiver faltando ou irregular, a candidata será excluída (isso é passível de recurso e discussão na hora).

Todas as empresas habilitadas, então, irão mostrar suas ofertas. Uma comissão de cinco pessoas, da CTA e da Prefeitura, irá analisar caso a caso para se chegar à melhor proposta.

Segundo Prada, o critério de escolha será a combinação entre a menor tarifa proposta e a maior oferta de pagamento pela outorga de permissão. O edital estipula outorga mínima de R$ 5 milhões (valor que irá ficar para a CTA) e preço máximo de R$ 3 por passagem.

Depois de se conhecer a melhor proposta, as outras empresas terão cinco dias úteis para tentar impugnar a concorrência. Após esse prazo, a vencedora é declarada.

O objetivo da CTA é que a nova operadora do transporte público comece a trabalhar até a metade de 2016.

De acordo com o edital, as empresas interessadas devem ter R$ 80 milhões para investir no negócio, entre frota, garagem e outras despesas.

No final de setembro, duas empresas araraquarenses de transporte de passageiros, Viação Paraty e Empresa Cruz, formaram um consórcio para participar da concorrência.

Gustavo Herszkowicz, diretor da Paraty, disse que as companhias, se vencerem, irão dividir o investimento (R$ 40 milhões cada uma). “A gente decidiu participar em conjunto e está entrando para ganhar. Temos interesse em investir na cidade”, avalia.

Comentários

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8 comentários
  • andre
    17/10/2015 01:20:54
    A prova da incompetencia dos politicos e de seus escolhidos para "cargos" é essa, No meu ver se tiver dando prejuizo quem tem que cobrir é o municipio. Ter uma empresa que sempre da lucros é facil. esse Sistema politico esta falido!
  • eduardo
    16/10/2015 13:47:35
    privatização já... melhora a qualidade do atendimento e acaba com esse cabide de emprego, pq muitos não podem ser demitidos e trabalham do jeito que querem.
  • M@rcola
    16/10/2015 00:00:38
    É assim que o Rei Midas ( ou Mierdas, para alguns>>) faz . Desfazendo se do patrimônio público, formado ao longo de gerações, serão convertidos em dinheiro para cobrir os rombos de caixa de seu abestado governo.
  • ADILSON
    15/10/2015 14:03:33
    SE NÃO FOSSE RENTÁVEL , QUEM ESTÁ NO MESMO RAMO E CONHECE ,SERIA TOLO DE TER INTERESSE? O PROBLEMA MAIOR FOI FALTA DE INVESTIMENTO, CADA UM QUE PASSOU E TEM DIREITOS NA EMPRESA, RETIRA O DINHEIRO E NÃO INVESTE, É OBVIO QUE UM DIA TUDO VAI SE DETERIORANDO.
  • adail
    15/10/2015 12:13:06
    sera que a sua falencia, o que é uma vergonha para a cidade, nao foi por se tornar cabide de emprego , ligado a partidos politicos, ou seja , começou a ter mais cacique do que indios, mais gente mandando do que tranbalhando
  • Helio maia
    15/10/2015 11:52:27
    Bom dia a todos, é fácil culpar uns ou outros pela falência da cta, difícil é admitir q o câncer q matou a empresa chama-se politica, pois ao longo d muitos anos com muitos cargos políticos e salários desnecessário, com uma péssima ADM, q nao valorizava funcionários, com inúmeras causas d indenização trabalhista q poderia ter sido evitada, culpar o passado é fácil, políticagem isso foi o fim da cta...
  • Jeff
    15/10/2015 11:23:30
    Para mim só uma coisa tirou a CTA do poder público. Corrupção. Se uma consultoria analisar cuidadosamente, vão achar inúmeras falcatruas.
  • Glãimir Marques Basso
    15/10/2015 10:05:36
    Toda empresa, pública ou privada, está sujeita às suas adminitrações. Não é o momento para apontarmos quem errou. Mesmo uma empresa privada está sujeita à falir, muito embora, quero crer, essa não fosse a idéia inicial de seu proprietário. O momento é de decidir, e tomar medidas, para melhorar o transporte público da cidade.

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