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PF pede indiciamento de Isaac por crime eleitoral e associação criminosa

Segundo investigação da Polícia Federal, vereador de Ribeirão Preto teria se beneficiado por esquema mostrado pela Operação Têmis

| ACidadeON/Ribeirao



Polícia Federal acredita que Isaac Antunes se beneficiou eleitoralmente de ações do movimento Muda Ribeirão (Foto: reprodução/Facebook)
A PF (Polícia Federal) pediu o indiciamento do vereador Isaac Antunes (PR) por crime eleitoral e associação criminosa. De acordo com o inquérito da PF, Isaac teria se beneficiado de um esquema de captação de votos investigados no âmbito da Operação Têmis, deflagrada em janeiro de 2018.  

De acordo com o relatório que a reportagem da EPTV teve acesso, Isaac Antunes teria se beneficiado eleitoralmente do movimento Muda Ribeirão, criado por ele no período pré-eleitoral. A Polícia Federal também aponta que o parlamentar cometeu crime de associação criminosa. O inquérito deve ser encaminhado para o Ministério Público.  

Segundo a conclusão da PF, o projeto tinha a iniciativa de ajudar pessoas com o nome em cadastro de agências de proteção ao crédito com o intuito de angariar votos na disputa eleitoral de 2016.  

"[...] Isaac comparecia aos eventos fazendo perceber aos eleitores presentes que era ele quem estava fornecendo o serviço gratuito de limpeza de nome, de modo a se cacifar eleitoralmente, estratégia esta que foi exitosa, pois o mesmo foi eleito vereador", afirma o documento.  

A PF chegou a conclusão que, após a captação dos eleitores nos eventos organizados por Isaac Antunes, o então candidato teria se associado a Ruy Rodrigues Neto, outro réu na Têmis, que recolhia a procuração judicial dos eleitores e cópias de documentos pessoais e encaminhava a papelada para o escritório de advocacia alvo da operação.
 
"[...] que entravam com ações judiciais e conseguiam retirar os nomes dos eleitores de Isaac de órgão de proteção ao crédito, proporcionando vantagem econômica aos eleitores e proporcionando ganho eleitoral para Isaac. O dolo dos advogados acima mencionados era além de econômico (clientes para o escritório), ajudar Isaac a ser eleito", completa a investigação.   

O relatório da PF ainda salienta que o crime eleitoral, não necessariamente, precisa da configuração da necessidade de pedido direto de voto, bastando o oferecimento de vantagem, o que teria sido demonstrado na investigação.  

Além de Isaac Antunes, a PF pediu o indiciamento de Ruy Rodrigues Neto, Klaus Philipp Lodoli, Renato de Oliveira Borges, Ângelo Luiz Feijó Bazo, Renato Rosin Vidal e Gustavo Caropreso.  

O caso ainda não foi apresentado para a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, segundo apurou o ACidade ON.   

Outro lado   

Em contato com a reportagem, o vereador Isaac Antunes informou que não se manifestará sobre a questão, pois ele não foi notificado sobre o indiciamento.   

Renato de Oliveira Borges, ex-assessor parlamentar de Isaac Antunes na Câmara, foi procurado pela reportagem, que não obteve retorno. Renato também é alvo de um inquérito do Ministério Público, que apura se ele teria sido funcionário fantasma no gabinete do vereador.      

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A advogada Tatiana de Oliveira Stoco, que defende Renato Rosin Vidal, informou que não teve acesso ao inquérito e, por isso, não se manifestará sobre o caso. 

A reportagem também entrou em contato com o advogado Cesar Augusto Moreira, que nesta ação defende Ruy Rodrigues Neto, Klaus Philipp Lodoli e Ângelo Luiz Feijó Bazo. No entanto, as ligações não foram atendidas.  

Ruy Rodrigues Neto e Ângelo Luiz Feijó Bazo já acordaram com o Ministério Público, anteriormente, um acordo de delação premiada.   

Roberto Tardelli, que defende Gustavo Caropreso, diz que o cliente não cometeu irregularidade e criticou a ação movida pelo Ministério Público. "Na verdade, o que se criminalizou, neste processo de extrema infelicidade, foi o exercício da advocacia de uma meninada, que começou com muita força, muita disposição e encontrou um bloco monolítico de incompreensão, que eu não consigo compreender. Eu posso garantir, que não há nenhuma figura de crime naquilo que eles fizeram", disse Roberto Tardelli.

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