MP apreende documentos no apartamento de Plastino

Promotor informa que, após morte de empresário, foram apreendidos registros de fatos 'relevantes'

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    • Daniela Penha
Plastino era proprietário da empresa Atmosphera, que seria usada para empregar tercerizados indicados por vereadores em troca de apoio político (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Em meio à trágica morte de Marcelo Plastino, que cometeu suicídio na noite da última sexta-feira (25), o Ministério Público (MP) de Ribeirão Preto apreendeu documentos que podem colaborar com as investigações da Operação Sevandija.

Plastino era considerado pelo MP peça-chave no esquema de corrupção que fraudou contratos de licitações que somam mais de R$ 200 milhões.

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O promotor Marcus Tulio Nicolino, que esteve no apartamento do empresário na noite da tragédia, informa que foram apreendidos pen drives, computadores e documentos manuscritos e digitalizados que têm relação com a Sevandija e com fatos ocorridos após a deflagração da operação. “São documentos relacionados com nomes envolvidos na operação e que têm a ver, inclusive, com fatos relevantes acontecidos depois que Plastino deixou a prisão”, Nicolino conta.

Ele destaca que já encaminhou toda a documentação ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), responsável pelas investigações. O promotor do Gaeco, Leonardo Romanelli, preferiu não fornecer informações por enquanto, em “respeito ao luto da família”, mas já adiantou: “Nós próximos dias, vamos falar sobre isso”.

Propina

Plastino era proprietário da empresa Atmosphera, que seria usada para empregar tercerizados indicados por vereadores em troca de apoio político.

Na casa dele, a Polícia Federal apreendeu cédulas de R$ 2 que trazem, em anotações à mão, indícios da contabilidade da propina paga a 11 vereadores e 3 ex-secretários. Em vídeos, ele aparece entregando envelopes a vereadores.

Delação era possibilidade

A delação premiada era uma possibilidade avaliada por Marcelo Plastino e sua defesa.

O advogado do empresário, Alamiro Velludo Netto, informou neste sábado (26) que “todas as portas estavam abertas”, que conversava com seu cliente sobre “as possibilidades de defesa” e que “todo o necessário e possível seria feito”.

O advogado destacou que o processo ainda estava no início. “Ele [Plastino] não havia nem recebido a citação ainda.”

Alamiro informou que não sabe o teor das documentações apreendidas na casa do empresário, mas que, na segunda-feira (28), vai tomar conhecimento do que se trata.

Respeito à dor

O promotor Leonardo Romanelli não negou nem confirmou que Plastino tenha feito a delação premiada antes de sua morte. “Não posso fornecer informações mais precisas sobre isso. O momento é de respeitar a dor da família.”

A delação do empresário poderia esclarecer questões-chave das investigações, já que ele teria participação central no esquema de corrupção.

Morte trágica

Plastino foi encontrado morto com um tiro na cabeça na banheira do apartamento onde morava, na zona Sul de Ribeirão.

O delegado Haroldo Chaud declarou à EPTV que o suicídio é, por ora, a única hipótese levantada pela polícia.

A namorada do empresário, Alexandra Ferreira Martins, informou à polícia que Plastino já havia ameaçado tirar a própria vida outras vezes. Ela estava no apartamento e, após Plastino se trancar no quarto, ligou para um psiquiatra que estava acompanhando o empresário e acionou as autoridades.

De acordo com o delegado, Alexandra não ouviu barulho de tiro.


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