ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

bairros

Sandra e a arte de juntar cacos e recriar a história

Jornalista trabalha com a mãe na restauração de objetos quebrados e ganha clientes até em outros países

| ACidadeON/Ribeirao

Observação: Sandra Bianchi aprendeu a restaurar objetos quando tinha 9 anos, observando o trabalho da mãe, que trabalhava com artesanato (foto: Matheus Urenha / A Cidade) 

 
"A arte era meu hobby e, hoje, é minha atividade e meu prazer", afirma Sandra Bianchi. Em seu ateliê, na região Central de Ribeirão Preto, ela restaura porcelanas, obras de arte e até o que não é arte.  

"Olho os cacos de uma peça e sei exatamente onde se encaixam", garante ela, que atribui um pouco do dom de restaurar com perfeição aos quebra-cabeças montados na infância e adolescência. "Minha família me desafiava e eu montava, desmanchava, montava de novo. No final, eu fiquei muito rápida nisso", diz.  

Mas, foi por acompanhar a mãe Rosa Valente Bianchi, que trabalhava com artesanato, que Sandra tomou gosto pela arte de restaurar. "Desde meus 9 anos acompanho minha mãe em seus cursos. Olhava de longe, mas já sabia lixar peças e fazer telas e porcelanas", conta.  

Enquanto a mãe tinha o artesanato como atividade, Sandra seguia a vida de outra forma.
Formou-se em jornalismo e também atuou como bancária. Porém, sua paixão era trabalhar com peças de porcelana, cerâmica e gesso.  

Até que, em algum momento, um cliente pediu para Rosa restaurar uma peça de cerâmica. Ela fez o trabalho e não gostou do resultado. Por isso, procurou por um curso de restauração em São Paulo.  

"Era o elemento que faltava para dar qualidade em sua restauração. Com isso, as peças enviados pelos clientes para restauro começaram a chegar e eu passei a ajudá-la", lembra.  

Impecável  

Mãe e filha se especializaram em áreas diferentes e, hoje, os trabalhos se completam. Daí a perfeição nos restauros que os clientes tanto elogiam. "Minha mãe trabalha muito bem com o aerógrafo. Já eu colo peças muito bem, junto cacos com facilidade e sou boa na finalização das peças, nos detalhes", comenta.  

E, há mais de 40 anos, o trabalho de Sandra é reconhecido. Tanto é que possui clientes de Ribeirão Preto, São Paulo, Rio Grande do Sul e até mesmo de Portugal.  

Mas, para ter uma peça restaurada por ela é preciso paciência. "Meu trabalho é conhecido de boca a boca e não quero ampliar o tamanho do meu negócio, porque daí perco o controle da minha qualidade", frisa. "Por isso, não dou um prazo de entrega curto. O prazo mínimo é de dois meses, mas depende do serviço", finaliza.  

Sandra diz que quanto mais conhecimento, mais torna-se possível encontrar saídas para peças que, aparentemente, não tinham solução (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 
O mais fascinante na restauração  

Segundo Sandra Bianchi, quanto mais se agrega conhecimento de restauração torna-se possível encontrar saídas para peças que, aparentemente, não tinham solução. "E, muitas vezes, a solução vem não daquela restauração tradicional, mas de algum outro canto. E, assim, consigo viabilizar que a peça não se perca, pois pode ser importante para alguém", afirma.  

Para ela, o mais fascinante na restauração é pegar uma peça que está destruída e conseguir vê-la íntegra de novo. "Acho isso muito lindo. Quando consigo um resultado bom fico muito feliz, pois vejo que a restauração não foi em vão e ainda conseguirei atender à expectativa do cliente e restaurar algo que tem valor para alguém", comenta.  

Em seu dia a dia, Sandra recebe peças variadas, desde obras valiosas como itens de valor sentimental, que as pessoas fazem questão de restauração. "Não faço distinções. Restauro para antiquários, mas a maioria das pessoas que me procuram trazem peças que de alguma forma têm um cunho afetivo", conclui. 

Valor afetivo: Além de obras de arte, o trabalho de restauração feito por Sandra também envolve objetos do dia a dia, como a boneca de porcelana (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Vestígio do restauro  

Quem conhece o trabalho de Sandra Bianchi garante a perfeição com que restaura as peças que recebe. Mas, ela tem uma filosofia de deixar um vestígio que mostra que houve restauração, para mostrar que o original foi quebrado. "Deixo um vestígio, mas não é algo proposital.  

O vestígio acaba ficando mesmo", afirma. "Mas, já teve vezes de eu restaurar uma peça, um antiquário comprar e não perceber que tinha sido restaurada", completa Sandra.

Comentários

Cadastrados

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentário (obrigatório)
0 comentários

Veja também