No palco da vida, a arte da superação

Projeto SuperAção leva cultura e esportes para levar inclusão a pessoas com algum tipo de deficiência

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Gabriela Virdes
Weber Sian / A Cidade
Gleice Priscila dos Santos, 23 anos, é deficiente visual e aluna de teatro e balé do projeto SuperAção (Foto: Weber Sian/ A Cidade)

 

“Sinto-me mais confiante para novos desafios. Percebo mudanças no meu corpo e, consequentemente, na autoestima”, afirma a dona de casa Gleice Priscila dos Santos, 23 anos, que é deficiente visual e aluna de teatro e balé do projeto SuperAção, orgulho da zona Sul de Ribeirão Preto.

O programa – que disponibiliza sete modalidades como futebol de cinco, teatro, balé, natação, basquete em cadeira de rodas, parabadminton e futebol de sete – tem como objetivo incluir pessoas com algum tipo de deficiência no esporte e auxiliar em sua reabilitação,concentração, mobilidade e dificuldades sociais.

“Pessoas de todas as idades podem participar do programa e não há limitação de deficiências”, explica Felipe Gelfuso, assistente social do projeto. “Porém, algumas atividades são específicas, como o futebol de cinco, voltado para os deficientes visuais”, completa.

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Desafios

E os alunos, como Gleice, fazem jus ao nome da iniciativa. Por meio da arte e da dança quebram barreiras e preconceitos, realizam sonhos e mostram que nada é impossível. “Para mim está sendo um grande desafio, nunca me imaginei fazendo teatro ou balé”, diz.

Tanto que, em oito meses de aulas, Gleice garante ter reduzido a timidez e desenvolvido sua expressão, postura, equilíbrio e delicadeza.

“O desafio de fazer teatro sendo deficiente visual é se movimentar em cena sem utilizar a bengala, da qual somos muito dependentes, além de pensar no gesto que precisa ser feito e ainda lembrar a fala”, afirma a dona de casa, que utiliza o braile para decorar os textos. “Já o balé auxilia na questão postural, que a maioria dos deficientes visuais totais tem muito problema”, completa.

Weber Sian / A Cidade
Além dos alunos, o projeto SuperAção também transformou a vida de professores (Foto: Weber Sian/ A Cidade)

 

Professores também se transformam

Além de fazer diferença na vida dos alunos, o projeto SuperAção transformou seus professores. Tanto que Fábio Ventura, que dá aulas de teatro no programa, se colocou no lugar deles para entender as dificuldades. “Fiz a vivência de perder a referência visual e a experiência foi ótima”, garante.

Assim, Ventura entendeu que era preciso anular todo o estímulo visual e ser muito mais interno e sonoro. “Os exercícios partem de outro tipo de percepção. Através destes estímulos é que os alunos conseguem descobrir as possibilidades do próprio corpo”, explica.

Para ele, o maior ganho conquistado é com relação à expressão corporal. “Muitos deles não tinham consciência do próprio corpo, principalmente os cegos – como são condicionados ao toque perdem um pouco dessa sensibilidade da expressividade, da expressão facial”, diz o professor, que conta com a ajuda da monitora Sheyanne Parreira.

A professora de balé Mariana Leonidas conta que ensina por meio do toque. “Ao invés de executar pela cópia, os alunos vão pelo toque, que também é muito rico em detalhes. Quando eles estão com dúvida, me tocam para entender o movimento”, explica ela, que já percebe evolução da musculatura e coordenação dos alunos – eles já conseguem fazer movimentos sem a ajuda da barra, por exemplo.


 


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