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Minha primeira heroína

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[caption id="attachment_2067" align="aligncenter" width="3000"]Photo by Sunset Boulevard/Corbis via Getty Images Carrie Fisher como a princesa Leia no set de 'Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança'[/caption]'Não lembro quantos anos tinha quando assisti ao primeiro "Star Wars" da minha vida, mas sim o impacto que me causou. Você aí, viciado em qualquer coisa, conhece a sensação: aqueeela da primeira vez que experimentou o prazer que passaria a perseguir pelo resto da vida.Eu era muito jovem, mas já uma cinéfila presunçosa o suficiente para achar que nenhum roteiro de cinema comercial me surpreenderia mais - vivia a adivinhar os movimentos seguintes das tramas e todos os finais, de tão familiarizada que estava com as fórmulas narrativas do cinemão.Mas sabe como é viciado... continua "usando a droga" na esperança de reencontrar-se com aquela sensação da primeira vez.A reencontrei várias vezes assistindo à primeira trilogia. Eu sei, vocês, millennials, que já foram torpedeados por todo tipo de simulacro, filmes-homenagens, referências (ou imitações mesmo) que vieram depois, devem achar tudo muito "manjado" hoje em dia, mas acreditem: praquela época, foi uma revolução!Fui surpreendida em muitos aspectos, mas nada me deu mais prazer do que a personagem da princesa Leia.

Leia não precisava ser feminista, pois já sentia-se, agia e era vista como igual pelo sexo oposto


Naquela década de 1980, eu estava acostumada a assistir mocinhas chorosas e frágeis no cinema e o máximo de "girl power" a que tinha acesso na dramaturgia era a Mulher Maravilha da TV fortona, heroína, mas derretida por seu sargento Rogers e com um uniforme de maiô decotado e botas de cano alto (alguém aí já viu algum super-herói masculino mostrando a bunda?).A princesa Leia era REVOLUCIONÁRIA total! Como assim uma heroína guerreira vestida até o pescoço, que nunca chorava ou pulava no primeiro colo masculino ante uma ameaça?Leia não precisava ser feminista, pois já sentia-se, agia e era vista como igual pelo sexo oposto.E o que foi aquela despedida dela de seu apaixonado Han Solo, prestes a ser congelado em carbonita e talvez morrer no processo!?! ... Nenhuma gota de lágrima, nenhum lamento... E aquele "Eu Te Amo" ... originalíssimo... sem a trilha sonora melosa de fundo ou o manjado beijo cenográfico!E quando ela tenta salvá-lo e vira prisioneira?! ... até de coleira no pescoço, acorrentada aos pés de um monstro nojento e babão, mandava pose de "fodona"!SEN-SA-CIO-NAL!Não foi a única inovação da franquia, claro (ainda escreverei sobre muitas outras), mas Leia foi a primeira heroína da telona que eu quis ser e - mais importante -, que me surpreendeu totalmente! E isso, meu amigo, pra cinéfilo... é ouro!

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