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'O Conto da Aia' assusta pelo potencial de realidade

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[caption id="attachment_2117" align="aligncenter" width="595"]Photo by: George Kraychyk/Hulu As aias de 'The Handmaid's Tale', que é exibida no Brasil pelo canal pago Paramount[/caption]Não me lembro de uma obra de ficção ter me amedrontado tão seriamente quanto "The Handmaids Tale" ("O Conto da Aia"), série exibida originalmente pelo serviço norte-americano de streaming Hulu, cuja primeira temporada começou a ser exibida por aqui em março deste ano, pelo canal pago Paramount Brasil.Inspirada no livro homônimo da escritora canadense Margareth Atwood, a obra se passa em um futuro próximo distópico, em que os Estados Unidos é governado por uma teocracia cristã militarizada e autoritária, sob o nome de Gilead.Assustador o regime descrito na obra, com suas castas sociais nas quais as mulheres são subjugadas e, por lei, não têm permissão para trabalhar, possuir propriedades, controlar dinheiro ou até mesmo aprender a ler. Se não são esposas obedientes, tornam-se empregadas as chamadas Marthas ou pior: se pertencem à minoria que resta fecunda, em um mundo dominado pela infertilidade, tornam-se aias.Cruamente falando as aias são escravas sexuais mantidas pelas famílias da casta superior exclusivamente para gerarem seus filhos. Elas são fecundadas pelo marido em uma espécie de estupro consentido travestido de ritual religioso. Engravidadas, permanecem com a criança que geram até o desmame, antes de serem enviadas para outra família.A história toda é narrada pelos olhos da aia June Osborn (Elisabeth Moss, de "Mad Men"), renomeada Offred. Aliás, começa aí, pelo novo nome, a objetificação da figura da aia, que perde seu nome e passa a ser chamada, em cada casa que "serve", pelo pronome Of ("de", indicando posse de alguém), acrescido do primeiro nome do marido que a fecundará assim, temos Ofjoseph, Ofryan.Por meio de seu cotidiano na casa do comandante Waterford e sua mulher, Serena - intelectual que participou da elaboração do novo regime -, June tenta sobreviver ao processo de desidentificação das aias, que não têm voz própria, devem responder só o que lhe é perguntado e são consideradas na conta de um móvel do ambiente.O que mais me amedronta não é a história em si, mas seu potencial de realidade nos dias de hoje. Enquanto, de um lado, assistimos a um progresso gradativo da tolerância e dos direitos humanos, principalmente quanto às questões de gênero, de outro vemos um recrudescimento dos discursos xenófobos, homofóbicos e autoritários.E quando um Donald Trump é eleito presidente com discurso xenófobo e ultranacionalista na que é considerada a nação mais potente do mundo e um Bolsonaro torna-se alternativa perigosa à eleição no Brasil apenas com um discurso preconceituoso e autoritário e nenhuma consistência política, em meio a pedidos de "golpe militar" aqui e ali, você passa a acreditar que, sim, essa distopia é perigosamente possível.
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