Aguarde...

ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

Mesmo os ódios mais intensos são subproduto do amor

Confira a análise no texto do professor Vicente Golfeto

| ACidadeON/Ribeirao

Vicente Golfeto, colunista do ACidade ON (Foto: Mastrangelo Reino / Arquivo A Cidade)
Em latim, esposa é uxor. Uxoricídio, portanto, é matar a própria esposa. Quando estudei Direito, especificamente direito penal, conheci esta palavra. Mas não ouvi nunca, até, mais ou menos, dez anos atrás, o termo feminicídio, gênero do qual uxoricídio é espécie. Nos últimos tempos, tenho ficado impressionado com a quantidade de mulheres assassinadas por maridos, namorados, companheiros e até sócios embora também, em alguns casos, mulheres matam maridos.
 

Quando a escuridão de um assunto é muito grande, trago à debate a História e, no presente caso, a literatura. História é a ciência dos vencedores. Literatura é a arte dos vencidos. Érico Veríssimo chega a afirmar que "eu me amo mas não me admiro", enquanto Rainer Maria Rilke nos aconselha: "dê um mergulho dentro de você mesmo. A ironia não chega até lá". É que a vida é um inventário de decepções, para nós e para os que vão nos conhecendo. O dr. Alexis Carrell, no seu clássico "o homem, este desconhecido", ilumina a claridade e a escuridão da alma humana, território do psiquismo. "Onde há muita luz, dizia o alemão Goethe, há muita sombra". Mesmo os ódios mais intensos são subproduto do amor.
 

Dentre os gigantes da alma, importa citar o ciúme que nasce do medo, o medo de perder o que se tem. Então, à semelhança entre romances policiais e casos de amor, um parceiro começa a espionar o outro. Victor Hugo, poeta francês, acautela: "crie um fantasma. E ele te destruirá". A consequência é imediata. Surgem as vítimas. Precisamos adentrar, a partir daí, no campo singular da vitimologia, área da psiquiatria forense onde são esclarecidas parte das afinidades eletivas.