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ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
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Alvarás emitidos também indicam os rumos de uma cidade

Confira a análise no texto do professor Vicente Golfeto

| ACidadeON/Ribeirao

     Planejar é lançar uma ponte relativamente segura que une o presente de uma cidade, inserida numa região, rumo ao futuro. Um plano diretor estratégico, que deve ter também sua vertente tática, precisa ser assentado em informações de qualidades para se saber, quantificando, para onde e de que modo a referida cidade se urbaniza. Falamos neste sentido porque, somente na atual administração, a secretaria de planejamento e gestão pública está quantificando os alvarás emitidos por loteamento e por bairro, mês a mês. Assim, pode-se inverter uma realidade cruel, que foi a marca de um passado até recente de Ribeirão Preto.  

    A sociedade chegava na periferia sempre antes que o poder público. Portanto, como consequência imediata, não era pequena a porcentagem do espaço público que era tomado por segmentos da população. O dinamismo da sociedade, que era naturalmente maior do que o do Estado na sua vertente municipal, exibia o maior risco, em nosso entendimento, da urbanização que se acelerou quando ingressamos no que se denominou de revolução industrial. Isso quer dizer que a urbanização se acelerou, de maneira caótica, com a industrialização. Não foram poucos os loteamentos irregulares, e até cem por cento clandestinos, e também não foram pequenas e em pouca quantidade as construções clandestinas que foram adicionadas ao patrimônio imobiliário da cidade como um todo, configurando o que estamos anotando. A primeira vez que se tomou uma atitude firme para se saber quanto e qual era o tamanho deste problema, foi no início dos anos sessenta na segunda gestão do prefeito Alfredo Condeixa Filho. O município encomendou um levantamento aerofotogramétrico a partir do qual se chegou à verdade que também está expressa num mantra da Física: "só conhecemos aquilo que podemos medir". 

    Como a administração municipal tem oferecido, mês após mês, a quantidade de alvarás emitidos por loteamento e por bairro, nós fazemos questão, sempre que possível, de publicar estes dados mostrando os caminhos por onde e para onde Ribeirão Preto se expande em termos urbanos. No dia 11 de abril do corrente ano, publicamos no blog da Cidade ON dados do primeiro bimestre, de janeiro e fevereiro, com as informações mencionadas. Já no dia 28 do mesmo mês de abril, publicados no DOC ON, os dados foram relativos ao primeiro trimestre, de janeiro a março. Hoje estamos publicando o quadro abaixo que contém os números de janeiro a maio do corrente exercício de 2 019.


    Não haverá, esperamos que daqui para frente, mais desculpas para se ignorar um fato muito perigoso. É o relativo à urbanização clandestina, sem conhecimento do poder público. Isto no momento em que se sabe que Ribeirão Preto já tem mais de cem favelas inseridas no tecido, portanto, na histologia, do perímetro urbano da cidade.
    Lembrando-me de um exemplo do passado, trago à tona um fato real. Em 1 922, o então presidente da república, Epitácio da Silva Pessoa, visitou Ribeirão Preto. Foi o segundo chefe de Estado brasileiro que veio à cidade. O primeiro foi o imperador Pedro II. E veio para inaugurar uma empresa metalúrgica então localizada na avenida Brasil. Como satélite dessa atividade industrial, foi construída para os operários o que hoje se conhece como Vila Elisa. Mas só no fim dos anos noventas, os moradores deste loteamento terminaram de requerer os melhoramentos públicos. É um exemplo claro de como a sociedade chegava antes que o poder público municipal. E é a partir desta constatação que, acreditamos, o Estado poderá chegar não muito depois que a sociedade. Mas concomitantemente. Já terá sido, então, uma vitória fantástica.