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Quando um país vai mal, o cinema normalmente vai bem

Confira a análise no texto do professor Vicente Golfeto

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Vicente Golfeto, colunista do ACidade ON (Foto: Mastrangelo Reino / Arquivo A Cidade)
    Antífona é um versículo que se diz ou se entoa antes de um Salmo ou de um cântico religioso e depois se canta inteiro ou se repete alternadamente em coro. Não temos a pretensão de falar em antífona, algo que é uma ponte que leva o pecador ao perdão e à misericórdia de Deus. Vamos falar em dois epigramas. Um, de Pablo Picasso, um gênio que diz que "a arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade, pelo menos a verdade que nós podemos compreender". E outro é, nada mais e nada menos, do que William Shakespeare, em Hamlet, quando pergunta "o que faria o homem, se ele não risse?". A partir daí, dentre as artes mais conhecidas a pintura, a escultura, a arquitetura, a literatura e a fotografia, dentre outras vamos focalizar, abaixo, talvez a que seja, em certos aspectos, a mais adaptada à realidade do cotidiano. Paul Klee acreditava que "a arte não reproduz o visível. Ela torna visível aquilo que é invisível". E isso ele diz mais ou menos na sequência do que pensou o gênio inquieto de Leonardo da Vinci quando esclarece que "a arte diz o indizível, exprime o inexprimível e traduz o intraduzível".  

    Claro que ele aprofunda o pensamento e a partir daí tendo escolhido o cinema, precisamos identificar a fotografia como uma das artes que compõem normalmente as obras cinematográficas. Photon + graphus palavras do idioma grego significam escrever com a luz. Fotografar, em nossa opinião, é criar com a força transfiguradora do olhar. É também retratar o que o olhar permite ver, isto é, aquilo que o olhar alcança. No mais, o que a arte especificamente o cinema pretende, é procurar sempre tornar organizado aquilo que é caótico.
Tenho certeza de que através do paralelo que se faça entre o cinema e o país quando o país vai mal, o cinema vai bem. E mais: a importância do cinema avulta e se acentua, nos dias de hoje, porque vivemos em uma época em que as imagens não valem apenas mais do que as palavras. Elas valem mais até do que as ideias.
 

    O presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt captando a importância da arte cinematográfica e, a partir daí, criando um neologismo que se denomina de mershandising diz claramente "onde vão os nossos filmes, vão os nossos produtos". Assim, o filme é uma espécie de abre-alas para exportar produtos e serviços da economia de um país. Do nosso lado, foi o presidente Lula da Silva justiça lhe seja feita que, a partir da criação do "Canal Brasil" passou a estimular as imagens. E a partir daí, a importância do cinema, resgatando um tempo que pontificou através da ação singular do cineasta baiano, Glauber de Andrade Rocha. É também algo como o que se denomina de softpower, que se contrapõe ao hardpower. Aliás, que se contrapõe, não. Que complementa o poder de um país. O hardpower é a força militar e até por que não dizer? a força econômica. Já o softpower é o poder suave. Neste, incluem-se as artes, dentre as quais destacamos a música e o cinema, com os filmes. Na atualidade, é claro que as marcas dos produtos gerados pelas empresas Coca-Cola, General Motors, General Eletric, Google e Ford, dentre outras ocupam o território de um país muito mais seguramente do que os militares, isto é, o exército, a marinha e a aeronáutica, que são partes expressivas do hardpower.  

    Precisamos aprender que "ou a dor nos constrói ou ela nos destrói". É exatamente por isso que encerramos essa modesta análise com o que já nos acautelava o senador brasileiro e ex-ministro do planejamento do governo do presidente Castelo Branco que "sempre que há muita indignação quanto às consequências, é porque as causas foram mal dimensionadas".