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Vicente Golfeto

Prisão urgente para o receptador

Confira a análise no texto do professor Vicente Golfeto

| ACidadeON/Ribeirao

Vicente Golfeto, colunista do ACidade ON (Foto: Mastrangelo Reino / Arquivo A Cidade) 
    O que é, na verdade, o que nós denominamos de crime organizado? Por que organizado? Vamos tentar responder. Considera-se crime organizado aquele que tem duas características singulares e somadas. Ele lança tentáculos no aparelho do Estado. Isto significa que ele tem pessoas nos três poderes da república, executivo, legislativo e judiciário, e nos três níveis de governo. Mas, claro, muito mais na área federal.
 

    O crime organizado também tem como característica, e aí vai a sua segunda marca, o fato de atuar como empresa. Inclusive, em muitos casos, ele tem até uma holding. Que é uma empresa que detém a posse majoritária de ações de outras empresas, geralmente denominadas de subsidiárias. Claro que holding é característica de empresa com atividade lícita. Mas há ilícitos, cívis e penais, no crime organizado, como claramente se percebe e como não poderia deixar de ser.
 

    Ribeirão Preto não foge à regra das cidades médias e maiores, em termos de ativo demográfico, de quase todas do país. Ela tem unidades fortes e expressivas do crime organizado. Basta querer ver. A cidade, cada vez mais, tem tido boa parte da sua população vítima da ação deletéria dessas facções criminosas e destas quadrilhas. Um exemplo claro é o aumento significativo e expressivo da quantidade de unidades habitacionais, residências, galpões e salões de empresa, dentre outras, avariadas no que toca a peças como fiação, portas e torneiras que são furtadas e roubadas por um tipo de delinquente. Cabe uma pergunta: quem compra este objeto adquiridos através de ação criminosa? Todos sabemos que é um figura denominada de receptador. Sem existir quem compre, não há possibilidade de se vender. É exatamente aí que reside grande parte do busílis da questão, o nó górdio que não pode ser cortado. Ele deve ser desatado. Para isso, para combater essa atividade criminosa, é preciso que os órgãos de segurança tenham condições de executar um combate eficiente, atingindo o nervo do dente do crime. Mas não tem, lamentavelmente, havido esta ação consistente e firme dos órgãos de segurança, inclusive, acreditamos, pela expansão da cidade e pelo aumento das unidades das facções criminosas.
 

    Segurança, mais do que nunca, tem sido gênero de primeira necessidade. O mercado imobiliário e o mercado de locação, como binômio fundamental do processo produtivo de uma cidade, têm sido atingidos de maneira cada vez mais acentuada e perigosa. Perguntamos, então: até quando?