Polícia Federal investiga se Isaac utilizou caixa dois

Vereador de Ribeirão Preto também é suspeito de ter praticado boca de urna nas eleições do ano passado; ele nega

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    • Cristiano Pavini

Alvo: Vereador Isaac Antunes (PR) é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (foto: Weber Sian / A Cidade 02.ago.2017)

Além de campanha eleitoral antecipada, abuso de poder e compra de votos na relação entre o "Movimento Muda Ribeirão" com a "Associação Limpe seu Nome" desmantelada pela Operação Têmis -, Isaac Antunes (PR) também é alvo da Polícia Federal e do Ministério Público por indícios de prática de Caixa 2 (despesas e receitas não contabilizadas) e boca de urna (ação organizada pedindo votos no dia da eleição).  

Em março do ano passado, o MP recebeu documentação com supostas irregularidades na campanha de Isaac. Agora, promotores e policiais federais aproveitam os desdobramentos da Têmis para tentar confirmar as denúncias.
Em nota envida ao A Cidade, Isaac negou irregularidades e disse que as suspeitas são "descabidas".  

Mas, no último dia 19, em depoimento na sede da PF, o advogado Carlos Buosi, que atuou na campanha de Isaac, confirmou que houve boca de urna e Caixa 2.  

Um documento obtido pelo MP, que teria circulado pelos e-mails de campanha de Isaac, lista 27 pessoas que receberam, cada uma, R$ 200 para pedir votos ao candidato no dia 2 de outubro, data da eleição. A planilha aponta o bairro e o nome das escolas em que elas deveriam ficar.  

Entre os organizadores da boca de urna, no documento, aparece o nome de Chafik Scalon, atual chefe de gabinete de Isaac. O nome do próprio vereador consta como "liderança" responsável por dois cabos eleitorais.
Ao todo, o vereador teria gasto R$ 5,4 mil com boca de urna.

Caixa 2  

Durante o depoimento de Buosi, integrantes do MP e da PF mostraram a ele outra planilha, intitulada "Pagamento Campanha Isaac" e com a seguinte anotação feita a mão: "Não contabilizados Caixa 2".  

Após analisar o documento, Buosi afirmou, segundo o termo de depoimento anexado nos autos da Têmis, que a planilha é verídica e que "as pessoas constantes nessa lista realmente trabalharam para Isaac no período eleitoral e pré-eleitoral".  

A lista tem o primeiro nome de 24 pessoas incluindo quatro pastores de Igreja -, que recebiam entre R$ 10 e R$ 66 por dia trabalhado. Consta, também, "Comitê Ipiranga", com custo de R$ 1,2 mil.  

Ao todo, a planilha soma R$ 10,6 mil com gastos de cabos eleitorais não contabilizados.  

A Cidade comparou os dados com a prestação de contas de Isaac declarada na Justiça Eleitoral. Ele declarou, oficialmente, ter contratado 43 cabos eleitorais, ao custo de R$ 34,8 mil. Das 24 pessoas do documento investigado, apenas os nomes de quatro aparecem na Justiça Eleitoral.  

Isaac declarou ter gasto R$ 66,4 mil na campanha de 2016. Segundo denúncia encaminhada ao MP, porém, o valor foi superior a R$ 150 mil".  

Lista investigada 

Um dos documentos nas mãos do MP e da Polícia Federal aponta que Isaac praticou boca de urna nas eleições, distribuindo cabos eleitorais para pedir voto nos colégios eleitorais, prática proibida pela Justiça. 

Um dos documentos aponta que Isaac praticou boca de urna nas eleições (divulgação)

Isaac diz que denúncia é descabida

Em nota, o gabinete de Isaac Antunes afirmou que "a prestação de contas de sua campanha foi elaborada, entregue e deferida nos termos da legislação eleitoral vigente no País" e que é "descabida a dúvida acerca de contratação de pessoas para boca de urna".  

Cita, também, que todas as pessoas que trabalharam na campanha foram também objeto de regulamentação eleitoral".
"Por fim, apenas a título de registro, o vereador Isaac Antunes encontra-se figurando em inquérito policial em trâmite na Política Federal como averiguado, não indiciado, e a inauguração do inquérito deu-se única e exclusivamente por requerimento do Ministério Público Estadual, não pelo órgão competente", afirmou a assessoria de Isaac.  

Entenda o caso

Pelo que Isaac é investigado?    

Por crimes eleitorais, devido a utilização do movimento Muda Ribeirão, comandado por ele, para obter votos. O vereador, quando pré-candidato, percorria os bairros oferecendo serviço para limpar o nome das pessoas, utilizando uma parceria com a "Associação Limpe Seu Nome", desmantelada pela Operação Têmis. Testemunhas e dois réus que fecharam delação premiada apontam que o "Muda Ribeirão" foi criado para favorecê-lo nas eleições.

Quem investiga Isaac?    

A PF (Polícia Federal) tem inquérito aberto, a pedido do Ministério Público, devido aos desdobramentos e investigações da Operação Têmis.

Isaac é denunciado na Operação Têmis?    

Não. Até o momento, o vereador não é réu na Justiça pelos fatos relacionados à Operação.

O que a Operação Têmis descobriu?    

Deflagrada no dia 11 de janeiro, após investigação conjunta do MP com a Polícia Civil, a operação desmantelou grupo de advogados que praticavam supostas fraudes processuais em dois ramos: tentando ganhar indenizações indevidas contra bancos por perdas na poupança em razão das mudanças de planos econômicos e ingressando, sem consentimento, com ações contra empresas que negativaram o nome de pessoas. 

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2 Comentário(s)

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Divaldo

Publicado:

Esta faltando o que para os "nobres edis" caçar o companheiro?

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Cesar Eduardo Andrade de Oliveira

Publicado:

Tem vereador que fez churrasco em bar pedindo voto. Chamei a polícia, que se recusou atender. É preciso haver uma forma de a denúncia ser atendida no ato, para se caracterizar o flagrante.