Aguarde...

Cotidiano

Não há igualdade de condições na disputa pelo cargo de vereador

O sistema favorece os que têm mandatos; Quem está na Câmara sai na frente; Além disso, há os conchavos dos partidos

| ACidadeON/Ribeirao

Jornalista e escritos Julio Chiavenato (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
 
 Se não mudar... não muda

Não há igualdade de condições na disputa pelo cargo de vereador. O sistema favorece os que têm mandatos. Quem está na Câmara sai na frente. Além disso, há os conchavos dos partidos, as incoerências dos candidatos e, particularmente em Ribeirão Preto, ser ou não "comunicador" nas mídias eletrônicas. Sem contar o "financiamento de campanha", que depois cobra com juros e recolhe os dividendos. 

Dessa maneira é difícil a renovação de fato do Legislativo e uma verdadeira representação popular. Sem um tsunami político, como a Operação Sevandija, pelo menos metade dos vereadores se reelege e a outra parte é completada pelas "estrelas" da comunicação e os "abençoados" por alguma crença religiosa. Eleitos, comportam-se corporativamente e como extensões da classe média - mais precisamente, com o "espírito pequeno burguês" (é preciso aspas e parênteses ao usar as palavras certas...). 

Poucos querem mudar essa situação, conveniente ao modelo pseudodemocrático de controle político formal para a permanência do conteúdo da dominação. O sistema político vigente sobrevive porque a sua política serve aos interesses econômicos. Alguém, crédulo em uma hipotética equidade política poderia sugerir o impedimento da reeleição dos vereadores. Mesmo assim, estariam em vantagem os que usam o microfone para se tornarem conhecidos. 

Permanecendo no terreno das hipóteses ingênuas, poderíamos exigir a obrigação legal de o jornalismo só poder ser exercido profissionalmente. As empresas de comunicação seriam proibidas de "vender horário" a pessoas com nítidos interesses eleitoreiros. Os "comunicadores" deveriam, como todos os profissionais, seguir as regras jornalísticas, com contratos, carteira assinada ou algo do gênero - e os empregadores responderiam pelas suas atividades. Seria a contenção do jornalismo de aluguel, embora não fosse o seu fim. 

Porém, a internet se tornaria ainda mais forte. As redes sociais e os indignados que distribuem ódio e notícias falsas se destacariam como a nova face da "imprensa livre" - o que, em certo sentido acontece hoje, com as distorções conhecidas. 

Enquanto permanecer o "modelo econômico" do quem pode manda, quem tem juízo obedece, isto é, concentração de renda e injustiça social, nada muda. A política é uma extensão do poder econômico real - nas raras vezes em que deixa de ser, quebra o sistema ou se quebra. Quando um espertalhão percebe o sentimento de revolta generalizada finge que é contra a "velha política" e se elege. No poder, volta às origens e adere ao velho e confortável centrão. De Brasília a Ribeirão Preto a diferença é de grau - de resto, a mesma meleca.
 

A mesmice de votar e reclamar

Seis partidos devem apoiar Duarte Nogueira. Isto é coligação, aliança ou coalização? 

Para coligar, isto é, unir e juntar, é preciso um acordo, que é a ligação de diversas pessoas ou organizações que visam um mesmo objetivo, o que pode levar a uma fusão; às vezes é necessário um conluio ou trama. Já a aliança inclui a negociação e um pacto que decorrem de certas afinidades. Sobra a coalização, que é o acordo político para um fim comum. 

Qual é o fim comum? 

O de sempre: ganhar as eleições. É nisso que se resume a política no Brasil o poder é mais importante do que programas e projetos, pois os políticos só têm ideia fixa: a perpetuação nos cargos ou a conquista da máquina pública. Se existem exceções, estão ocultas. 

Isso não é contra nem a favor de Duarte Nogueira. Os concorrentes farão a mesma coisa e os "outsiders" repetirão a lengalenga indignada, sem nenhuma disposição para virar o jogo. Quem esperneia espera ganhar espaço no futuro ou entrar para o acordão geral que sempre ocorre no segundo turno. 

E o eleitorado? 

O eleitor vota e depois reclama. Na próxima eleição... vota e depois reclama.
 

Poema ambulatório

Não ando de ambulância
e o caso não é comigo,
nem entendo a implicância
que para tudo quer castigo.
Só lembro a esse pessoal
que para agradar um amigo
toda transgressão é legal;
paro aqui, e mais não digo.
 

O jogo só acaba quando termina

"Depois da tempestade vem a ambulância." (Vicente Matheus, 1908-1997)

Mais do ACidade ON