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Cotidiano

Luiz Puntel: A importância da leitura

Levantamento mostra que 44% da população brasileira não lê; 30% nunca comprou um livro

| ACidadeON/Ribeirao

Luiz Puntel (Foto: Arquivo Pessoal)
 
Internacionalmente, somos conhecidos como maus leitores. Uma prova disso está nos dados de pesquisas sérias. Uma delas é a do Retratos da Leitura, do Instituto Pró-Livro. De acordo com o levantamento, 44% da população brasileira não lê. Por outro lado, 30% nunca comprou um livro.  

Outro dado estarrecedor é o do PISA, o Programa de Avaliação de Alunos. O PISA congrega alunos de 70 países e o desempenho de nossos estudantes é pífio, desanimador. O dado é catastrófico: mais da metade (51%) de nossos pupilos estão abaixo do nível 2 em leitura, que é considerado o patamar básico. Isso quer dizer que metade da população que vai tocar o país nas próximas décadas não sabem ler nem um bilete, quanto mais legítimos bilhetes. 

E, se não leem com constância, fazendo do ato de ler um hábito, assim como se escovam os dentes e se toma banho todos os dias, também não escrevem com desenvoltura. E, infelizmente, é muito fácil provar. Basta quantificar quantos candidatos prestam o Enem. São 4, 5, ou 6 milhões, dependendo do ano. E quantos conseguem uma nota competitiva, que demonstre que têm autonomia textual? O número mal chega à casa dos milhares.

A culpa é de quem? Da família, da escola, do sistema? Em casa, pouco se lê, na escola também, e o sistema educacional vive emperrado em falta de verbas, em descasos governamentais, numa série constante de problemas. Na escola, raramente se lê por prazer, por fruição. E digo raramente porque há, sim, professoras incentivadoras de leitura, que fazem trabalhos maravilhosos, mas não é a tônica do país. 

É só reler as estatísticas já citadas nos parágrafos acima para comprovarmos que não avançamos. Leitura que envolve avaliação, prova, nota na caderneta escolar não motiva. Sem o gostoso do virar páginas, do ir descobrindo e participando da narrativa, é um ato impositivo, não reflexivo. E se não é reflexivo, não é educativo. Até rima, mas é uma rima pobre. 

Há cidades brasileiras - e não são poucas - onde a professora mais gabaritada tem apenas o fundamental incompleto. E ela lecionou para toda a câmara de vereadores e até mesmo para o prefeito. Entenderam o caos nacional? 

E é para falar da importância da leitura, do ler por prazer, do ler como fruição, mas também da leitura como reflexão, como oxigenação da criticidade, que convido os leitores a participar, amanhã, às 18h30, de uma live em que o convidado é justamente um dos mais significativos escritores juvenis do país: Pedro Bandeira, que escreveu mais de cem livros, é ganhador do prêmio Jaboti e autor juvenil de maior volume de vendas. O autor de Droga da Obediência conversará com seus leitores a partir das 18h30, no Instagram da @oficinaliterariapuntel. Bora lá?

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Puntel, analfabeto em tecnologia, questiona se saberá abrir o Instagram.

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