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Cotidiano

Eliseu Hernandez: Dinheiro não é o mesmo que riqueza

Frase de J.P. Morgan: Dinheiro de verdade é o ouro; todo o resto é crédito

| ACidadeON/Ribeirao

Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da BlueTrade (Foto: Weber Sian / ACidade ON

"Dinheiro de verdade é o ouro; todo o resto é crédito" J.P. Morgan

Como dito na coluna da semana passada, o objetivo principal do dinheiro é fornecer um meio de troca conveniente para acesso a bens e serviços. Ou seja, em vez de carregar barras de ouro para comprar mantimentos no supermercado ou depender de um sistema de trocas, criamos maneiras convenientes de registrar nossos pagamentos a fim de obter bens e serviços que possamos desejar. Isso nos dá acesso à capacidade de alimentar nossas famílias, enviar nossos filhos à escola, manter nossa saúde, nos divertir e assim por diante.

O dinheiro, embora seja importante, nunca deve ser confundido com a verdadeira riqueza. Lembre-se de que o dinheiro é apenas um meio de troca. É uma ferramenta como muitas outras ferramentas que nós humanos criamos e nos fornece um meio para um fim.

Agora, a verdadeira riqueza tem significados diferentes para pessoas diferentes. Entretanto, mais dinheiro pode tornar mais conveniente alcançar certas coisas, mas dinheiro e a verdadeira riqueza nem sempre devem ser considerados a mesma coisa. Embora o dinheiro certamente torne mais fácil a obtenção de bens materiais e talvez até mesmo algum nível de felicidade, é sempre um meio para algum outro fim e não deve ser confundido com o fim.

A maior parte do dinheiro em um sistema monetário moderno é o que chamamos de moeda fiduciária. Dinheiro fiduciário é dinheiro que não tem valor intrínseco, mas é usado como meio de troca porque um governo específico assim o considera. Os sistemas monetários de hoje são projetados como sistemas sociais que institucionalizam e organizam o dinheiro sob leis específicas dentro de sociedades específicas. Os governos regulam esses sistemas monetários e identificam as entidades que podem emitir tipos específicos de dinheiro.

No Brasil, o Real é a unidade de conta na qual todo o dinheiro é denominado. A unidade de conta é a medida que usamos para o dinheiro. Muito parecido com a escala métrica, o dinheiro é medido de acordo com sua unidade de conta. Assim, 20 reais podem comprar um número X de sanduíches ou quaisquer bens ou serviços que você deseja.

A unidade de conta é diferente em diferentes países, mas o conceito é sempre o mesmo. Um governo designa um dinheiro especificamente denominado como unidade de conta (por exemplo, o iene no Japão, euros na Europa ou pesos no México), e o governo regula o campo de jogo em que essa unidade de conta é usada. Se você deseja participar da economia chilena, você deve obter dinheiro denominado em Pesos chileno, que é a forma de pagamento padrão aceita para bens e serviços no Chile.

Uma cédula de Real, por exemplo, era apenas uma promessa de que, se você fosse com ela ao banco, você poderia trocá-la pelo equivalente em ouro, pois cada cédula emitida estava lastreada pelo seu equivalente em ouro. Hoje em dia, nem isso existe mais. Apenas a fé no sistema financeiro.

Por isso, J. P. Morgan corretamente concluiu que o único tostão de verdade era aquele que não dependia de terceiros para ser saldado ou liquidado, e nem tampouco estava sob a gerência de terceiros. Apenas o ouro físico em mãos representava dinheiro. Todo o resto era simplesmente uma forma de crédito que se fazia passar por moeda corrente.


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