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Cotidiano

Iron, Apache, Aragon e Argos vão se aposentar e ganhar um novo lar

O cabo da PM Ataíde Andrade dos Santos também se aposentará e adotará os cães, que são seus companheiros de trabalho

| ACidadeON/Ribeirao

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Missão dada é missão cumprida. O cabo da PM (Polícia Militar) Ataíde Andrade dos Santos, 44 anos, recebeu a incumbência de adestrar os cães do canil da PM de Ribeirão Preto e honrou seus compromissos.

E daqui a exatamente dois meses, no dia 31 de outubro, ele se aposenta por tempo de contribuição e se despede de 16 dos 20 cachorros do canil.

Para quatro cães, no entanto, o policial não terá de se despedir. O pastor alemão Iron, de 9 anos, o bloodhound Apache, de 5 anos, o pastor-belga malinois Aragon, de 5 anos, e o labrador Argos, de 2 anos, serão adotados pelo cabo Andrade. "É como se eu estivesse retribuindo a lealdade deles", afirma.

Mastrangelo Reino / A Cidade
Cabo da PM Ataíde Andrade dos Santos vai se aposentar e cuidar dos seus companheiros de trabalho (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

 

Como tudo começou

Na PM desde 1994, o cabo integrou o Pelotão Tático e o Rádio Patrulhamento em Jaboticabal (SP).

Em 2002, recebeu um convite para fazer parte da equipe do canil de Ribeirão, fez cursos de adestramento e, embora não tivesse nenhum cachorro na época, aprendeu a treinar os cães para policiamento, demonstração e localização de pessoas, entorpecentes, explosivos e armamentos. "Não tinha experiência, mas fui adquirindo técnicas e me aperfeiçoando com o tempo", conta.

O primeiro cachorro adestrado pelo policial foi o pastor alemão Daymon, treinado para intimidar suspeitos em abordagens policiais. "Normalmente, os cães aposentam com 8 anos, mas o Daymon foi embora com 7, porque ele já estava cansado", relata.

Mastrangelo Reino / A Cidade
Iron está com o cabo Andrade desde os seis meses de idade (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

 

Policiamento

Para substituir Daymon, Andrade foi até Marília (SP) e trouxe o filhote Iron.

Durante 6 meses, o pastor alemão foi adestrado na casa do policial e, com pouco mais de 1 ano, começou a trabalhar no policiamento da cidade.

"Modéstia à parte, fiz um bom trabalho, porque ele é um ótimo cão policial", diz.

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Apache, treinado para encontrar pessoas (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

 

Busca e localização de pessoas

Apache também desempenhou suas funções com excelência. O cão que chegou de Sorocaba (SP) com apenas 50 dias foi treinado para localizar pessoas e ficou nacionalmente conhecido ao atuar no caso do menino Joaquim Ponte Marques, de 3 anos. Segundo o Ministério Público, o garoto foi morto por uma "dose cavalar" de insulina aplicada pelo padrasto, Guilherme Longo.

Joaquim desapareceu no dia 5 de novembro de 2013 e foi encontrado cinco dias depois no rio Pardo, em Barretos. "A perícia recolheu uma roupa usada pelo menino na véspera do desaparecimento, o Apache cheirou e encontrou o corpo", narra Andrade.

Apache foi ensinado, inclusive, a andar no helicóptero Águia, já que, às vezes, ele é convocado para ajudar em outras cidades. "Uma vez, ele foi chamado para localizar ladrões que roubaram um banco em Piracicaba (SP) e fugiram pelo rio", recorda.

Mastrangelo Reino / A Cidade
Aragon veio de um canil de Goiânia para Ribeirão Preto (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

 

Farejamento de explosivos e armamentos

Já Aragon veio diretamente de Goiânia (GO) com 6 meses e, com 1 ano, já estava pronto para o trabalho.

Adestrado para encontrar explosivos e armas de fogo, Aragon chegou a farejar uma arma que estava escondida no fundo falso de um guarda-roupas. "Os policiais já estavam indo embora sem achar a arma. Se não fosse o Aragon, ela ia ficar lá", lembra o cabo.

Como o cão lida com explosivos, ele não arranha nem late quando encontra a bomba. "Ele senta ou deita e fica parado, indicando que o explosivo está naquele local", explica.

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Argos foi treinado para localizar entorpecentes (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

 

Farejamento de drogas

Argos, por fim, chegou com 9 meses no dia do jogo entre Brasil e Holanda na Copa do Mundo de 2014.

Atentado, o labrador foi treinado durante 4 meses para encontrar entorpecentes. "Não é qualquer cachorro que pode trabalhar para a PM. O cão tem que ser de raça e ser fissurado por alguma coisa, porque, assim, você consegue recompensá-lo com aquilo que ele gosta", esclarece.

Argos, por exemplo, é maluco por bolinhas de tênis – assim como Aragon. Andrade finge que joga a bola, o cão sai à caça da droga e, ao encontrá-la, é premiado com a bolinha.

Rotina e planos

Os cães do canil da PM treinam em dias alternados, comem duas vezes por dia e tomam banho quinzenalmente. "O policial adestrador não para. Como os cachorros se acostumaram comigo, tem vez que estou de folga e tenho que ajudar na ocorrência", conta.

Andrade está se mudando para uma casa maior para comportar os quatro cachorros. Apache e Aragon ficarão no canil da PM até agosto do ano que vem enquanto os policiais treinam cães substitutos, mas, assim que os novos cachorros estiverem prontos para o trabalho, eles irão para o aconchego do lar do treinador. "Não abro mão deles. Os cachorros são realmente os melhores amigos do homem", diz.

Longe da farda, o cabo quer viajar e descansar. "Trabalho desde os 14 anos. Está bom, né?", observa. "E, pelo visto, não vou ficar à toa em casa. Já imaginou cuidar de quatro cachorros de grande porte?!", completa.

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Comentários

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2 comentários
  • Donizeti Lourenço Barreto
    31/08/2016 23:33:07
    Excelente matéria!
  • Miguel Angelo Paccagnella
    31/08/2016 18:27:25
    Parabéns a esse cabo da Policia Militar, trata esses cães como se fossem filhos seus, É justo que ele aposente depois de ter completado seu tempo de serviço e leve consigo essas melhores companhias que existem, tenho três cães em casa e trato eles como se fossem humanos. (filhos

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