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Cotidiano

Saúde de Ribeirão Preto deixa bebê com microcefalia sem atendimento

Criança foi encaminhada à rede pública municipal de Ribeirão Preto no início de outubro, mas até agora não foi atendida

| ACidadeON/Ribeirao

Weber Sian / A Cidade
Saúde diz que avaliação está agendada para 12 de dezembro (Foto: Weber Sian/ A Cidade)

 

Desde que a filha Letícia, de 1 ano e 5 meses, portadora de microcefalia associada ao zika vírus, teve alta do Centro de Reabilitação (CER) do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a mãe Verônica Fiorin Padial, 29 anos, vive em agonia.

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A filha foi encaminhada à rede pública municipal para continuar o tratamento de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, mas até agora a criança não recebeu nenhum atendimento. A aflição da mãe tem motivo. Segundo especialista, se o bebê ficar sem os estímulos, pode perder todos os movimentos que adquiriu durante o ano inteiro no Hospital das Clínicas.

Para não assistir de mãos atadas à regressão da pequena, Verônica tem assumido o papel dos profissionais multidisciplinares. Só que agora as macas e aparelhos especiais, que antes faziam parte da rotina de Letícia, foram substituídos por alguns brinquedos musicais e um tapete colorido, na casa onde a família mora, no Avelino Palma, zona Norte de Ribeirão.

Desde o nascimento, Letícia era acompanhada no Hospital da Criança do HC. Mas, no início de outubro deste ano, a menina especial – em todos os sentidos – recebeu alta do protocolo criado e oferecido pelo CER às crianças com microcefalia associada ao zika vírus.

Em tese, as sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, que são essenciais para o desenvolvimento físico e, principalmente, cognitivo de bebês com esta deficiência, deveriam ser continuadas na rede pública municipal.

No entanto, a UBDS do Quintino Facci 1, para onde a criança foi encaminhada foi fechada para reforma uma semana depois de Verônica entregar o encaminhamento para atendimento da criança com a equipe multidisciplinar e, até hoje, não recebeu retorno da Secretaria de Saúde.

“O acompanhamento que tivemos até agora foi o que ajudou a Letícia em vários fatores, porque ela é comunicativa, atenta, sorridente. E, na verdade, me ajudou também. Se não fosse por esse um ano no HC, eu não saberia como auxiliar minha filha neste momento”, diz a mãe Verônica, que, agora, também acumula a função de ‘quase-terapeuta’.

Para não perder os avanços já conquistados pela pequena guerreira, Verônica e a filha mais velha, de 8 anos, aplicam em Letícia, na sala de casa, alguns dos exercícios principais.

“Não é o ideal, mas, por enquanto, consegui apenas algumas tardes com alunos de fisioterapia [de uma universidade particular da cidade]. E, como sei que os estímulos mentais são fundamentais, dei meu jeito enquanto aguardo uma resposta da Secretaria da Saúde”, afirma.

Estímulo deve ser constante

Porém, a pequena necessita de mais. De acordo com Jean Gorinchteyn, especialista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o esforço da mãe não exclui a necessidade de profissionais, devido a delicadeza do quadro, que tem lesões intensas e muito específicas.

“Deixar um bebê como a Letícia sem estímulos chega a ser uma involução – como se todo o trabalho antes aplicado não tivesse existido, porque os déficits, fortalecimento da musculatura e questões mentais são áreas desenvolvidas a longo prazo, que precisam ter continuidade” diz.

Além disso, o médico diz que a reabilitação não tem a intenção de recuperar as crianças com microcefalia, mas impedir com que elas sofram perdas de funções importantes e permita uma condição de vida melhor à elas, junto a eficiência e multidisciplinaridade do tratamento, que inclui os pediatras, neuropediatras, fisioterapeuta, fonoterapeuta e terapeuta ocupacional.

Outro lado

Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou às 14h30 desta segunda-feira (20) que a criança foi atendida pela pediatra da UBS Quintino 1 no dia 24/10/17. “Foram feitos encaminhamentos para fisioterapia e fonoaudiologia. O encaminhamento de fisioterapia será digitado no Sistema Online CROSS para agendamento pela DRS (Departamento Regional de Saúde).

O encaminhamento de fonoaudiologia será agendado no CER-Nadef (Núcleo de Atendimento a Deficientes) da Secretaria Municipal de Saúde.”

Questionada sobre a data, a assessoria de imprensa informou por telefone que ainda não havia previsão de agendamento porque o setor trabalha com prioridades e que deveria haver casos mais graves na frente da criança.

Após ACidade ON insistir na resposta, a Comunicação Social da prefeitura informou, às 17h, que avaliação para Letícia foi agendada no Programa de Estimulação Precoce do CER-Nadef para o próximo dia 12 de dezembro, às 13h.

Até a publicação desta reportagem às 17h40, a mãe da paciente desconhecia o agendamento da consulta.

 

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