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Gaeco inaugura denúncia de lavagem de dinheiro na Sevandija

Primeiros alvos da ofensiva contra a lavagem foram Sandro Rovani, Marcelo Gir Gomes (ambos já presos), Paulo Roberto Nogueira e a filha de Sandro, Ana Claudia Silveira

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Advogado Sandro Rovani é um dos alvos da denúncia (Foto: Weber Sian / A Cidade)


O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) abriu a porteira das denúncias de lavagem de dinheiro na Operação Sevandija. E verificou que um dos réus controlava, mesmo detrás das grades de Tremembé, a movimentação de dinheiro considerado ilícito.  

Os primeiros alvos da ofensiva contra a lavagem foram Sandro Rovani, o advogado Marcelo Gir Gomes (ambos já presos), o empresário Paulo Roberto Nogueira e a filha de Sandro, Ana Claudia Silveira.  

Juntos, eles são acusados de movimentar R$ 1 milhão depois de 1 de setembro de 2016, quando a Sevandija foi deflagrada.
A denúncia passou a tramitar na quinta-feira passada (21) na 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, sob segredo de justiça. Ela é resultado da Operação Houdini, quarta fase da Sevandija, deflagrada em 28 de maio deste ano pelo Gaeco e Polícia Federal.  

Segundo a denúncia, Sandro depositou cheques de Zuely Librandi em contas de empresas e terceiros e, depois de algumas transações (que contaram com apoio de Paulo Roberto) para ocultar a origem, o montante era retirado por Marcelo Gir Gomes.

Mesada  

Marcelo, inclusive, teria a incubência de repassar uma mesada "gradualmente" para a filha e ex-mulher de Sandro, que está preso desde março de 2017.   

Na Operação Houdini, a PF até achou uma carta de Sandro, endereçada a Marcelo, reclamando que o repasse estava atrasado. "Espero que você não tenha usado o meu dinheiro para seu uso", reclama, citando que desde o plano de saúde até o condimínio de imóveis estava atrasado. 

Em outro manuscrito, obtido pelo A Cidade, Sandro pede para Marcelo depositar, entre outros, R$ 20 mil para a esposa, R$ 10 mil para a filha.  

Ana Claudia, inclusive, fez dois saques, nos dias 12 e 29 de maio, totalizando R$ 400 mil em dinheiro vivo que, segundo o Gaeco, era proveniente dos honorários de Zuely.  

Nova fase  

Até então, a Sevandija havia resultado em três denúncias que tramitam na Justiça relacionadas a crimes de corrupção, peculato e fraude em licitações relacionadas ao núcleo dos honorários advocatícios, terceirizados apadrinhados na Atmosphera e contrato do Daerp. Agora, a força-tarefa da Sevandija busca rastrear o dinheiro supostamente desviado e verificar as estratégias que os acusados usaram para ocultá-lo. A denúncia contra Sandro é o pontapé dessa nossa fase. 

Outro lado  
Defesa descarta crime de lavagem 

O advogado Júlio Mossin, que defende Sandro, Ana Claudia e Marcelo Gir Gomes, descartou que o trio tenha praticado lavagem. Sobre os saques de Ana Claudia, ele afirmou ao A Cidade que ela agiu a pedido do pai e, que na visão dela, "todos os valores eram lícitos". Segundo o defensor, "ela sequer sabia de quem era esses cheques, pois eram administrativos, sem identificação nominal". A reportagem não localizou Paulo Nogueira.

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