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Daerp promete corrigir problema com flúor apenas em 2021

Autarquia prevê automação gradativa, em três anos, de 30% dos 109 poços de captação de água

| ACidadeON/Ribeirao

Percentual alto: Segundo informações do Daerp ao Ministério Público, 40% das amostras coletadas estavam fora dos parâmetros ideais de flúor (foto: Matheus Urenha / A Cidade)


O Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) prevê solucionar parte da fluoretação irregular da água - problema histórico do município que prejudica a eficácia da prevenção de cáries apenas em 2021, um ano após o término do mandato de Duarte Nogueira (PSDB).  

E, mesmo assim, com um cronograma comedido: terá a automação gradativa, em três anos, de 30% dos 109 poços de captação de água existentes. A maioria deles tem hoje dosagem de flúor que exige monitoramento manual, o que dificulta o controle.  

A autarquia responde, na Justiça, a ação movida pelo Ministério Público em 2014 para corrigir o problema de fluoretação, que assola Ribeirão há, pelo menos, duas décadas.  

Desde então, A Cidade acompanha anualmente os relatórios de qualidade da água. No ano passado, houve a maior taxa dos últimos dez anos de amostras de flúor fora dos parâmetros considerados ideais pela Vigilância Sanitária.  

Os municípios são obrigados a adicionar flúor na água do abastecimento público, pois a substância previne a formação de cáries. Entretanto, devido aos 109 poços de captação do Aquífero Guarani espalhados pela cidade utilizarem o sistema manual de análises, o Daerp tem dificuldades em manter as taxas consideradas ideais em toda a cidade.  

Há duas semanas, o departamento jurídico do Daerp anexou ao processo um cronograma de investimentos para automatizar a adição de flúor, inclusive com monitoramento em tempo real. As instalações terão início em 2019 e levarão 30 meses um mês para cada poço.  

Nesse período, o Daerp irá instalar kits dosadores de flúor e cloro, que fazem a leitura da taxa de concentração das substâncias levando em consideração a vazão. Apesar de ser um salto em tecnologia em relação aos métodos hoje realizados de correção manual da concentração o custo estimado não é elevado: cerca de R$ 40 mil para cada poço.  

O valor final, para automatizar 30 poços, ficaria em torno de R$ 1,2 milhão.
A autarquia diz que a cotação é uma estimativa, pois ainda está finalizando o levantamento junto à iniciativa privada para abrir uma licitação.

Fora dos parâmetros  

O Daerp informou à Justiça que, atualmente, entre 40% e 35% das amostras de água estão fora dos parâmetros ideais de flúor. Com a automação de um terço dos poços, priorizando as áreas de maior concentração populacional, o indicador cairia para 15% e ficaria dentro do preconizado pela Vigilância Sanitária.  

O Ministério Público ainda precisa validar o cronograma do Daerp, que será submetido também à análise da juíza que conduz o processo.  

TAXA VARIA ENTRE BAIRROS  

Em reportagens publicadas em 2018 e 2017, A Cidade revelou, com base em dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, que a taxa de flúor varia entre os bairros. Algumas regiões da cidade, assim, ficam menos protegidas das cáries em relação a outras.  

A reportagem analisou 1.647 amostras de água coletadas no ano passado e verificou que ao menos 31 bairros tinham fluoretação abaixo do preconizado pela Vigilância Sanitária e por um Consenso Técnico elaborado em 2011 entre profissionais do setor, que é levado em consideração pelo Crosp (Conselho Regional de Odontologia).  

Naquele ano, o bairro Antonio Marincek, na zona Norte, teve a situação mais crítica: média de concentração de 0,43 mg/L.
Segundo o Crosp, concentração de flúor abaixo de 0,45 mg/L significa jogar dinheiro fora, pois praticamente não há benefício na prevenção às cáries. Das nove análises feitas pelo Daerp no bairro, cinco ficaram abaixo desse parâmetro. Duas delas não chegaram nem a 0,1 mg/L.  

A irregularidade também foi constatada em dissertação de mestrado da USP, da pesquisadora Cristina Crispim. Ela verificou, em 2012, que enquanto na Vila Tibério 56% das casas estava com concentração de flúor em desacordo com a legislação, no Campos Elíseos o percentual era de 8%.   

Percentual de amostras com concentração irregular de flúor (Arte / A Cidade)

2008  

Data em que o MP instaurou inquérito civil para apurar problemas na fluoretação da água de Ribeirão, após representação protocolada pelo cirurgião-dentista Ary Biasoli.

Outro lado  

Daerp diz que ajustes são imediatos  

Em nota, o Daerp afirmou que o cronograma apresentado à Justiça "faz parte da primeira fase da automação e levou em consideração a capacidade orçamentária da autarquia".  

Segundo a nota, "com a implantação de 30% de automação na fluoretação o Daerp terá condições de manter um mínimo de 85% de conformidade das amostras coletadas dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde".  

A autarquia sempre ressaltou que, quando uma análise irregular é verificada, a correção é feita imediatamente. Lembrou, também, que os padrões locais de fluoretação não acarretam em riscos à saúde.  

Citou, ainda, que "no primeiro momento a automação ficará restrita a conformidade do parâmetro de fluoretação, cloro e leitura do PH da água, entretanto, dentro de um processo de gerenciamento do sistema que está sendo implantado, existe a possibilidade, no futuro, de utilizar os equipamentos para gerar outras informações sobre o funcionamento do poço".

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