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Memórias da Revolução de 32 seguem vivas em Ribeirão Preto

Dois monumentos na cidade homenageiam os combatentes que perderam a vida nas batalhas contra o governo de Getúlio

| ACidadeON/Ribeirao

Juiz Ricardo Braga Monte Serrat mostra medalhas de condecoração recebida pelo pai, o coronel da PM, Paulo Monte Serrat Filho, a partir da década de 1960


As memórias da Revolução Constitucionalista seguem vivas em Ribeirão Preto, 86 anos depois da maior guerra civil brasileira.  

As batalhas para derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas deixaram um saldo de, pelo menos, 16 combatentes mortos, moradores da cidade e da região. Esses nove voluntários e sete homens da Força Pública que perderam a vida durante o conflito são homenageados por dois monumentos na cidade. Em todo o Estado, foram quase 900 mortos.  

O juiz diretor do Fórum de Ribeirão, Ricardo Braga Monte Serrat, relembra da participação dos avós e do pai na Revolução Constitucionalista. Ele faz questão de guardar objetos repletos de significado as peças vão além de trazer memórias do conflito armado.  

Mais que isso, representam um símbolo do legado deixado pelos homens da Força Pública e voluntários que lutaram na guerra civil. "Esse legado representa, acima de tudo, o amor pelo Brasil, o patriotismo, o sentimento de civismo, solidariedade e coragem", resume.  

Monte Serrat mostra seis medalhas de condecoração recebidas a partir de 1960 pelo pai, o coronel da Polícia Militar, Paulo Monte Serrat Filho, e uma aliança recebida pela avó do governo de São Paulo, ainda em 1932, ano em que foi deflagrada a revolução.  

O pai do juiz atuou como escoteiro, aos 13 anos, em São Bernardo do Campo. Mesmo tão jovem, desempenhava diversas funções: organizava atendimento hospitalar, entregava correspondências e levava alimentos e roupas às famílias cujos membros estavam em combate.  

Em 1997, Paulo Monte Serrat Filho chegou a abrir o desfile de 9 de Julho na Capital em um jipe. Em 1999, morreu em Ribeirão Preto, aos 79 anos, e suas cinzas foram depositadas no Mausoléu dos Heróis da Revolução de 1932, no Parque Ibirapuera, na Capital.  

Em 2004, o CPI-3 (Comando de Policiamento Militar do Interior), que abrange 93 cidades da região, passou a adotar o nome do coronel. 
  
Monumento em homenagem à Revoluçao de 1932, na Câmara de Ribeirão Preto

Avós doaram alianças

O avô e a avó maternos do juiz, Bento Braga Filho e Marina Tross Braga, doaram as alianças de ouro para o governo estadual pagar por armamento comprado na Itália e na Espanha. Em troca, recebiam uma aliança de latão a recebida pela avó é guardada até hoje pelo neto. Foi a campanha "Ouro para o Bem de São Paulo". "Era uma demonstração de amor muito grande pela causa." 

O avô materno do juiz foi para o combate na região do Túnel da Mantiqueira, na ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Quando São Paulo se rendeu, em 2 de outubro de 1932, ficou preso por um ano em Ilha Grande, no litoral Sul fluminense.  

"Meu avô paterno, Paulo Monte Serrat, participou ativamente como civil ajudando a organizar o atendimento no Hospital de Sangue de São Bernardo do Campo. Foi um dos pioneiros do escotismo no Brasil", relembrou o juiz. 

 
800 homens da Força Pública vão a combate 

A Revolução Constitucionalista de 1932 contou com a participação de 800 homens do 3º BCP (Batalhão de Caçadores Paulistas) da Força Pública, que corresponde hoje ao CPI-3 (Comando de Policiamento Militar do Interior). A informação é do historiador Alexandre Sumele, que produziu em 2008 a monografia "O 3º BCP da Força Pública na Revolução de 1932".  

"Havia duas sedes do batalhão na época, uma no 2º Grupo Escolar [hoje escola estadual Fábio Barreto] e outra na Casa de Diversões Antarctica Rink. As frentes de combate saíam de trem", relembra.  

Os combatentes se pulverizaram nas frentes de batalha em cidades,como Igarapava, Mococa, Caconde e Casa Branca.  

O saldo dos combates deixou sete mortos de integrantes da Força Pública na região. Em homenagem aos combatentes, foi inaugurado em outubro de 2017 um monumento esculpido a bronze e pedra, localizado no saguão de entrada da Câmara Municipal.  

O juiz Ricardo Braga Monte Serrat foi o autor do projeto. A execução da obra ficou a cargo do artista plástico Valério Diass. Constam na placa os nomes do primeiro sargento Antonio Manoel Alves; dos cabos Roberto Fernandes, Benedito Gonçalves Ribeiro, Oswaldo Santini, Lino Teixeira Cabral e Benedito Lourenço de Oliveira e do soldado Antonio Silvestre.  

 

Monumento em homoenagem aos voluntário da Revolução de 1932

Monumento homenageia voluntários  

Pelo menos 9 voluntários ribeirão-pretanos e de cidades da região morreram na Revolução de 1932. Seus nomes estão fundidos em uma placa de bronze no monumento ao Soldado Constitucionalista, inaugurado em 9 de julho de 1939, na praça XV de Novembro. Em 1982, o monumento foi reinaugurado com a inserção da placa com o nome dos voluntários mortos.   

A dedicatória diz: "Glória aos heróis tombados em 1932" (Augusto Fiordelice, Ayrton Roxo, Henrique Junqueira Franco, Januário dos Santos, Joaquim Alves, José de Oliveira Moreira, Mário Furtado, Nélio Batista Guimarães e Waldomiro Machado).   

Feita pelo escultor italiano Galileu Hugo Emendabili, especialista em mausoléus e monumentos funerários, a obra de granito e bronze mede 2,90 de altura por 4 metros de base. Retrata uma mãe amparando um soldado morto na revolução. 

 
Entenda a Revolução Constitucionalista

- Em 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assume o poder, depondo Washington Luís e impedindo a posse do paulista Júlio Prestes. Com isso, pôs fim à política de revezamento de paulistas e mineiros no comando do país, por meio da Política do Café (SP) com Leite (MG).

- Vargas instala um governo provisório, dissolvendo o Congresso, as assembleias legislativas e depondo os governadores, substituídos por interventores federais. Demora em proclamar uma nova Constituição, quebrando uma promessa dele - e irrita ainda mais as elites cafeeiras paulistas, que buscavam recuperar o poder e a influência perdidos após 1930.

- Com a bandeira do constitucionalismo, que defendia uma constituição liberal que garantisse a autonomia dos estados em relação ao governo federal e contra a ditadura, os dois principais partidos paulistas (PRP e PD) formaram a Frente Única Paulista, lançando as bases para o Movimento Constitucionalista de 1932.

- As forças políticas e econômicas de São Paulo exigiam uma nova Assembleia Constituinte, novas eleições e o fim do governo provisório.

- Em 23 de maio de 1932, quatro estudantes (Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo) morreram em um confronto com a polícia getulista na Praça
da República.

- Com isso, eles viraram mártires e suas iniciais batizaram o MMDC, entidade civil que se tornou símbolo da revolução e que alistava voluntários para a luta contra Vargas. Por fim, a rebelião paulista foi declarada no dia 9 de julho.

- A superioridade das forças do governo logo se mostrou nas batalhas e fez com que os rebeldes paulistas recuassem até terem de reconhecer a derrota. A guerra acabou após quase três meses, em 2 de outubro, com quase 900 mortos. 

 

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