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Empresário perdeu o tio Manoel Palma Guião na revolução

Contador desapareceu durante o combate no Estado do Paraná; o corpo dele nunca foi encontrado

| ACidadeON/Ribeirao

Empresário Rui Flávio Guião mostra o capacete usado pelo pai na Revolução de 1932

O pai e três tios do advogado e empresário Rui Flávio Chúfalo Guião lutaram como voluntários na Revolução Constitucionalista. Entre os objetos repletos de memórias, ele ainda guarda o capacete utilizado pelo pai e dezenas de fotografias organizadas em um álbum.  

Um dos tios, o contador Manoel Palma Guião, foi lutar com os outros dois irmãos no Paraná, mas desapareceu. O corpo não foi encontrado.  

"Por muito tempo, meu avô fez de tudo para localizá-lo. Mandou cartas para prefeituras, jornais, advogados, pois tinha a esperança de que, ferido, tivesse perdido a memória e não conseguisse voltar para casa", declarou. O avô paterno de Rui é João Rodrigues Guião, ex-prefeito de Ribeirão Preto, entre 1920 a 1926.  

Os outros dois tios de Rui que lutaram na Revolução de 32 foram o engenheiro agrônomo Euclides Palma Guião e o advogado Alcides Palma Guião.  

Enquanto os três tios de Rui foram destacados para o combate no Paraná, o pai, João Palma Guião, foi ao combate na região do rio Sapucaí, entre Batatais e Franca.  

"Meu pai advogava, era esportista e foi diretor de redação do A Cidade entre 1930 e 1936. Deixou temporariamente essa função para lutar voluntariamente em 1932", relembra.  

Apesar de integrar o destacamento que ficava entre Batatais e Franca, João Palma Guião não chegou a entrar em combate, pois se tratava de uma região mais tranquila. "Meu pai falava que o mais difícil era no período noturno, tinha que ficar de sentinela no escuro no bivaque e dependia dos ouvidos", relembra. O bivaque é uma espécie de barraca rudimentar.  

Quando a batalha acabou, Rui Flávio relembra que o cansaço do pai era tamanho que dormiu por três dias seguidos na casa dos tios, em São Paulo. "Embora tenhamos perdido a guerra, houve uma reação grande por parte de São Paulo que acabou culminando, por exemplo, na criação da USP em 1934", declarou (leia mais abaixo).  

Rui cita ainda outro legado importante da Revolução de 1932. "Deve ser utilizada como inspiração, exemplo, para fazermos uma revolução através do voto, já que hoje estamos reféns da classe política corrupta", concluiu.  

jornal é documento

 Recuperação da hegemonia

Foi a partir da derrota na Revolução de 32 que os líderes do movimento procuraram uma forma de o Estado de São Paulo recuperar sua hegemonia: uma elite capacitada que pudesse liderar o País. Resolveram, então, lutar pela construção de uma universidade. Getúlio Vargas, porém, percebeu que ter São Paulo como inimigo não era bom para seu governo. Nessa época, ele estava enviando interventores para diversos estados.  

Para São Paulo, nomeou Armando de Sales Oliveira, que em 1934 criou a USP, reunindo as faculdades e institutos de ensino já existentes.  

Criada como uma forma de posicionar o Estado de São Paulo no País, a USP recebeu missões francesas, que vieram especialmente para formar o corpo docente da universidade.  

Intelectuais de peso, como Roger Bastide (sociologia), Claude Lèvi Strauss (antropologia) e Fernand Braudel (história), fizeram parte da criação da universidade.


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