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Prefeitura de Ribeirão prevê 140,6 km de novas ciclovias até 2033

Plano Cicloviário será debatido amanhã em audiência pública; município esbarra na escassez de recursos

| ACidadeON/Ribeirao

Luiz trocou carro pela bike (Foto: Weber Sian / A Cidade)
O Plano Cicloviário municipal prevê que Ribeirão Preto aumentará em sete vezes sua malha de ciclovias, passando dos atuais 19,35 km para 159,95 km de faixas reservadas às bicicletas.   

Alegando escassez de recursos, porém, a prefeitura informa que a implementação da maior parte está prevista para ser executada apenas entre 2021 e 2033. Até lá, Ribeirão terá passado por quatro mandatos de prefeitos.  

A primeira audiência pública para discutir o plano, elaborado pela prefeitura, ocorre amanhã, às 18h, no Palácio Rio Branco e será aberta à população.  

Entre as novidades do plano está a criação de sete circuitos distribuídos pela cidade, totalizando 18,75 km, com objetivo recreativo e de fomento às bicicletas (leia mais ao lado).  

Toda a discussão, porém, passa pelo dinheiro para o financiamento - cada km de ciclovia custaria, em média, R$ 320 mil, segundo a prefeitura e a forma como seria implementado.  

Previsões  

O Plano prevê 19 km de ciclovias do PAC Mobilidade que devem ficar prontos em 2021, englobando trechos como a Thomaz Alberto Whatelly e Avenida do Café - e outros 28 km como contrapartida de empreendimentos ou executados dentro da USP.   

A cidade também terá 34 km de faixas exclusivas para ciclistas em avenidas já existentes, como a João Fiúsa e a Jerônimo Gonçalves (veja mapa acima, à direita).
 
"Há uma disponibilidade muita baixa do PPA (Plano Plurianual, que planeja gastos até 2021) para investimentos. E temos, por exemplo, uma demanda gigantesca por vagas em creches que precisa ser sanada. A prefeitura não falta com vontade ou é inepta com as ciclovias, mas temos que planejar de acordo com a realidade", explica Edson Ortega,   

Secretário de Planejamento.  

Segundo ele, "as audiências públicas terão o papel de discutir as ciclovias prioritárias e buscar modelos de financiamento". 

O município pretende recorrer a recursos estaduais e federais, além de parcerias com a iniciativa privada. "A experiência internacional incentiva a implementação do modal cicloviário. Nosso objetivo é estimular as pessoas a utilizarem a bicicleta, mas para isso é necessário que tenham vias seguras e interligadas", afirma o secretário.  

(Foto: Weber Sian / A Cidade)

Luiz trocou o carro pela bike  

Dos 61 anos de Luiz Carlos, 46 tiveram a bicicleta como principal meio de locomoção. Há duas décadas, inclusive, ele vendeu o carro e ficou apenas sobre os pedais.  

"É muito mais barato e rápido", justifica. Ele trabalha como chapa (ajudante de caminhoneiros) e se desloca diariamente entre o bairro Ribeirão Verde e o ponto do serviço - cerca de 10 km.  

"O mais complicado é o trânsito. Os motoristas não respeitam. Já fui muito xingado, mas xinguei também", brinca. Ele comemora que nunca se acidentou. "Preciso tomar cuidado redobrado. Os horários de pico são os piores, vira um inferno". Ele cobra a criação de mais ciclovias pela cidade. "São muito mais seguras, protegem quem usa a bicicleta".
 
Clima prejudicial 
  
A prévia do Plano Cicloviário lembra que o clima interfere diretamente no uso de bicicletas. "Dado que Ribeirão Preto conta com altas temperaturas na maior parte do ano, é conveniente observar que as rotas definidas devem receber tratamento especial, adotando-se medidas para mitigar esse efeito, por exemplo, com uma arborização", cita o documento. 

Circuitos são apostas para lazer e incentivo às bikes

A prefeitura pretende implementar sete circuitos cicloviários, totalizando 18,75 km. "Nosso objetivo é estimular a população a utilizar esses circuitos como lazer, e ao mesmo tempo incentivar a cultura da locomoção cicloviária", diz Ortega. 

Esses circuitos seriam espalhados pela cidade, com ciclovias dedicadas prioritariamente para utilização recreativa com finalidade semelhante à da ciclofaixa de lazer, executada aos domingos. Seriam, porém, permanentes.  

Eles seriam executados nos bairros Planalto Verde (Av. Virgílio Soeira), Parque Ribeirão, Parque Tom Jobim (passando pelo Alexandre Balbo e Jardim Procópio), Orestes Lopes de Camargo, Quintino Facci II, Lagoa do Saibro e Henri Nestlé, além do maior deles: um trecho de 4,4 Km que passaria por Parque Curupira, Costábile Romano e Leão XIII.  

A previsão inicial, porém, é de que saiam do papel apenas entre 2022 e 2026. "Com parcerias, podemos iniciar antes", diz Ortega. 

Integração 

Ortega aposta que a bicicleta, em Ribeirão Preto, pode ser um meio de transporte complementar, realizando a integração com o ônibus.   

Isso poderia ocorrer por meio de bicicletários (locais para guarda das bikes) espalhados pela cidade ou, até, aluguel custeado pelo poder público.   

"Com o cartão do ônibus, por exemplo, o usuário poderia alugar gratuitamente uma bicicleta em espaços disponibilizados pela prefeitura e ir pedalando até um terminal de ônibus", onde ela seria devolvida e disponibilizada para outro usuário. 

Desafios 

As avenidas Francisco Junqueira e Jerônimo Gonçalves são os principais desafios da prefeitura. Na Junqueira, o plano é implementar 4 km de ciclovias. O problema é como executar. 

As audiências do Plano Cicloviário vão discutir se o melhor é criar a ciclovia no espaço de asfalto já existente, diminuindo o espaço para os veículos motorizados (mais barato), ou instalar no canteiro central (mais caro).   

Nessa via, a previsão é de que saia do papel apenas em 2033. Além disso, o Plano exige que toda nova avenida aberta no município tenha uma ciclovia.  

Onde serão as novas ciclovias 

PAC: 8 trechos com recursos do Governo Federal, totalizando 29 km.
Implementação: 2021

Loteamentos: 4 trechos com dinheiro da iniciativa privada, como contrapartida de empreendimentos, totalizando 8,8 Km.
Implementação: 2018 a 2022

Novas avenidas: 6 novos trechos em avenidas que serão criadas (como a Rio Pardo), totalizando 30,3 Km.
Implementação: em estudo.

USP: criação de 19,30 km de ciclovia dentro do campus da universidade.
Implementação: em estudo.

Circuitos cicloviários: 7 trechos espalhados pela cidade dedicados ao lazer, totalizando 18,75 Km.
Implementação: entre 2022 e 2026.

Avenidas já existentes: 13 avenidas que sofrerão intervenção para receber ciclovia (Exemplo: Braz Olaia Acosta), totalizando 25,9 Km.
Implementação: entre 2024 e 2031

Trechos complexos: avenida Francisco Junqueira e Jerônimo Gonçalves, totalizando 8,5 Km.
Implementação: 2032 e 2033.


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