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Ribeirão Preto é a cidade que mais cresce entre as 20 maiores do Estado

Estimativa divulgada pelo IBGE mostra que município conta atualmente com 694,5 mil habitantes

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Ribeirão Preto é a cidade que mais cresce entre as 20 maiores do Estado de São Paulo (Foto: F.L. Piton / A Cidade - 25.dez.2015)


Entre as 20 maiores cidades de São Paulo, Ribeirão Preto foi a que proporcionalmente mais cresceu nos últimos cinco anos. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que, atualmente, sejam 694,5 mil habitantes, 50 mil a mais que em 2013. Nesse ritmo, já no próximo ano a cidade irá ultrapassar Osasco e se tornar o 7º maior município paulista.  

A análise foi feita pelo A Cidade com base em dados divulgados ontem pelo IBGE. O instituto estima, anualmente, a população das cidades, tendo por base modelos matemáticos que consideram os Censos de 2000 e 2010 e a demografia dos estados.  

Se comparado com 2013, Ribeirão cresceu 6,9% - mais que o dobro da capital paulista (município mais populoso do País, com 12,2 milhões de residentes), que aumentou em 3% nesse período. O estado de São Paulo, como um todo, cresceu 4,3% em cinco anos.  

Segundo Luciano Nakabashi, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, Ribeirão tem crescimento maior que o das cidades de porte semelhante em razão do fluxo migratório, recebendo pessoas da região e dos grandes centros urbanos, principalmente de São Paulo e entorno.  

O custo de vida menor se comparado à capital, aliado à melhor qualidade de vida, são alguns dos motivos que impulsionam a migração. "Há uma tendência de desconcentração da região metropolitana de São Paulo, com fluxo para o interior", ressalta Nakabashi.  

Ele diz, também, que as universidades de Ribeirão Preto qualificam a mão-de-obra, o que aumenta o atrativo para empresas se instalarem na região. O crescimento, porém, também traz alertas, como a necessidade de melhor planejamento urbano (ler ao lado).

Quase lá  

Hoje, Ribeirão é o oitavo município em número de habitantes do Estado. A diferença para Osasco, que está uma posição acima, cai a cada ano. Em 2010, quando o último Censo foi realizado, Osasco tinha 666,7 mil habitantes e Ribeirão 590,6 mil, diferença de 76,1 mil moradores. Agora, na estimativa de 2018, Osasco tem 696,9 mil residentes, apenas 2,3 mil a mais que Ribeirão Preto.  

Nos últimos cinco anos, Ribeirão cresceu uma média de 1,4% ao ano, segundo o IBGE. O percentual varia para cada período, pois o instituto muda as metodologias para as estimativas. Se o município crescer ao menos 0,8% até 2019, chegará a 700 mil habitantes e ultrapassará Osasco (que está com crescimento estagnado).  

Envelhecimento deve ser considerado  

O economista da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto), Gabriel Couto, explica que a expectativa de vida do brasileiro está cada vez maior, o que explica o crescimento populacional e deve ser levado em consideração no planejamento futuro. "Hoje, o grosso da população está na faixa entre 20 e 40 anos. E, ao longo dos próximos anos, teremos cada vez menos jovens". Assim, diz, será necessário planejar a cidade para habitantes "cada vez mais envelhecidos". 

Como são feitos os cálculos  

Leila Ervatti, demógrafa do IBGE, explica que a estimativa populacional é feita mediante modelos matemáticos, que consideram a proporção do crescimento dos municípios entre os Censos de 2000 e 2010 e informações demográficas dos estados (mortes e nascimentos). Ela diz que o instituto mudou, nas estimativas de 2018, a metodologia em relação à de 2017, pois atualizou o comportamento da taxa de fecundidade nos estados considerando que as mulheres estão retardando a gravidez.  

Segundo ela, o crescimento populacional brasileiro, de forma geral, vem diminuindo ano a ano. A expectativa é que a partir de 2048 o País tenha uma redução na população, fenômeno que deve impactar o Estado de São Paulo a partir de 2049. Motivo: diminuição das taxas de natalidade e ausência de migrações em número expressivo de outros países para cá.  

Leila explica que o IBGE havia previsto uma contagem da população em 2015, para ter números mais precisos da estimativa dos habitantes nos municípios, mas ela foi cancelada por falta de verba. O número mais preciso dos habitantes locais será contabilizado pelo Censo de 2020. As estimativas, por exemplo, não consideram eventuais fechamentos ou aberturas de empresas e seus impactos. 

Eficiência é um desafio  

O secretário de Planejamento de Ribeirão Preto, Edson Ortega, diz que o crescimento populacional exige que a cidade seja "cada vez mais eficiente, em todos os seus setores". Ele diz que o Plano Diretor, aprovado este ano pela Câmara, já leva em consideração o aumento de habitantes. Agora, a prefeitura realiza leis e estudos complementares.  

"Uma de nossas prioridades é fazer melhor uso do espaço urbano, ter adensamento mais inteligente de nossa população", explica. O Plano Diretor incentiva, entre outros, as "unidades de ocupação planejada", com bairros contando com serviços básicos para evitar que os moradores se desloquem pela cidade. Compacto e bem distribuído, o município evita o deslocamento desnecessário que resulta em desde sobrecarga no trânsito até perda de tempo dos munícipes.  

"Outro grande desafio envolve o desenvolvimento econômico e tecnológico. Temos que ter uma administração pública cada vez mais ágil, para favorecer a expansão e atração de empresas", diz o secretário. 

Universitária  

Bárbara Gimenez, 19 anos, se mudou para Ribeirão Preto há um mês e meio para estudar medicina. Tempo suficiente para se identificar com a cidade. Vai fincar raízes pelos próximos 9 anos, entre graduação e residência médica. Mas já pensa em ficar mais.  

"Aqui há um amplo mercado profissional, centros médicos de excelência", diz. Nascida em São José do Rio Preto, elea ficou em São Paulo no primeiro semestre deste ano para o cursinho. Mas não gostou da capital. "Lá, o custo de vida é muito alto e a distância é grande. Estou gostando muito mais de Ribeirão. Aqui tem opção de tudo, mas sem a loucura de São Paulo", constata.  

Números de Ribeirão Preto 

29º
Município mais populoso do Brasil

11º
Município brasileiro mais populoso, excluindo as capitais

27
Novos moradores Ribeirão Preto ganhou em média, todos os dias, nos últimos cinco anos

45,5 mi
Habitantes tem o Estado de São Paulo, que concentra 21,8% da população brasileira

208,5 mi
É a população brasileira em 2018, que cresceu 0,82% em relação ao ano passado 

Região Metropolitana  

A Região Metropolitana de Ribeirão Preto chegou a 1,7 milhão de habitantes, segundo o IBGE. Em um ano, a região ganhou 23,5 mil habitantes. O ranking regional, após Ribeirão, é seguido por Sertãozinho (124,4 mil), Jaboticabal (76,8 mil) e Mococa (68,7 mil). Já na parte de baixo estão Santa Cruz da Esperança (2,1 mil) e Cássia dos Coqueiros (2,5 mil).  

Das 34 cidades que compõem a Região Metropolitana, sete perderam habitantes em relação a 2018: Cássia dos Coqueiros (1,9%), Taiúva (0,6%), Taquaral (0,5%), Tambaú (0,4%), Altinópolis (0,3%), Mococa (0,3%) e Santa Rita do Passa Quatro (0,3%). Juntas, elas somam 519 moradores a menos.  Especialistas apontam que, provavelmente, isso se dá pelo fluxo migratório entre cidades da região. 

Veja os números dos 34 municípios da Região Metropolitana:
Ribeirão Preto: 694.534
Sertãozinho: 124.453
Jaboticabal: 76.864
Mococa: 68.788
Batatais: 62.024
Monte Alto: 50.216
Pontal: 49.047
Serrana: 44.555
Jardinópolis: 43.774
Orlândia: 43.687
Guariba: 39.714
Pitangueiras: 39.349
Cravinhos: 34.998
Morro Agudo: 32.641
Barrinha: 32.434
Santa Rita do Passa Quatro: 27.514
Santa Rosa de Viterbo: 26.322
Cajuru: 25.935
Brodowski: 24.592
Tambaú: 23.182
Pradópolis: 21.110
Altinópolis: 16.164
São Simão: 15.257
Luís Antônio: 14.592
Serra Azul: 14.334
Sales Oliveira: 11.779
Dumont: 9.708
Guatapará: 7.602
Nuporanga: 7.386
Santo Antônio da Alegria: 6.880
Taiúva: 5.568
Taquaral: 2.810
Cássia dos Coqueiros: 2.542
Santa Cruz da Esperança: 2.124

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